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quinta-feira, 1 de maio de 2014

[Músicas Históricas] Compreendendo a letra de “Biko” (1980) do cantor inglês Peter Gabriel

A História do movimento anti-apartheid na África do Sul não se resume apenas a figura magnifica de Nelson Mandela. Assim como Mandela, outros tantos homens lutaram para romper com o regime racista e segregacionista que vigorava na África do Sul desde o ano de 1948.

Com certeza, uma dessas figuras mais importantes foi o ativista Steve Bantu Biko, que durante os anos 1970, no auge do apartheid, se tornou uma das mais importantes vozes negras contra este sistema deplorável do apartheid.
Por suas palavras e por sua força, Biko foi morto. Em Setembro de 1977 foi preso pela polícia sul-africana e espancado até a morte por quase uma semana em uma penitenciaria. Biko morreu, mas sua mensagem foi transmitida.
Assim, três anos após a sua morte, o cantor inglês Peter Gabriel, ex-líder da grande banda Genesis e com certeza um dos artistas mais ativos e politizados da história da música, compôs a música “Biko” em sua homenagem, de modo a lembrar a sua vida, sua morte e os horrores do vigente apartheid. 
A Música é curta, mas é de uma beleza imbatível. Na primeira estrofe da música, Peter Gabriel canta:

Setembro de 1977
Clima agradável no Porto Elisabeth
A rotina era a mesma
Na sala policial 619

De imediato percebemos que a primeira estrofe se refere diretamente a prisão de Steve Biko naquele dito mês de Setembro de 1977, em Porto Elizabeth, na África do Sul. Gabriel deixa claro também que a prisão do ativista e de outros tantos era de natureza normal naquela conjuntura de opressão, assim “a rotina era a mesma”.
Nos dois estrofes seguintes, Gabriel continua:

Oh, Biko, Biko, Por que Biko?
Oh, Biko, Biko, Por que Biko?
Yihla Moja, Yihla Moja – O homem está morto.

Quando tento dormir à noite
Meus sonhos são vermelhos
Lá fora o mundo é negro e branco
Com apenas uma cor morta.

Nestes versos, além das lamentações pela Morte de Biko, Gabriel demonstra, por meio de  metáforas entre as cores negra e branca, a violência a que sofriam as pessoas negras na África do Sul. Nos sonhos deles, o sangue aparece, e nesse mundo segregado, se torna aparente que esse sangue jorrado são da pessoas negras, massacradas pelo regime do apartheid. É a cor negra quem morre diante dessa violência.
Na penúltima estrofe da música, Peter Gabriel informa quase como um manifesto:
Tu podes assoprar uma chama
Mas não podes fazê-lo com uma fogueira
Uma vez que as fagulhas incendeiam algo
O vento as tornará maiores
Oh, Biko, Biko, Porque Biko?

Ou seja, a mensagem é: vocês podem ter matado Biko (a chama), mas a fogueira (suas mensagens) vocês não conseguirão apagar. Muito pelo contrário, de certo, a morte de Biko ajudou a potencializar as suas mensagens e a luta contra o apartheid, na medida em que cada vez mais os olhares externos se voltaram a realidade sul-africana.
E por fim, no derradeiro estrofe da canção, Gabriel reforça esta questão:

Yihla Moja, Yihla Moja – O homem está morto.
E os olhos do mundo agora estão vigilantes.


Biko está morto, porém os olhos do mundo agora estão voltados a África do Sul.  Além da música de Gabriel, outras tantas homenagens foram feitas a Biko, como a película “Cry Freedom” dirigida por Richard Aftenborough no ano de 1987, a qual retrata a história de vida e de luta deste grande ativista político.
De certo, esta grande canção de protesto de Peter Gabriel ajudou a tornar sempre viva a memória e a mensagem deste que foi um dos grandes ativistas sul-africanos na luta contra o famigerado regime do apartheid. Biko is alive!

Ps: Segue o video da canção com a tradução:


Ass: Rafael Costa Prata
Mestrando em História na Universidade Federal de Sergipe


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Nelson “Mandiba” Mandela (1918 – 2013): uma grande vida reproduz belos filmes biográficos

O Dia 5 de dezembro de 2013 ficou marcado como momento de “despedida” daquele que certamente foi um dos maiores homens da história da humanidade: Nelson Mandela.  Simbolo de perseverança, luta, de pacifismo e da crença na igualdade entre todos, Mandela faleceu aos 95 anos, tendo deixado assim para todos nós, um legado incomensuravel.
Figura maior na intensa luta contra o famigerado Apartheid – uma politica de estado de teor segregacionista vigente na Africa do Sul de 1948 a 1994 -, Mandela foi uma das personalidades históricas mais retratadas no Cinema, desde a produção de seriados a filmes.
Um homem que permaneceu preso por 27 anos (1964 – 1990) por conta de seus ideais pacifistas e igualitários, entre outras questões, certamente tem um poder de reprodução inestimável.

Infelizmente, Nelson Mandela não viveu a tempo de conferir aquela que talvez seja a sua biografia definitiva, “Mandela: Long walk to freedom”, película que seria lançada em poucos dias, a qual contará a história do pequeno “Mandiba” desde o seu nascimento em 1918, passando pela  sua luta contra o apartheid, chegando a presidência da África do Sul em 1994. O ator Idris Elba teve a difícil tarefa de representar a intensa vida de Mandela nessa biografia, que de certa maneira, não deixará de ser uma homenagem a esta grande personalidade.


Entretanto, outras grandes películas, e até seriados, já haviam sido produzidos anteriormente, em torno da vida da paradigmática vida de Nelson Mandela.
A primeira grande película em torno de Mandela foi produzida no remoto ano de 1987, quando o líder ainda se encontrava na prisão. Neste filme chamado “Mandela”, coube ao ator americano Danny Glover interpreta-lo, retratando desde a sua juventude como advogado até a sua inserção na luta contra o apartheid.
Em 1997, três anos após Mandela ser libertado, outra película foi produzida.  “Mandela e De Clerk” narra a história de amizade entre o ultimo presidente branco sulafricano, Frederik De Clerk, interpretado por Michel Caine, e Nelson Mandela, interpretado neste filme pelo genial Sidney Poitier.
Dez anos depois, uma nova cinebiografia foi produzida. “Goodbye Bafana” (2007) retrata os anos de aprisionamento de Mandela, em Robben Island, centrando-se em sua relação com um carcereiro branco racista.  Nesta película, Mandela é interpretado pelo ator Dennis Haysbert, e o cacereiro que tem sua vida transformada no contato com Mandela, pelo ator Joseph Fiennes.
 Em 2009, a película “Endgame” é produzida no sentido de retratar os últimos dias do regime do Apartheid, e todas as negociações políticas travadas para que isso se tornasse possível, centrando-se na figura de Mandela, interpretado pelo ator Clarke Peters, como o agente do processo.

No mesmo ano de 2009, é produzida aquela que até o presente momento, é a película de maior sucesso em torno da figura de Mandela: “Invictus”. O Filme conta os meandros da libertação de Mandela e posteriormente sua participação na Copa do Mundo de Rugby de 1995, realizado na Africa do Sul. Centrando-se na relação entre Mandela, interpretado magistralmente por Morgan Freeman, e o capitão da seleção de rugby sulafraficana François Piennar, a película demonstra como o evento foi importante na luta pela unidade da população sulafricana.
Por fim, no ano de 2012, Mandela foi levado as telas por meio de um outro vies: o de sua esposa, Winnie Mandela. Em “Winnie”, interpretada por Jennifer Widson, somos levados a história do casal e de todos os obstaculos sofridos pelo mesmo no decorrer de suas vidas. Nesta película, Mandela é interpretado por Terrence Howard.
Muitas outras películas serão produzidas em torno de sua figura. Documentários são incontaveis. Mandela foi um sujeito de uma riqueza espiritual, ideologica e política dificil de descrever. Todos estes filmes procuraram, cada um de sua maneira, retratar partes da vida, traços do homem, do sujeito político que fora Mandela.  Dificil tarefa quando se trata de alguém como Mandiba.

Ass: Rafael Costa Prata
Graduado em História pela Universidade Federal de Sergipe
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