domingo, 9 de fevereiro de 2014

Top [10] Filmes de Alfred Hithcock

Eis que você se depara então com um enorme desafio, cuja natureza aliás, você procurou fugir a vida toda: listar os melhores filmes de seu cineasta preferido. Como listar apenas dez filmes de alguém tão consagrado e com uma vasta carreira como Alfred Hithcock. Cada um de seus filmes, tanto os da “era inglesa” como os da “era americana”, são um capítulo a parte, uma aula de Cinema. Em mais de 50 anos como diretor, Hithcock produzia praticamente uma película por ano, logo, a minha ingrata e “ousada” missão é a de escolher apenas dez filmes, ou seja, apenas 1/5 de suas obras.
Listas, sempre procuro deixar claro isso, além de pessoais, são injustas e incompletas, pois sempre irá faltar aquele ou aqueles filmes que facilmente poderiam estar na referida listagem.. Mas enfim, vamos a tarefa:

1.    Um corpo que Cai (1958)


Em “Um corpo que Cai” somos levados a história do detetive John Ferguson, que por conta de um trauma antigo, tem um medo enorme de altura. Contratado por um cliente, ele passa então a investigar a rotina de uma bela mulher que, curiosamente, acaba quase sempre frequentando lugares altos, o que força  Ferguson a enfrentar seus maiores medos para solucionar o caso. Como sempre, o fim do filme é absurdamente hithcockiano. Sensacional!

2.    Janela Indiscreta (1954)


É possível fazer um grandíssimo filme apenas com um cenário? Sim, em “Janela Indiscreta”,  Hitchcock demonstra como, apresentando um dos maiores filmes de todos os tempos. Filmado em cenário único, um quarto de apartamento, somos levados a história do fotografo L.B.Jefries, que por causa de uma perna quebrada, é obrigado a passar seu tempo dentro de seu apartamento, tendo apenas como o lazer, o “voyeur” de observar a vida alheia pela janela. Mas é nesse “voyeur” que acaba se deparando com um suposto assassinato.. Enfim, é melhor assistir! Um aula de suspense!

3.    Psicose (1960)


Norman Bates. Eis um dos personagens mais importantes da história do Cinema. Eis Psicose, um grande marco na história do gênero suspense. Trilha sonora, obscuridade, enredo. Em “Psicose” somos levados a história de uma jovem que foge de seu trabalho, levando consigo dinheiro roubado de sua empresa, a qual acaba se hospedando em uma hotelaria bem afastada do grande centro... Assistam!

4.    Rebbeca (1940)


Fica difícil dizer qual dos filmes de Hithcock encontramos a maior reviravolta. Acredito que “Rebbeca” seja um dos principais, se não o principal. O filme é uma mescla de romance, drama, suspense... O Filme conta a história de uma jovem que se casa com um viuvo, e na enorme residência que mora, acaba tendo que lidar com a marcante presença figura da falecida esposa de seu marido...

5.    Os Pássaros (1963)


E se de repente a natureza, não mais que subitamente, se voltasse contra nós?! Eis o eixo central de "Os Pássaros", que narra uma onda, sem explicação, de ataques efetuados por pássaros. Sensacional. Aula de medo, suspense, terror.

6.    Disque M para Matar (1954)


Gênial. Um filme sobre o suposto “plano perfeito”. E quase assim foi. O filme conta a história de um homem que bola um plano para assassinar sua esposa, acaba não dando certo, mas ele improvisa uma nova situação para atingir seu fim.. Fica difícil descrever, melhor assistir!

7.    Festim Diabólico (1948)


Mais uma aula sobre como produzir um grandíssimo filme se utilizando de um único cenário. “Festim diabólico” conta a história de dois arrogantes estudantes de direito que premeditam um suposto crime perfeito, assassinando uma pessoa, e ocultando corpo dentro de seu próprio apartamento. Depois disso montam uma festa e convocam seu principal professor da Faculdade. Um show de tensão, suspense! Sensacional!

8.    A sombra de uma dúvida (1943)



O Filme  tem um dos vilões mais carismáticos da história do cinema: tio Charlie, um sujeito que sobrevive de seduzir e assassinar viúvas. Mas sua “profissão” é desconhecida de sua familia que mora em uma cidade distante de onde ele efetua seus crimes. E é para lá que ele corre, quando passa a ser procurado.. Enfim... Grande clássico!

9.    Interlúdio (1946)


Além de ser um excepcional filme, temos mais gosto em assistir “Interlúdio” por ter sido filmado no Rio de Janeiro. O Filme narra a história de uma mulher que vem ao Rio de Janeiro para investigar as operações de um grupo de nazistas, fugidos no pós – segunda guerra mundial... Muito bom mesmo!

10. Quando fala o coração (1945)


Mais do que um grandíssimo cineasta, Hithcock era um homem que sabia acompanhar as discussões de seu tempo. “Quando fala o coração” é a prova clara disso. O Filme é a marca das discussões da psicanalise da época, flertando diretamente com os escritos de Freud acerca dos sonhos. Muito bom mesmo, suspense do inicio até o fim.

Ass: Rafael Costa Prata
Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe

sábado, 8 de fevereiro de 2014

O Blog está de “cara nova”: agradecimento ao talentoso cartunista André Comanche!

Pessoal, como já deu pra perceber, o BLOG está de “cara nova”. Graças ao trabalho do meu amigo desde os tempos de colegial, André Comanche, que me entregou uma caricatura muito bem feita acerca do meu gosto pela relação Cinema – História. Dedico então essa postagem a André Comanche, talentoso cartunista e historiador sergipano, pelo belíssimo presente oferecido. Muito obrigado mesmo! 


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Nascido para matar (1987): uma crítica mordaz acerca dos horrores práticos e psicológicos da Guerra do Vietnã

Um dos temas mais centrais e pungentes da cinematografia norte – americana dos anos 1980 foi a Guerra do Vietnã. Ao contrário de muitos filmes “patrióticos”, personificados perfeitamente na trilogia “Rambo”, alguns outros filmes procuraram pensar a questão sob um viés mais social, psicológico. Nesse sentido, alguns diretores produziram filmes que, dentre muitas questões, discutiam a desumanização ocorrida durante essa peleja.
Talvez o caso mais clássico dessa perspectiva seja o filme “Nascido para Matar” produzido e dirigido pelo polêmico cineasta Stanley Kubrick em 1987. Passados pouco mais de dez anos do termino da guerra, Kubrick leva as telas, um relato de selvageria, de rompimento da sanidade mental.

O Filme de certa forma pode até ser dividido em duas partes: na primeira, somos levados ao mundo do treinamento militar na Academia dos Fuzileiros Navais. Nesta, com certeza a parte mais forte do filme, o foco se encontra nos embates envolvendo os personagens “Gomer Pyle” e o sargento Hartman, na medida em que, o segundo humilha ao primeiro sempre e sempre por aquele não conseguir cumprir boa parte dos requisitos e das propostas de treinamento. A transformação do personagem “Gomer Pyle” é o ponto central da proposta de Kubrick, pois sua intenção é justamente demonstrar como o ambiente de guerra é nócivo a mentalidade das pessoas. A guerra, e todas as suas instâncias, só produz sangue, traumas e loucura.
A segunda parte do filme, quando se recria o ambiente nato da guerra, também é bastante crítico, pois vai demonstrando mesmo como a guerra possibilita que as pessoas percam qualquer tipo de compaixão, se tornando verdadeiras máquinas de guerra em fúria.
Enfim, Kubrick, grandíssimo cineasta que já havia se destacado por outras películas polêmicas, como o clássico “Laranja Mecânica” (1971), consegue cumprir com perfeição a sua proposta: produzir um verdadeiro filme anti – belicista, que desnuda os caminhos da selvageria, da insanidade, que surgem como frutos de uma guerra em curso, neste caso, aquela ocorrida no Vietnã de 1955 a 1975.

Ass: Rafael Costa Prata
Graduado em História pela Universidade Federal de Sergipe

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

100 anos do “Vagabundo Carlitos” : o centenário de Charles Chaplin no Cinema

Quase passa despercebido, no entanto, alguns sites recordaram o ano especial que é 2014: neste, comemora-se os 100 anos da entrada de Charles Chaplin no mundo cinematográfico. Lá atrás, no distante mês de fevereiro de 1914, Chaplin participava de seu primeiro curta – metragem intitulado “Making a Living”, na qual interpreta um repórter vigarista que tenta se passar por aristocrata.
No entanto, seria seu próximo curta - metragem que daria inicio a imortalização daquele que é o personagem mais conhecido da história do Cinema: o vagabundo Carlitos. Em “Kid auto races in Venice”, Chaplin apresentava ao mundo seu alter – ego Carlitos, o vagabundo, um homem puro, de bom coração, que muitas vezes acaba se metendo em confusão por puro desleixo ou acaso do destino. Neste curta, o vagabundo Carlitos ganha destaque ao interromper seguidamente a filmagem de uma corrida de carros para crianças.
No mesmo mês de fevereiro de 2014, o vagabundo Carlitos ainda aparece em mais um curta intitulado “Mabel´s Strange Predicament”, na qual se apresenta como um vagabundo bêbado que causa enorme confusão em um Hotel, quando ali entra para efetuar uma ligação telefónica.
No ano de 2014, Charles Chaplin participara assim de 35 curtas – metragens produzidos pela Keystone Studios, na maioria deles interpretando sempre um personagem desastrado, causador de todo tipo de confusão. Dali em diante, Chaplin só reforçaria e enriqueceria mais ainda a figura de Carlitos, um dos símbolos maiores do Cinema.


O Sujeito de calças longas, casaco mirrado, bengala e de bigodinho, além do caminhar engraçado, é com certeza o personagem mais reverenciado da história do Cinema em todas as suas épocas. Carlitos foi uma forma que Chaplin encarou para abordar com delicadeza todos os seus traumas de infância, da pobreza ao alcoolismo, questões que havia encontrado no seio familiar desde sua infância.
 


Ass: Rafael Costa Prata

Graduado em História pela Universidade Federal de Sergipe

sábado, 1 de fevereiro de 2014

A Entrega do primeiro prêmio “Óscar” (1929) : a maior honraria cinematográfica foi realizada em apenas 15 minutos...

Quando se fala em premiação dentro do campo do Cinema, é quase impossível não associá-lo ao “Óscar”. Por mais que outras honrarias, como o “Globo de Ouro” e o “Urso de Ouro de Berlim”, também sejam bastante importantes, é o “Óscar” quem chama mais atenção, por seu glamour, e por sua tradição que perpassa o seio de Hollywood.
A primeira entrega dos prêmios “Óscar”, curiosamente, aconteceu naquele que é um dos anos mais difíceis da história da civilização norte – americana: 1929. Naquele ano, os Estados Unidos entrara num momento de grave crise, quando houve a quebra da bolsa de valores, quadro que levou a uma situação de pobreza, índices de suicídio, e etc.
Mas foi nesse famigerado ano que o “Óscar” saiu do papel, nas mãos da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que havia sido fundada em 1927, dois anos antes. Logo, a premiação, cujo título oficial é “Prêmio de Mérito da Academia”,  foi pensada para reconhecer os principais talentos do ano, seja no quesito diretor, edição, produção, filme, etc, tendo sido a estatueta projetada pelo diretor de arte da MGM Cedric Gibbons e pelo escultor George Stanley.

Por conseguinte, a primeira entrega se realizou no dia 16 de maio de 1929 em um jantar fechado realizado no Bloossom Room, Hollywood Roosevelt Hotel, na Califórnia, tendo, como visto, um caráter mais reservado. Curiosamente, o evento foi curtíssimo, tendo ocorrido em apenas 15 minutos, e sido assistido por pouco mais de 250 pessoas. Não teve discursos, homenagens, grandes telões. Foi apenas uma confraternização entre as pessoas do campo cinematográfico, algo bastante distante do grandioso evento dos dias de hoje. O evento foi rapidamente apresentado pelo maior astro da época, o ator Douglas Fairbanks.
Ao contrário dos dias de hoje, quando os resultados selados em envelopes garantem o suspense do prêmio, a época já se sabia meses antes os vencedores, pois se divulgava prontamente, após o júri, que era constituído por apenas cinco pessoas, elegerem os vencedores.

Nesse ano foram escolhidos: para melhor filme (produção): “Wings”,  melhor filme (produção artística e singular): “Sunrise”, melhor diretor de drama: Frank Borzage por “Seventh Heaven”, melhor diretor de comédia: Lewis Milestone por “Two arabian Nights”, melhor ator: Emmil Jannings por “The Way of all flesh”, melhor atriz: Janet Gaynor por “Sunrise”, entre outros tantos escolhidos.
A primeira premiação a ser televisionada só aconteceria em 1953, quando foi transmitida apenas dentro do próprio Estados Unidos.
Daí em diante o prêmio cresceu, ganhando o status dos dias de hoje. Dos 15 minutos, e do caráter reservado de um jantar, transformou-se em um grande evento anual forrado por tapetes vermelhos, celebridades e discursos.

Ass: Rafael Costa Prata

Graduado em História pela Universidade Federal de Sergipe

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Meu Top [10]: Filmes do diretor Martin Scorsese

Antes de tudo é preciso deixar claro: listas são pessoais, portanto, subjetivas. Ainda assim, tem tarefa mais complicada do que criar uma lista?! Alguns filmes são listados, outros acabam ficando de fora. Martin Scorsese dirigiu mais de 20 filmes, fora os documentários. Escolhi dez para constituir os meus preferidos de acordo com critérios inteiramente pessoais.

1.   Taxi Driver (1976)


Meu preferido. Estaria no meu TOP[10] não somente das obras de Scorsese, mas certamente dentre todas da história do Cinema. Um clássico. Obra que “apresentou” e consagrou Scorsese dentro do meio do Cinema, “Taxi Driver” conta a história de Travis Bickle (interpretado magistralmente pelo ainda jovem Robert de Niro), um ex – soldado do Vietnam, que tenta se alocar na sociedade americana após o conflito, trabalhando como um taxista nas noites de Nova York. Bickle, acaba então entrando em contato com tudo que não faz parte do “glamour” da cidade, lidando então com a prostituição, a marginalidade e etc. A Narração em “Primeira Pessoa” de Bickle é assustadora do ínicio ao fim, demonstrando o grau de psicopatia do personagem... Enfim, é um grandíssimo filme.

2.   Os Bons companheiros (1990)


Assim como Francis Ford Coppola (com sua trilogia “O Poderoso Chefão), Scorsese possuí um talento incomparavel para produzir filmes sobre o cenario gangster norte – americano, em destaque, a atuação dos italos – americanos no processo. Em “Os Goodfellas”, Scorsese nos conta a história de um garoto irlandês chamado Henry Hill, interpretado por Ray Liotta, que desde pequeno sonha em fazer parte da mafia italo – americana. O Filme então demonstra o caminho da ascensão do garoto nessa “empresa” e a trilha de sangue que se sucede. Muito bom mesmo!

3.   Touro Indomável (1980)


O Maior filme sobre Boxe de todos os tempos. Não somente pela reconstituição das lutas, mas sim pelo fator psicológico que o filme discute. Nessa película, somos levados a história do explosivo boxeador Jake la Motta, interpretado por Robert de Niro, que acaba destroçando sua vida e o auge de sua carreira justamente por conta desse temperamente explosivo. É uma biografia real, pois La Motta realmente existiu.

4.   Caminhos perigosos (1973)


O Filme que apresentou o maior parceiro cinematográfico – já deu pra perceber – de Scorsese: Robert de Niro. Outro grande clássico sobre a máfia italo – americana. O Filme conta a história de Charlie, interpretado por Harvey Keitel, um mafioso que vive da cobrança dos “tributos” das regiões de seu controle, que juntamente com Johnny Boy, interpretado por De Niro, acaba entrando em uma rede sem volta, no momento em que passa a dever aos seus credores. Não é dos filmes mais “ricos” de Scorsese, mas é importante pois apresentou o “cartão de visitas” do diretor.

5.   A Invenção de Hugo Cabret (2012)


Uma viagem. Um sonho para quem é fã de Cinema Clássico. Um filme sobre as origens do Cinema. Metalinguistico do inicio ao filme. Assim é “Hugo”. O filme que conta a história de um jovem orfão que acaba entrando em contato com o gênial Georges Méliès, um dos pioneiros do Cinema, faz citações do inicio ao filme. Passa por Chaplin, Buster Keaton, Harold Lloyd, e obviamente o próprio Méliés. Muito bom mesmo. Lúdico do inicio ao fim.

6.   Gangues de Nova York (2002)


Um verdadeiro épico sobre a principal cidade norte – americana: Nova York. A cidade do luxo, das compras, nasceu em meio ao conflito, o derramar de sangue. É essa a mensagem que “Gangues de Nova York” nos passa de imediato. O Filme conta a história dos conflitos existentes entre os colonos americanos e os imigrantes irlandeses no decorrer do século XIX.

7.   O Lobo de Wall Street (2014)


Ostentação. Luxo. Drogas, bebidas e prostitutas. Isso tudo dentro do cenário dos corretores norte – americanos. Filme sensacional de Scorsese, na qual ele conta a história real do jovem corretor Jordan Belfort, que subiu na vida, graças ao seu talento na retórica, e mais principalmente as suas trapaças dentro do ramo da bolsa de valores.

8.   Os Infiltrados (2006)


Mais um filme sobre a máfia, só que dessa vez é a máfia irlandesa de Boston. Filme interessantíssimo de Scorsese na qual ele cria todo um clime de suspense, de traições, de surpresa, enfim, de “infiltrações” entre políciais e mafiosos como já indica o próprio titulo do filme.

9.   Cabo do Medo (1991)


Filmaço. Suspense do início ao fim. Mais uma parceria de Scorsese com De Niro. O Filme conta a história de Max Cady, um extuprador, interpretado por De Niro, que ao sair da cadeia passa a perseguir a familia de seu advogado de defesa por considerar que aquele não o defendeu como devia.

10.               A Ultima tentação de Cristo (1988)



Com certeza o filme mais polêmico de toda a carreira de Scorsese. Foi repudiado em todo mundo pela Cristandade, e contra indicado pelo Vaticano como o filme mais herege da história. Baseado no livro do grego Nikos Kazantzakis, Scorsese “reconstroi” a vida de Jesus Cristo, pensando-o mais como um sujeito humano do que puramente divino, atentando para as suas fraquezas carnais e escolhas.. Enfim, muito polêmico mesmo.

Ass: Rafael Costa Prata
Graduado em História pela Universidade Federal de Sergipe

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Cinema de Rua: Uma nostalgia por uma época que não vivi...

          Não nasci na época. Infelizmente. Mas imagino que deva ter sido um período muito legal. As únicas impressões que tive vieram justamente do imaginário criado pelos filmes. Filmes americanos. Cenas onde pessoas caminham nas ruas em direção a eles: os cinemas de rua. 
         Acredito que deviam ser poucas salas. Salas não tão grandes. Na faixada do cinema, os cartazes dos grandes filmes exibidos no momento com alguma grande luz para iluminá-los. “Casablanca” talvez. Quem sabe “E o vento levou”. Outros tempos.
         O Cinema deixou de ser de rua. Passou a ser de “shooping”. Não está mais na avenida, ou na pequena rua. Agora se encontra em uma “viela” dos shoopings. Grandes centros comerciais. Grandes empresas. Não dá pra ir ao Cinema, sem ter que entrar no shooping. Talvez aquele casal só quisesse ir ao Cinema, sem necessariamente se bater com a infindavel quantidade de lojas e o barulho dos shoopings.
        
http://aracajuantigga.blogspot.com.br/
Mas não dá. Os tempos mudam, a realidade é outra é claro. Tem que se conformar. Nostalgia chata? Quem sabe... Pode até ser. Mas deve ter sido uma época legal.. Aqui em Aracaju tivemos o Cinema Rio Branco, fundado em 1905, localizado na antiga Rua João Pessoa, onde foram exibidos grandes clássicos do cinema mudo, inclusive, com acompanhamento musical, e filmes falados também. Não foi  o único... Também tivemos o Cine Palace, o Cine Aracaju, o Cine Universal dentre outros..
         Deve ter sido realmente uma época boa.. Tenho a nostalgia por algo que não vi e vivi!

           Ass: Rafael Costa Prata
           Graduado em História pela Universidade Federal de Sergipe

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

“Clube de Compras Dallas” (2013): um grande filme sobre o “boom” da AIDS nos anos 1980, o preconceito e a ganância das empresas farmacêuticas

Imaginem um cowboy texano de natureza homofóbica, vivendo e compartilhando suas ideias no decorrer dos anos 1980, mais precisamente quando a ainda obscura doença da AIDS se proliferava, causando medo em todo o mundo.
Ron Woodrof, personagem principal da película “Clube de Compras Dallas", dirigido por Jean – Marc Vallé, realmente existiu. Foi, além de um cowboy texano, um eletricista que, durante sua vida, vivera intensamente entre farras com mulheres, golpes em apostas de rodeios e uma vida repleta de drogas.
Paradigma do preconceito de uma época, Ron nascera em 1950, tendo falecido em 1992, aos 42 anos de idade, seis anos após a descoberta da AIDS em sua vida. Assim como ele, muitos outros de sua época, os anos 1980, acreditavam e proliferavam a ideia de que a AIDS seria uma “peste gay”, uma doença originaria no seio das pessoas homoafetivas.
Mais do que “somente acreditar nessa ideia”, que por sí só era altamente preconceituosa, o desconhecimento das origens da doença, e principalmente do modo como ela se propagava, fazia com essas pessoas muitas vezes partissem para em muitos casos, além da segregação, uma violência física.
O Filme já começa nesse sentido: Ron Woodrof destilando seu preconceito contra o grande ator Rock Hudson, ao ler em uma pagina de jornal, que aquele se encontrava em uma cama de hospital, em seus últimos dias, frente a força da doença. Durante os primeiros trinta minutos do filme não tem como não odiar Woodrof: ele é o espelho do preconceito, o paradigma do que foi citado acima.
Aliás, é justamente o seu preconceito, aliado com o desconhecimento, que faz com que o próprio Woodrof não acredite que esteja portando o vírus, ao receber a notícia de um médico. Muito pelo contrário, a sua reação mais imediata é se revoltar contra o médico, por achar que está sendo ofendido, por considerar que o médico esteja chamando-o de gay.
Mas é justamente daí em diante que a situação muda. O Filme muda completamente. Ao que parece, a descoberta da doença por Woodrof, o leva gradativamente a uma descoberta de uma humanidade que parecia estar bastante escondida nele mesmo.
Ron Woodrof se “transforma”. Ao descobrir a doença, e com isso o medo da morte, passa a procurar meios de estender mais ainda o seu tempo de vida – o médico havia lhe dito que teria somente um mês de vida , o que o fará se chocar com o ministério que controla a saúde nos Estados Unidos.

Eis um outro ponto central nessa película: o diretor Jean – Marc Vallé, através da figura real de Woodrof, faz uma forte e necessária crítica sobre os interesses que se escondem por detrás de uma suposta validade dos tratamentos frente a doença. Em outras palavras, Vallé critica os interesses financeiros, o mercado existente sobre a vida alheia; é nesse sentido que Ron, o que de fato aconteceu, descobre que a droga “AZT”, o principal medicamente “oferecido” pela rede de saúde do país, é mais indicado nos hospitais por conta de um cartel existente entre o governo e a respectiva empresa farmaceutica produtora, do que propriamente por oferecer uma melhora significativa na vida das pessoas. Muito pelo contrário, a “AZT” destruia tanto as celulas infectadas, como também as celulas em plena saude.
O interessante nisso tudo é que o filme mostra como se dá a transformação mental na vida de Ron de forma justa, sem atropelos e romantismos exagerados. Ao descobrir a doença ele continua homofóbico. Depois, ao descobrir que pode contrabandear remédios estrangeiros que possuem um efeito significativo sobre a doença, tem a ideia de lucrar com isso, criando então o seu chamado “Clube de Compras Dallas”. Mas, é na última etapa do filme, que se dá sua transformação completa: percebemos que Ron Woodroff já sustenta o seu “clube” como uma atividade filantrópica. Ron agora é um ativista que convive com os portadores, que luta na justiça, que sofre processo, mas não desiste. É um “traficante de remedios” por necessidade e ativismo.

Enfim, “Clube de Compras Dallas” é um filme que, por detrás da triste temática, traz varias reflexões necessárias. Vale muito destacar, além da direção de Jean – Marc Vallé, as sensacionais atuações de Matthew MacConaughey – que interpreta Ron Woodrof –  e Jared Leto – que interpreta Rayon, pois ambos, além das atuações magistrais, levaram na pele mesmo a “interpretação da doença” a época, tendo emagrecidos cada um, mais de vinte quilos para interpretá-los. Ambos foram indicados ao Oscar, o primeiro para o prêmio de “Melhor ator principal”, e o segundo para “Melhor ator coadjuvante”.
“Clube de compras Dallas” cumpre assim seu principal objetivo: levar as telas a biografia de um sujeito, Ron Woodrof, que sofreu uma enorme transformação em sua vida, não apenas no aspecto físico, mas sobretudo mental. De sujeito deveras homófobico, transformou-se num dos ativistas mais presenciais e significativos de sua época. Parece muito “coisa de filme”, mas no caso de Ron, foi real.

Ass: Rafael Costa Prata
Graduado em História na Universidade Federal de Sergipe

sábado, 25 de janeiro de 2014

A Mansão do Diabo (1896): o primeiro filme de terror da história do Cinema

Georges Méliès foi com certeza um dos grandes gênios da história do Cinema. Ilusionista de “profissão”, Méliès levou então para a recém criada arte de sua época, uma série de artifícios que fizeram-no ser conhecido a posteriore como “o pai dos efeitos especiais”.
Tendo dirigido, produzido e atuado em pouco mais de 500 curtas, Méliés possui o merito de ter produzido aquele que pode ser considerado o primeiro filme – ainda que tenha pouco mais de três minutos – de terror do Cinema: a Mansão do Diabo.

Assim, a película “A Mansão do Diabo”, dirigida por Méliès em 1896, em seus 3 minutos de duração nos leva a história de um cavaleiro que, ao entrar na mansão do diabo, acaba sendo atormentado por uma serie de ilusões, pesadelos e tormentos produzidos pelo patrono da casa.
Assim como em suas demais produções, é o próprio Méliés quem interpreta a personagem principal, nesse caso, a figura de Memphistopheles, ou o diabo. Nesse curta paradigmático, Méliés mais uma vez demonstra a sua arte do “cortar e colar”, que consistia no recorte de uma cena que será transposta sobre outra afim de configurar uma nova cena. Desse modo, por exemplo, é que se constroi a ilusão do morcego transformando-se no diabo subitamente no decorrer de todo o curta.
Deste modo, o pequeno curta produzido por Méliés abriu as portas para um campo que ganharia mais força ainda no decorrer da década de 1920, quando o cinema expressionista alicerçou o estilo, através de clássicos filmes como “O Gabinete do Dr.Caligari” (1920), Nosferatu (1921), dentre tantos outros.




Ass: Rafael Costa Prata
Graduado em História pela Universidade Federal de Sergipe
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