sábado, 28 de março de 2015

[Futebol e História] Real Madrid x Barcelona: uma rivalidade que vai muito além das linhas do campo


No último domingo, 22/03/2015, assistimos a mais um belo duelo entre os dois principais clubes da Espanha: o Real Madrid e o Barcelona. De um lado, a trupe sul americana de Messi, Neymar, Suarez e companhia, e do outro, o esquadrão de Cristiano Ronaldo, Benzema, Gareth Bale, dentre tantas outras estrelas que habitualmente engrandecem tal peleja. O Barcelona venceu por 2x1, com 2 gols de Suarez, tendo Cristiano Ronaldo anotado o gol dos madrilenhos.
Mais do que um grande clássico, o duelo envolvendo tais clubes comporta uma dimensão histórica e simbólica que ultrapassa os meros limites das linhas do campo. As origens desta que é talvez a maior rivalidade futebolística do planeta, pode – e deve – ser procurada também em um cenário que não é o da bola, mas sim o da conjuntura política de uma nação no decurso de sua trajetória histórica.
        Em outras palavras, a história política da Espanha no decorrer do século XX muitas vezes se confunde com a história da formação e da intensificação da rivalidade entre o Barça e o Real no decorrer de sua história. O Real Madrid, o clube da capital, ainda hoje tende a ser visto como o clube da elite, da realeza, agremiação esta que seria em muitos momentos intensamente auxiliada por forças políticas, como ocorrera, em especial, nas ações do ditador Francisco Franco. Já o Barça é tido como o clube da “dissidência”, é o símbolo da força e da determinação do “povo catalão”, sempre disposto a bater de frente ao poder centralizador das forças políticas espanholas quando necessário.

O Brasileiro Evaristo de Macedo atuou por ambos os clubes nos anos 1950/1960: no Barça(1957/1962) e no Real (1962/1965)


        Tal bipolaridade remete profundamente aos atos políticos que marcariam a primeira metade do século XX espanhol, quando estes acabavam influenciando também no cenário da bola. Acontece que quando o generalíssimo Francisco Franco assume ao poder espanhol, este passará a se utilizar do Real Madrid, seu clube de coração, como instrumento político, patrocinando-o intensamente. O Real Madrid que obviamente já era muito grande nas lides de 1940, se tornaria maior ainda, pois Franco passou a patrocinar a contratação de todos aqueles jogadores que fossem considerados os melhores do mundo no momento, atravessando inclusive as contratações que seriam do interesse do Barcelona. Foi deste modo, por exemplo, que Francisco Franco teria auxiliado na montagem daquele que é considerado o maior time da história do Real Madrid, quando o time passou a contar com Di Stefano, Puskas, Gento, e inclusive o brasileiro Didi, entre 1951-1960. Esta “seleção”acabou ganhando, durante o período, 5 taça dos campeões da Europa (o equivalente a atual Champions League) e 4 campeonatos espanhóis, praticamente dominando o cenário futebolístico ibérico.

O Brasileiro Didi: contratação de peso do Real Madrid em 1959

     A contratação do citado Di Stefano revela, inclusive, a natureza das ligações entre Francisco Franco e o Real Madrid, uma vez que o jogador estava praticamente acertado com o Barcelona, no entanto, o ditador Franco acabou cobrindo a oferta, trazendo-o para o time madrilenho, onde se tornaria o maior ídolo da história do clube.

Francisco Franco: um "patrocinador" do Real Madrid?

       E foi assim que a rivalidade entre ambos os clubes foi se intensificando por conta de questões políticas. No Camp Nou, o estádio do Barcelona, quando os clássicos eram realizados naquele, a torcida catalã aproveitava esse momento para vaiar intensamente ao general Franco, cantando e xingando inclusive na língua catalã, que havia sido proibida pelo mesmo Francisco Franco.
    Ainda assim nos anos 1950, o Barcelona conseguiu resistir ao poderio madrilenho, tendo obtido também, naquela década, o número de 4 troféus da liga local. Mas os anos 1960/1970 seria devastador, pois o Real Madrid ganharia 14 troféus dos 20 em disputa durante aquelas duas décadas, enquanto que o Barcelona apenas 2. Tudo isso, consta-se, com a égide do generalíssimo Franco. Há quem diga ainda que o Santiago Bernabeu, o estádio do Real Madrid, fundado em 1947, também teria sido construído com o dinheiro dos cofres espanhóis, a mando de Franco. O próprio Santiago Bernabeu, ex-jogador do clube e que passara a nomear o estádio, havia lutado no exército de Franco durante a guerra civil espanhola.
Não há duvidas que tal peleja coloca em jogo o maior duelo futebolístico do mundo. Um duelo que vai muito além de questões da bola, tendo sido “fortalecido” por questões históricas. O Real Madrid, o clube mais rico do mundo, continua a ser uma grande potência, montando verdadeiros esquadrões de “galáticos” ano após ano. O Barcelona, seu maior rival, após um longo período de crise, ressurgiu com bastante força a partir de 2003, tornando-se hoje, junto com o seu rival, a maior potência futebolística do planeta.
    
Ass. Rafael Prata
Mestrando em História na Universidade Federal de Sergipe.        

sábado, 28 de fevereiro de 2015

José Mojica Marins, o Zé do Caixão: um verdadeiro “monstro” do Terror Nacional

Lá fora, seu personagem mais conhecido é traduzido como “Coffin Joe”, sendo seu criador uma figura bastante reverenciada em solos americanos pelos amantes do gênero terror. Sim, é o nosso clássico Zé do Caixão, alter-ego cinematográfico de José Mojica Marins, um abnegado ator, roteirista e cineasta brasileiro que passou a produzir películas de terror nos nossos anos 1960, algo bastante raro a época.
Nascido em São Paulo no dia 13 de março de 1936, desde cedo Mojica mostraria o seu interesse pelo cinema: seu pai havia trabalhado como projetor em uma sala de Cinema, e logo após um certo tempo, acabou sendo premiado, se tornando o gerente do Cinema local. Mojica sempre o acompanharia em seu ofício, travando assim os primeiros contatos com o cinema.
Aos 12 anos de idade, ganharia de seu pai uma câmera V-8. Ali ensaiaria os seus primeiros curtas, suas primeiras ideias já na infância. Com 17 anos, fundara com seus amigos uma amadora companhia de interpretação para atores, intitulada Companhia Cinematográfica Atlas, voltada sobretudo para a composição de personagens de terror, haja vista o seu fanatismo pelo gênero, testando inclusive a coragem dos atores amadores na lide com insetos, algo que inclusive se tornaria sua marca em seus mais conhecidos filmes.
Todavia, antes de entrar no mundo do terror, Mojica participaria de uma série de películas de outros gêneros. Em 1958, produzira a película “A Sina do Aventureiro”, um verdadeiro western nacional, e em 1962 a película “Meu destino em suas mãos”, dentre outros filmes. Mas, não tardaria que Mojica definitivamente iniciasse sua carreira naquele gênero que o tornaria um mito.

Em 1963, colocando em prática tudo aquilo que havia sonhado, todo aquele treinamento com insetos, e toda a sua influência, seu fanatismo frente a figura de Drácula, produziu então a película “À meia noite levarei sua alma”, apresentando assim o seu clássico personagem, o nosso Josefel Zanatas, ou melhor, o Zé do Caixão.
A história do famigerado e sádico Zé do Caixão que obcecado na busca pela “Mulher perfeita” com a qual teria seu herdeiro marcou o Cinema nacional nos anos 1960, tendo tido por conta de seu sucesso, uma série de continuações. Três anos depois, em 1966, viria “Esta Noite encarnarei no teu cadáver”, em 1974 a película “Exorcismo Negro” e em 1981 ao filme “A Encarnação do demônio” que teria um remake produzido em 2008 com o mesmo título.

O sádico Josefel Zanatas, o Zé do Caixão

No entanto, Mojica produziria outras películas de terror que não contaram com a participação de Zé do Caixão. São os casos de “O Estranho Mundo de Zé do Caixão” (1967), “Trilogia do Terror” (1968), “O Despertar da Besta”(1969), “Inferno carnal” (1976), “Delírios de um anormal” (1977), dentre outros tantos. Mojica também participaria da produção de uma série de películas de pornochanchada no decorrer dos anos 1970, um gênero de enorme sucesso a época no cinema nacional.

Aranhas, uma das marcas de Zé do Caixão

Mas foi a sua figura como Josefel Zanatas, o Zé do Caixão, que o projetaria como ícone do nosso cinema. Mojica foi – e continua a ser- um dos sujeitos mais ousados da história do nosso cinema. Pensar um filme de terror nos anos 1960 no Brasil traduz todo o teor dessa sua ousadia. Pensar e por em prática. Aranhas caminhando por pessoas amarradas, cemitérios, personagens sádicos, erotismo velado, todas estas questões marcam o cinema de autoria de José Mojica Marins, um grandíssimo cineasta que talvez seja mais reverenciado em solo estrangeiro do que em nosso país.

Ass. Rafael Prata
Mestrando em História na Universidade Federal de Sergipe

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O Index “cinematográfico”: Um Top3 de filmes “banidos” pelo Vaticano


    Em 1559 a Igreja criou o Index Librorum Prohibitorum, uma lista de obras literárias consideradas de conteúdo herético constantemente “atualizadas” pelo Papa, e sob a administração direta do Santo Ofício, da Inquisição. O “costume” persistiu até 1948, ou seja, por quase quatrocentos anos, quando foi publicada a sua última lista, tendo sida extinta em 1966, em definitivo, pelo Papa Paulo VI.
    Curiosamente, apesar de “extinto”, o Index vez ou outra mostra a sua face em outro ramo de produção cultural: o Cinema. Não obstante, tem sido uma prática bastante corriqueira por parte do Vaticano a de oferecer um “admonitum”, ou seja, uma advertência ao fiel em relação a alguns filmes que por conta do conteúdo herético, deveriam se manter afastados.
     Desse modo, uma série de filmes tem sido contestados e censurados pela Igreja que, dependendo do país, consegue até travar a sua circulação. Olha lá, é o Index cinematográfico! Só para ilustrar tal questão, vou listar três dos filmes mais “odiados” pela Igreja, e que por isso deram a maior confusão na época de sua exibição. 
     Certamente um dos casos mais famosos se refere a película “A Vida de Brian” produzido e realizado em 1978 pelo grupo de comédia britânico Monty Python. A película que descreve em tons absurdamente cômicos, a confusão que se torna a vida de um sujeito comum de nome Brian que acaba sendo confundido com o Messias e por isso vira objeto de adoração, causou um estardalhaço absurdo por parte de lideranças religiosas. Manifestações religiosas eram efetuadas pedindo a banição do filme em localidades dos Estados Unidos, e lideranças religiosas reforçavam a “blasfêmia” que era o filme contra a figura de Jesus Cristo. Em suas defesas, os comediantes negavam a acusação, afirmando que em nenhum momento haviam satirizado a figura de Jesus, mas sim, apenas haviam discutido, em tons cômicos, aspectos da fé, e inclusive, questões bem transversais como o sindicalismo, a política, e etc.

Cena de "A Vida de Brian" (1978)

    Um outro caso bastante conhecido foi o da película “Eu vos saúdo Maria", produzido e dirigido por Jean-Luc Godard em 1985. A película “reconstrói” a história da jovem Maria e de seu marido José num cenário localizado no século XXI. Bastante humanizado, contando inclusive com cenas de nudez, a película causaria uma polêmica enorme em todo mundo, sendo inclusive proibida aqui no Brasil pelo Presidente a época, José Sarney.

"Eu vos saúdo Maria" (1985)

Por fim, talvez o caso mais polêmico tenha sido o da película “A Última tentação de Cristo”, dirigida por Martin Scorsese em 1988, baseada no homônimo literário do grego Nikos Kazantzakis. Apesar do filme incluir em seus letreiros iniciais um aviso de que a obra não se baseava em nenhum dos evangelhos, não houve como não causar polêmica. Ao narrar a vida de um Jesus arrependido por suas escolhas e bastante humanizado, inclusive com uma vida de casado frente a Maria Madalena, a película acabou por gerar uma série de protestos e de ataques enfurecidos por parte de setores fundamentalistas cristãos, como o que aconteceu no Teatro Parisiense Saint Michel no mesmo ano, quando uma série de coqueteis molotovs foram arremessados em meio a exibição do filme, ferindo treze pessoas. O Vaticano, como era de se esperar, condenou a película considerando-o blasfemo, herético, incluindo-o no Index Librorum Prohibitorum. 

"A Última tentação de Cristo" (1988)

Outros tantos filmes poderiam ser citados. A lista não é de forma alguma pequena! Ainda hoje inúmeros filmes são condenados nessa listinha herética... O Index que tudo vê, e excomunga é claro!

Ass. Rafael Prata
Mestrando em História na Universidade Federal de Sergipe

sábado, 17 de janeiro de 2015

Calígula (1979): quando o que era para se tornar um "épico" se tornou o “pornô” mais famoso e polêmico da história do Cinema

1979. O aclamado romancista e dramaturgo Gore Vidal (1925-2012) escreve um roteiro para ser transposto para o Cinema. Tratava-se da história do famoso Gaius Caesar Germanicus, o famigerado Imperador Calígula do Império Romano.
         Tudo certo até o presente momento, pois o gênero épico e em especial a produção de películas voltadas ao Império Romano já haviam se tornado uma tônica de sucesso no mercado cinematográfico. No entanto, ao contrário das demais películas sobre o Império Romano, Calígula contou com total repúdio das empresas cinematográficas, dos diretores de renome em Hollywood, enfim, do alto escalão do cinema norte-americano.
    Tudo isso "graças" ao modo como seus pensadores desejavam retratar a ascensão e a queda de Calígula: através de um incontável número de cenas de sexo explícito, de masoquismo, bacanais, e etc. Obviamente que o grande filão do Cinema se chocou diante de tal roteiro e de imediato recusou-se a participar de tal empreitada.
         Não restou outra opção a não ser procurar “vias alternativas” para a realização do filme. O diretor procurado e escolhido foi o italiano Tinto Brass, conhecido a época por suas produções eróticas. Restava contar com o apoio de alguma produtora que pudesse patrocinar a realização do filme. Eis que a Penthouse, uma grande empresa do ramo pornográfico norte-americano, vislumbrou a chance de se projetar no meio do Cinema, patrocinando a um filme de grande relevo.

Tinto Brass: o "Rei" dos eróticos italianos nos anos 1970

         Firmou-se o acordo. Bob Guccione, criador e dono da Penthouse, passou a patrocinar a produção da película, e inclusive, também participaria ativamente de sua realização, ao filmar boa parte das cenas eróticas da mesma.

Bob Guccione: o magnata da Penthouse que financiara a película

         Calígula saiu do papel em 1979, e chegou as telas do Cinema em 1980. Resultado: um verdadeiro filme pornô com grandes estrelas do Cinema. Isso porque se diretores e produtoras haviam recusado a participação em sua produção, não foi o caso de algumas das maiores celebridades da época que acabaram aceitando o convite para participar de tão polêmico e controverso filme. Foram os casos, principalmente, de Malcom McDowell, um dos principais atores da época, que acabou por interpretar o próprio Calígula, de Hellen Mirren, que interpretou Milonia, a esposa de Calígula, e Peter O´Toole que interpretou Tibério.

O Poster de divulgação da película

         Sexo e Sadismo. São as palavras que podem resumir a película. Calígula e toda a conjuntura histórica e política do Império Romano acabam por ser drasticamente reduzidos a uma prática desenfreada de sexo no decorrer de todo o filme. Sem censura alguma, o filme trazia sexo explícito com cenas fortíssimas, desde os bacanais com uma enormidade de pessoas, passando pelas práticas mais sádicas possíveis, até chegar as relações sexuais incestuosas de Calígula com sua própria irmã.

Malcom McDowell e Hellen Mirren como Calígula e Milonia, respectivamente.

         A película, como era de se imaginar, acabou sendo rechaçada por toda a crítica especializada. Roger Ebert, o mais famoso dos críticos americanos, deu nota 0 ao filme, considerando-o um lixo indescritível. Outros tantos críticos reforçaram o fato de que possivelmente em todo o filme apenas 6 minutos de seus 150 minutos sejam de qualidade, estando o resto voltado aos bacanais e sadismos de Calígula e de toda a trupe romana.
         O curioso da recepção da película por parte do público se dá no fato de que muitas pessoas desavisadas no decorrer dos anos 1980 e 1990, no auge das locadoras de filmes, desconheciam o caráter essencialmente pornográfico do filme e assim colocavam-no na secção dos filmes de cunho histórico e/ou épico. Como consequência, ao alugarem a película, muitas pessoas tiveram o constrangimento de desconhecendo tal aspecto, convidarem uma gama de familiares para assistí-lo e se depararem então com a pornografia total da película, causando então um enorme desconforto não só para quem convidou mas para todos os convidados. E é claro, houve quem alugou a película sabendo de todo o seu conteúdo. 
     Polêmico, controverso. Sádico e escatológico. Calígula tornou-se um dos filmes mais paradoxalmente repudiados e “cultuados” da história do Cinema, justamente por toda essa, podemos dizer assim, “ousadia estética” e principalmente pelo furor causado em meio a sociedade.

Ass. Rafael Prata
Mestrando em História na Universidade Federal de Sergipe

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

[Músicas Históricas] “Hurricane” de Bob Dylan (1975)

Anos 1960. O jovem negro Rubin Carter despontava como um dos mais promissores boxeadores americanos daquele momento. Rubin era o “Hurricane”, o furacão dos ringues, sendo o favorito na luta pelo cinturão dos pesos médios em 1966, quando tinha 29 anos.
      No entanto, aquele dito ano de 1966 seria marcante não pela realização de um sonho, a concretização do talento de “Hurricane”, mas sim pelo fato mais triste de toda a sua vida, o qual acabaria levando ao precoce e forçado término de sua carreira: Rubin “Hurricane” Carter acabou sendo preso sob a acusação de assassinato.
      Hurricane Carter passeava com amigos pelas ruas de Nova Jersey, quando fora subitamente surpreendido pela policia. Acabou sendo condenado, junto com seu amigo John Artis, pelo assassinato de três pessoas. A prisão que foi feita calcada no evidente racismo, fez com que Carter, além de perder toda a sua carreira, ficar preso de 1967 a 1985, ou seja, 17 anos preso por um crime que não havia cometido.
      Posteriormente, uma campanha levada a cabo pelo maior boxeador de todos os tempos, Muhammad Ali, e por um dos maiores cantores e compositores da história, Bob Dylan, fez com que o processo de Carter fosse reaberto, e definitivamente, em 1985, o juiz que cuidou do caso decidiu que a prisão de Carter tinha sido feita “com base no racismo e não na razão”.
      Carter perdera assim boa parte de sua vida, e a chance de levar adiante sua carreira. Como uma homenagem mais do que justa, em 1993, Carter recebeu o Cinturão de campeão dos pesos médios de Boxe,
      Sua história ficaria marcada em muitas produções culturais. Bob Dylan, que participara ativamente da luta por sua libertação, produzira então a belíssima canção “Hurricane” em 1975, relatando toda a questão e o racismo sofrido por Hurricane.

       Vamos a música, que por si só conta a a história por completo:

Tiros de pistola ouvidos no bar
Patty Valentine entra pelo corredor de cima
Ela vê o bartender em uma poça de sangue
Grita, 'Meu Deus, eles mataram todos eles! '
Aqui vem a história do Hurricane
O homem que a policia veio culpar
Por algo que ele não fez
Colocado em uma cela, mas um dia poderia ter sido
O campeão do mundo

Três corpos deitados, Patty vê
E outro homem chamado Bello, se movendo misteriosamente
'Não fui eu, ' ele diz, e levanta as mãos
'Eu só estava roubando o caixa, espero que você entenda
Eu os vi saindo, ' ele diz e para
'Acho melhor um de nós chamar a policia. '
E então Patty chama a policia
E eles chegam no local com suas luzes vermelhas piscando
Na noite quente de New Jersey

Enquanto isso, em outra parte da cidade
Rubin Carter e alguns amigos estão dirigindo
Primeiro concorrente para a coroa de peso-médio
Não tinha ideia da merda que estava pra acontecer
Quando um policial o parou na estrada
Igual a outra vez, e antes disso
Em Paterson, é assim que as coisas são
Se você é negro, é melhor nem aparecer na rua
A não ser que queira chamar atenção

Alfred Bello tinha um parceiro
e ele tinha informações pra policia
Ele e Arthur Dexter Bradley estavam xeretando
Ele disse, 'Eu vi dois homens correndo
eles pareciam pesos-médios
Eles entraram num carro branco com placa de outra cidade'
E a senhorita Patty Valentine concordava com a cabeça
O policiail disse, 'Esperem, meninos, esse não está morto'
E eles os levaram para a enfermaria
E apesar do homem mal conseguir ver
Eles disseram que ele poderia identificar os culpados

4 da manhã e eles entram com Rubin
Eles estão nos hospital e o levam la pra cima
O homem machucado olha através de seu único olho
Diz, 'Pq vocês o trouxeram aqui? Ele não é o cara! '
Sim, aqui está a historia do Hurricane
O homem que a policia veio culpar
Por algo que ele não fez
Colocado em uma cela, mas um dia poderia ter sido
O campeão do mundo

4 meses depois, os guetos estão em chamas
Rubin está na América do Sul, lutando por seu nome
Enquanto Arthur Dexter Bradley ainda está no jogo de roubar
E os policiais estão o pressionando
procurando por alguém pra culpar
'Lembra daquele assassinato que aconteceu no bar? '
'Lembra que você disse que viu o carro fugir? '
'Você acha que gostaria de jogar com a lei? '
'Você acha que pode ter sido um lutador
que você viu correndo aquela noite? '
'Não se esqueça que você é branco. '

Arthur Dexter Bradley disse, 'Eu não tenho certeza. '
A policia disse, 'Um garoto pobre como você
precisa de um descanso
Nós vamos o culpar pelo trabalho no motel
e estamos falando com seu amigo Bello
Se você não quer voltar pra prisão, seja um bom menino
Você estará fazendo um favor a sociedade
Aquele filho da puta é valente e está ficando mais valente
Nós queremos pega-lo
Queremos o culpar pelo triplo assassinato
Ele não é nenhum cavalheiro. '

Rubin pode derrubar um homem com um soco só
Mas ele nunca gostou de falar sobre isso
É meu trabalho, ele dizia, e eu faço por dinheiro
E quando acaba, eu saio fora
Pra algum paraíso
Onde as trutas nadam e o ar é bom
E ando de cavalo por um trilho
Mas então o levaram para a cadeia
Onde tentam transformar um homem em um rato

O destino de Rubin já estava marcado há muito tempo
O julgamento foi um circo, ele nunca teve chance
O juiz fez as testemunhas de Rubin
parecerem bêbadas da favela
Para os brancos que assistiram
ele era um mendigo revolucionário
E para os negros, ele era só um preto louco
Ninguém duvidou que ele puxou o gatilho
E apesar de não terem achado a arma
O promotor disse que foi ele que atirou
E o juri de brancos concordou

Rubin Carter foi falsamente julgado
O crime era assassinato, adivinha quem testemunhou?
Bello e Bradley mentiram descaradamente
E os jornais, seguiram a onda
Como pode a vida de um homem assim
Estar nas mãos de um tolo?
O vendo incriminado
Não pude evitar sentir vergonha de viver em uma terra
Onde a justiça é um jogo

Agora todos os criminosos de terno e gravata
Estão livres pra beber martinis e ver o sol nascer
Enquanto Rubin senta como Buda em uma cela minúscula
Um homem inocente no inferno
Essa é a historia do Hurricane
Mas não vai acabar até que limpem seu nome
E devolvam o tempo perdido
Colocado em uma cela, mas um dia poderia ter sido
O campeão do mundo

Ass. Rafael Prata
Mestrando em História na Universidade Federal de Sergipe

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

[TOP10] Os cachorros mais marcantes da história do Cinema

O velho e certeiro ditado afirma “o cão é o melhor amigo do homem”. Poderíamos ampliar tal verdade para todos os animais, haja vista que não somente os cachorros são fiéis aos seus donos, como também os gatos, os papagaios, lagartixas, e etc.
        Mas não dá para negar que os cachorros possuem uma proximidade frente ao seu dono que chama a atenção. Quem cria sabe bem como é a questão. Ciente disso tudo, eis que a industria cinematográfica procurou se apropriar da “atuação dramática e cômica” destes animais desde sempre, fazendo com que os cachorros se tornassem rapidamente célebres personagens de inúmeros filmes consagrados da indústria hollywoodiana.
        Com esta postagem, apresentaremos então um breve Top10 dos cachorros mais marcantes da história do Cinema. Obviamente que muitos outros ficaram de fora da lista, mas vamos lá!

    1.    Totó de “O Mágico de Oz” (1939)

Com certeza Totó é o cãozinho mais famoso da história do Cinema. Fiel companheiro de Dorothy, Totó, da raça Cairn Terrier, parte com sua dona para desvendar os mistérios do mundo de Oz, após serem levados do Kansas por um violento tornado.


Totó e Dorothy (1939)


   2.   Scraps de “Vida de cachorro” (1918)

Até Chaplin se rendeu aos encantos caninos nos seus filmes. Na película “Vida de cachorro”, o cômico contracena com Scraps, um vira lata que praticamente é a estrela de todo o filme. O cachorro, após ser atacado por outros cães, acaba sendo resgatado por Carlitos, e com ele passa então por uma série de aventuras durante todo o filme, emocionando também pelas demonstrações de carinho.

Scraps e Chaplin (1918)


    3.   Lassie de “Lassie – a força do coração”(1943)

A cadelinha mais famosa da história do Cinema e da TV norte-americana, Lassie não só foi protagonista de filme como também de um dos mais famosos seriados americanos. Em 1943, a cadelinha da raça Collie contracenou com a jovem Elisabeth Taylor no filme “Lassie – a força do coração”, um sucesso de público e de crítica, que rapidamente a converteu em uma estrela da história do Cinema.

Lassie e a jovem Elisabeth Taylor (1943)


    4.   Rin Tin Tin em “Procura teu dono” (1924)

    Talvez eu tenha cometido um equivoco nesta lista, pois Rin Tin Tin mereceria muito bem o primeiro lugar neste TOP10, pois, de todos os cachorros listados, é o único a possuir uma estrela na calçada da fama em Hollywood, e como também a ter a carreira mais longa com inúmeros filmes. Certo é que entre 1920 e 1930, o pastor alemão participou – como protagonista – de mais de 20 filmes, sendo um “mito” até hoje do Cinema.

Rin Tin Tin: uma grande estrela dos anos 1920/1930


    5.   Beethoven em “Beethoven – o magnífico” (1992)

Um grande sucesso de público e de crítica. Beethoven é disparado o cachorro mais conhecido dos anos 1990. O  enorme e desastrado cachorro da raça São Bernardo lotou as salas de cinema, dando origem a uma quadrilogia de filmes a seu respeito. Grande sucesso!

Beethoven: o São Bernardo mais famoso dos anos 1990


    6.   Marley de “Marley e Eu” (2008)

Esse provocou muitas lágrimas no público. Marley, o pequeno labrador, se tornou sucesso de público em todo o mundo ao narrar a história do cachorrinho Marley no seio de sua família, desde os seus primeiros dias, até  o seu triste falecimento.

Marley: esse fez muitos chorarem...


    7.   O “cão” de “O Artista” (2011)

Eis outro cachorrinho de enorme sucesso recente no Cinema. Uggie, um pequeno cachorro da raça Jack Russel, fez enorme sucesso ao participar da película “O artista”, tendo recebido inclusive o “coleira de ouro” e um “palme dog” por sua atuação. Sucesso total!

Uggie, a estrela da película "O Artista".


    8.   Hachiko de “Hachiko – amigos para sempre” (2009)

Mais um cachorrinho das películas do tipo “faça chorar”, Hachiko emocionou o público ao contracenar uma bela, porém triste história de companheirismo com o personagem de Richard Gere. Se for assistir, prepare os lenços pois o Akita te fará chorar muito!

Hachiko: outro que marcou pelo "efeito lágrimas"...


    9.   Cujo de “Cujo” (1983)

Para não dizer que os cachorrinhos só produzem risadas e lágrimas, vale destacar a atuação do São Bernardo na película “Cujo”, marcante por se tratar de um filme de terror. Neste, Cujo protagoniza como símbolo de agressividade de um cachorro que se torna uma fera assassina após contrair raiva.

Cujo: a fera!!


     10. O “Cão branco” de “Cão Branco” (1982)

Mais um exemplar de atuação assombrosa de um cachorro. O cão branco da película de Samuel Fuller é um pastor alemão que após ser adestrado por racistas americanos, passa então a atacar pessoas negras. Grande filme que discute muito bem o racismo. Grande atuação do cachorro!

O cão branco: uma metáfora para o racismo

Menção Honrosa: Verdell de “Melhor é Impossível” (1997), Milo de “O Máscara” (1994), K-9 de “K-9: um policial bom pra cachorro” (1989), Hooch de “Uma dupla quase perfeita”(1989), Sam de “Eu sou a lenda” (2007), Benji de “Benji” (1988), etc etc...

Ass: Rafael Prata
Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe
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