quarta-feira, 29 de agosto de 2012

" The White Dog" (1982): Uma incisiva critica sobre o Preconceito Racial


         Engavetado.  Quando o “polêmico” Samuel Fuller terminou a produção desta película, a produtora que o financiara, a Paramount Pictures, lhe desferira esta questão, afirmando que o filme seria deveras pesado, o que justificaria a sua retirada de circulação.
         Mas o que apresentaria de tão incisivo, de tão amedrontador tal película?! Haveria algo de subversivo no seu enredo? Algum elemento que cause “constrangimento” em seu público expectador?
         Sim, como todo filme de Samuel Fuller, o fio condutor da película nos leva diretamente a refletir sobre os paradoxos, as mazelas da sociedade norte – americana. Questões que aquela sociedade tem muita pouca vontade em discutir.
         Neste caso, a temática em questão é o preconceito racial. E não há ninguém melhor que Fuller para empreender uma reflexão, por meio de uma metáfora, de algo tão complicado e ainda tão presente, seja qual for à época.

         Nesta película, somos levados à história de uma jovem atriz, que ao atropelar em uma noite qualquer a um cachorro branco, acaba-o levando para casa, assumindo-o como um cão de estimação. O Cachorro Branco, de natureza dócil, passa a se manifestar violentamente de frente a pessoas negras. Só que, a dona, não percebe esta “característica”, que é apenas notada por um adestrador de cães, de cor negra, que a informa que aquele não é apenas um “cão de ataque”, mas sim, um “cachorro branco”.
         Os “cães brancos” são cachorros da raça “pastor alemão” que em sua criação, são desde pequenos adestrados a manter um ódio ferrenho as pessoas da cor negra. O Condicionamento é feito, como o próprio filme demonstra, através de ordens de ataque a mendigos negros, e etc, algo que passa da infância do animal até a maturidade do animal.
       Este tipo de condicionamento foi bastante comum na África do Sul durante os tempos do Apartheid, quando as policias treinavam os cachorros e os soltavam durante as manifestações. Retornando mais no tempo, no cenário norte – americano, como o adestrador propriamente explica, isso também foi algo bastante comum durante o período escravocrata americano. Naquela época, os cachorros eram treinados para “atacar escravos fugidos”.  Passada essa situação, os cachorros passam a atacar os “presos negros que procuram fugir”, e numa ultima escala, passam a ser treinados para atacar “qualquer pessoa negra”.
         Antes que qualquer tipo de ojeriza ao animal seja criado, há de se mencionar que os cachorros não possuem culpa alguma diante do ocorrido, e isso o filme deixa muito bem claro. Como o próprio adestrador faz questão de mencionar, os cachorros não são monstros, são irracionais, muito pelo contrário, sua reação é resultado de uma ação estupida de “racistas de quatro pernas” que através de uma criação a base de pancadas, faz com que os animais acabem assumindo tal conduta. Portanto, os cachorros são também vitimas do processo.



      Há de se ter o cuidado então de para não “racionalizar” as ações do animal. Os cachorros não pensam, apenas seguem a lógica de uma criação calcada em um ódio absurdo. Isso fica bem claro, quando o adestrador negro, após tempos de recondicionamento, consegue por exemplo, obter o carinho do animal.
      Enfim, ao final do filme, somos levados a refletir ainda sobre como o racismo tende a se perpetuar dentro do seio familiar norte – americano, algo que muitas vezes é pouco notado ou discutido. Por abrir a discussão esta questão, o filme causou todo esse rebolido, tendo sido tolhido então das salas de Cinema.
         Um filme que infelizmente apresenta uma discussão atemporal, haja vista que, o racismo parece não se extinguir, encontrando nas mais toscas formas de manifestação seu escape, desde o uso dos animais até outras formas.
         Fuller, ousado como sabia ser, soube se utilizar assim de um filme com temática animal – algo bem comum durante os anos 1980, quando muitos filmes sobre cachorros eram feitos – para empreender a uma reflexiva critica sobre uma histórica e arraigada realidade mundial, e não somente, norte – americana: o preconceito racial.

Ass: Rafael Costa Prata
Graduando em História pela Universidade Federal de Sergipe
        

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Mistério em Holywood: O “Suicídio” do Super - Homem


O Homem de Aço: Indestrutível e Invencível. Sua única fraqueza era a presença da Kryptonita que lhe retirava as forças, colocando-o em risco de vida. É curioso pensar que a vida de um artista que interpretara por quase dez anos a esta personagem, tenha sido concluída com um suicídio. 

Georges Reeves, um modesto ator de Cinema, durante os anos 1940, alçaria voos mais altos, justamente ao ser convidado para interpretar, a partir do ano de 1951, ao personagem em questão: O Super – Homem. A partir daquele ano, Georges Reeves, se tornaria famoso em todo o mundo, protagonizando o seriado de enorme sucesso, chamado “Adventures of Super Man”.
A Serie ficou no Ar por quase sete anos, tendo Reeves protagonizando cerca de 102 capítulos. Entretanto, foi cancelada no ano de 1958, quando a audiência já começava a entrar em declínio.
        Durante o auge da serie, Reeve se tornou celebridade instantânea, não somente entre os aficionados da serie, mas em especial, entre as mulheres, residindo ai, ao que parece, o principio daquilo que se tornaria o seu efeito kryptonita, sua morte.

         Acontece que, em Junho de 1959, pouco mais de um ano após o cancelamento da serie, George Reeves foi encontrado morto dentro de sua casa em Los Angeles, acometido de um tiro na cabeça. A opinião pública de imediato passou a divulgar a hipótese – que realmente, parecia a mais obvia a se conjecturar – de que o ator teria cometido o suicídio, por conta de uma depressão causada pelo cancelamento da serie, que lhe retirara então todo o glamour a que se acostumara. Aponta-se também que, pelo fato de sua imagem ter estado muito associada à figura do Super – Homem, Reeves não conseguia encontrar papeis significativos em outras empreitadas, o que o colocara em desespero.
Está hipótese é curiosa, pois, algo do tipo aconteceu com o ator Jim Caviezel, que ao interpretar Jesus Cristo na película de Mel Gibson, A Paixão de Cristo, do ano de 2004, passou a reclamar do esquecimento a que estava sendo acometido, em virtude justamente de sua imagem está muito ligada a aquele personagem em questão. Caviezel praticamente fez um apelo na Mídia para que lhe fosse dada mais oportunidades novamente. O Esquecimento aconteceu não por uma má atuação – muito pelo contrário – mas justamente porque a boa atuação acaba ligando muito o ator a personagem, de forma que é de costume no Cinema, que os produtores releguem alguns atores um certo tempo, até que tal efeito suma.
Enfim, por estes motivos, o suicídio foi apontado como a causa da morte de Reeve, o que foi reforçado graças ao fato de que o ator já tinha tentado outras vezes o mesmo ato, e tinha um forte histórico de família.

Entretanto, quem estava próximo ao ator, custava a acreditar nessa hipótese, e como tal, costumava apontar uma outra hipótese, mais obscura em torno de sua morte: Reeve teria sido assassinado, a mando de um grande executivo da MGM. E.J. Manix, ao descobrir que Reeve teria um caso com sua esposa, Toni Manix, teria ordenado o assassinato do ator, com um modus operandi que orientasse justamente ao pensamento do suicídio.
Em 2006, foi rodado o filme “Hollywoodland”, onde o ator Ben Affleck, interpreta justamente Georges Reeves, nesta película que procura discutir os acontecimentos e os meandros da morte do ator.
Até hoje, sua morte encontra controvérsias...

Ps: Segue abaixo um pequeno video da abertura do seriado.


Ass: Rafael Costa Prata
Graduando em História pela Universidade Federal de Sergipe

sábado, 18 de agosto de 2012

Escândalo no Mundo da Comédia: O Caso Roscoe “Fatty” Arbuckle


Pouca gente conhece hoje em dia a este gordinho sorridente da fotografia, que retirava justamente do sorriso, o seu sustento. Mas houve uma época em que Roscoe “Fatty” Arbuckle fora um dos mais populares atores (comediante) do Cinema Mudo. Fatty – apelido que não gostava de carregar fora das telas – geralmente interpretava um tipo de personagem que mesclava a astucia e o jeito desengonçado como traços fundamentais. Aqui no Brasil, o personagem ficou conhecido como “Chico Boia”.
Durante a década de 1910, as películas de Fatty Arbuckle faziam enorme sucesso nos Estados Unidos, a ponto daquele se tornar a maior estrela do momento, recebendo um cache inimaginável a época, que beirava os 1000 dólares por dia, pagos pela Paramount. Sua comédia pastelão, marcada pelas tortas na cara, pelas quedas e pela correria, também se tornaram marcantes por apresentar ao Mundo do Cinema, aquele que é talvez o maior comediante da História: Buster Keaton.

Foi com Fatty Arbuckle (centro da imagem), que Buster Keaton (esquerda) teve a primeira oportunidade no Cinema, após ter saído do circo de variedades. Na película “O Garoto Açougueiro” de 1917, Keaton estreou com Fatty Arbuckle, lançando as bases de uma amizade que se fortaleceria bastante, resistindo aos momentos mais difíceis e controversos da vida de Fatty Arbuckle. Aliás, Fatty Arbuckle não é responsável somente por apresentar Keaton a Comédia no Cinema, mas, ao que se conta, teria sido também responsável pela caracterização da personagem “Carlitos” de Charles Chaplin, quando aquele, ao ingressar nos estúdios Keystone em 1914, teria se inspirado na vestimenta clássica de Arbuckle.
Entretanto, a belíssima carreira artística de Arbuckle, seria indelevelmente manchada por aquele que talvez seja o maior escândalo da história do Cinema. No auge do sucesso, ganhando dividendos absurdos para a época, Arbuckle se viu diante de um ocorrido que ainda que não o tenha levado a prisão, o levou ao esquecimento, e por fim, a morte. 
Em 1921, aproveitando uma folga, Arbuckle segue com mais dois amigos até São Francisco, onde resolve empreender a uma pequena festinha fechada - segundo alguns, uma verdadeira orgia - em um Hotel.  Para tal, convidaram uma enormidade de mulheres, boa parte delas, jovens atrizes que procuravam ingressar no mundo do Cinema. Uma delas, a jovem e promissora Virginia Rappe de 30 anos, que entrara na "Mark Sennett Comedies Corporattion", onde inclusive conhecera e atuara com Arbucke, teria lhe atraído, de modo que resolveram seguir até um dos quartos do Hotel, a fim de se conhecerem melhor. 


Enfim,  o que ocorreu dentro daquele famigerado quarto, não se sabe distinguir o que são verdades ou hipóteses. O Fato em sua face mais crua apresenta uma Virginia Rappe saindo daquele quarto, em um estado de mal estar, tendo sido socorrida por um medico no próprio hotel.  A Atriz morreria três dias depois ao ocorrido, em conta de uma inflamação no peritônio – uma membrana que reveste a região do abdômen – que teria sido causada pela ruptura de algum órgão. 
Como se deu o fato?! Ate hoje não se sabe... O que se evidência é uma serie de versões apresentadas durante os julgamentos de Fatty Arbuckle...
Alguns chegaram a afirmar que o comediante teria introduzido violentamente uma garrafa de champanhe na vagina da jovem atriz, por conta de uma revolta iniciada ao não ter conseguido produzir uma ereção durante a relação sexual. Apontavam que Arbuckle era dado a praticar essas orgias, e constantemente se revoltava por um fraco desempenho sexual.

Por conseguinte, os Estados Unidos se viu envolto a uma serie de julgamentos centrados na figura de Fatty Arbuckle. Seus filmes passaram a ser proibidos de serem exibidos, a imprensa sensacionalista tratava de produzir por sua conta a realidade dos fatos, e ao fim, depois de tumultuados julgamentos, o júri decretou que Arbuckle era inocente de todas as acusações feitas sobre ele. Os julgamentos haviam sido marcados por uma serie de testemunhos falsos efetuados por supostas testemunhas do acontecido, por tentativas de extorsão sobre Arbuckle por pessoas mal intencionadas, e por uma tentativa frustrada do Magnata da Comunicação William Randolph Hearst - aquele que posteriormente inspiraria Orson Welles a produzir a pelicula "Cidadão Kane" em 1941 - de enterrar a carreira de Arbuckle, atraves de noticias plantadas em seus canais e meios midiaticos de teor sensacionalista. 
 Ao fim de tudo isso, Arbuckle estava livre, porém sua carreira estava no fim. Arbuckle só contava agora com o apoio de seus amigos, principalmente de Buster Keaton, que sempre acreditaria em sua inocência, que o convidava assiduamente a voltar a atuar. Arbuckle, cada vez mais renegado pela Indústria da Comédia, acabou se entregando de vez ao alcoolismo, tendo falecido aos 46 anos de idade, em 1933, após um ataque fulminante do coração.
Fato é que até hoje não sabemos a verdade. Virginia Rappe faleceu sem se pronunciar e Arbuckle se defenderia até o resto de sua vida das acusações. Com efeito, a unica certeza, é que o saldo ao fim desta emblematica história, é o choro, o pranto. Duas mortes prematuras. 
Como alguns costumam dizer: esta serie de acontecimentos, marcou a época em que Hollywood parou de sorrir. Foi-se o riso e ficou a dúvida.
Ass: Rafael Costa Prata
Graduando em História pela Universidade Federal de Sergipe

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Planeta dos Macacos: A Origem (2011): Uma incisiva crítica ao Capitalismo e a barbárie humana sobre os animais


Confesso que nutro certo preconceito frente aos chamados “remakes” de clássicos do Cinema. Muito deste preconceito, se é que pode ser justificado, se dá por conta de muitas refilmagens que pouco acrescentavam – tecnicamente e mais ainda no aprofundamento da temática - frente ao que já havia sido produzido anteriormente, aproveitando-se apenas do sucesso da franquia em questão, para obter mais dividendos.

Entretanto, obviamente que muitos são os casos de exceção. Neste sentido, surpreendeu-me bastante a produção da película “Planeta dos Macacos: A Origem” (2011), pois, se tratando de um remake de uma franquia de enorme sucesso dos anos 1960 e 1970 (quando se produziu cinco filmes sobre a questão, e uma serie televisiva de enorme sucesso), surge àquela dúvida: Qual inovação temática pode ser oferecida por esta película?! Há algo mais a acrescentar? Estaremos diante de mais um “reboot” mercadológico desnecessário?
Grandíssima surpresa foi então a minha percepção sobre o conteúdo apresentado por este remake dirigido por um até então desconhecido diretor de nome Rupert Wyatt. A Película apresenta nos 100 minutos de sua exibição, um fortíssimo conteúdo de caráter contestatório, calcado em um posicionamento politico de base ambientalista. Isto porque, as principais criticas empreendidas pelo filme, são feitas sobre o Capitalismo e suas vilanias, e noutro ponto, numa raiz central, as barbáries cometidas pelos seres humanos frente aos animais. E são críticas bem incisivas e muito bem fundamentadas.
Levemente inspirado no clássico literário homônimo, de autoria do escritor francês Pierre Boulle, a película inova ao reciclar esta história já bem ambientada no Cinema, trazendo novos caracteres atualíssimos ao filme, em especial, como dito, questões que se referem ao tratamento dos animais, e em um âmago mais profundo, a falta de percepção humana sobre os seus próprios métodos, sua ligação com tudo àquilo que compõe seu ecossistema.

O Filme conta a história de um cientista, interpretado por James Franco, que procura desenvolver uma cura para o Mal de Alzheimer, motivado pela degeneração a que passa seu próprio pai.  Portanto, na empresa em que trabalha, os testes genéticos são feitos sobre chipanzés. Após uma serie de testes em uma símia de nome “Olhos Brilhantes”, a empresa considera que a droga pode ser um risco aos humanos, procedendo então a uma matança indiscriminada dos chipanzés que estão ali para testarem os produtos. Apenas sobrevive, um pequeno símio, filho desta macaca de nome “Olhos Brilhantes” ,que é resgatado pelo cientista, e criado em sua casa até os oito anos de idade.
Com uma inteligência absurda, logo se vê que os experimentos feitos sobre sua mãe surtem efeito hereditariamente neste. Cesar cresce nutrindo um forte amor pelo seu dono, a quem considera um pai, sendo criado como uma criança. Enfim, o filme se segue, e daí em diante, encontramos a reviravolta do filme que nos direciona a todas as questões polemizadas pelo mesmo.
Ao demonstrar o doce e carinhoso Cesar transformado em um desiludido macaco por conta das atrocidades que percebe contra seus iguais no decorrer de sua breve vida, o filme nos leva a pensar até que ponto somos nós os vilões desta história. Na verdade, é este o ponto que guia toda a trajetória do filme: a certeza que somos nós os culpados por tudo.
Torna-se praticamente impossível não “torcer” pelos macacos em seus objetivos, na medida em que, o filme apresenta todas as justificativas para tal – a descrição dos abusos sofridos, os descasos nos testes com os animais, etc. - , criando uma triste e acachapante situação de desconforto em nós – o público -, pois teoricamente estaríamos torcendo contra a nossa espécie.

Quando os macacos começam a demonstrar sentimentos e características biológicas – como consciência de vida, habilidades motoras como a fala – passamos a acreditar que encontramos o tão desejado elo perdido que nos leva até a diferença entre as espécies: os humanos aprenderam a arte do mal.
Por mais maniqueísta que possa aparentar esta visão, este é o motor certo da história. Comprovamos isso a partir da própria atuação do líder símio, o macaco Cesar. Em nenhum momento este ordena a aniquilação da raça humana, não profere insultos a nós. Muito pelo contrário, quando este empreende a sua luta, muitos são os gritos de “Não” para seus comandados, para que aqueles não atinjam aos civis, as pessoas, os soldados, etc. Eles são fortes, possuem uma musculatura privilegiadíssima, possuem motivos para fazer o mal – a vingança – mas assim não o fazem. Por quê?! 

É a bondade, a pureza, e a simples vontade de retornar as suas “casas” que guiam os macacos em todo o filme. Quando os símios conseguem irromper a horda de policiais altamente armados, conseguindo atingir uma floresta bem afastada de Nova York, o cientista ao encontrar Cesar nesta floresta, ouve da boca do mesmo esta própria questão: Cesar está em casa.
É o reencontro tão sonhado daqueles com seu habitat natural, a natureza com suas arvores e troncos, muito longe das jaulas dos laboratórios e das macas onde repousam nas horas de experimentos. Desta feita, a liderança e a Ideologia pacifista frente aos humanos e libertadora frente aos seus irmãos, de Cesar, empreende a uma forte crítica ao capitalismo, que é de forma subliminar, apontado como a raiz de todos estes problemas.

Cesar ao proibir a matança indiscriminada de civis, soldados, pessoas que aparentemente não possuem culpa por tudo isto – mas de outro modo, são beneficiados de forma indireta por tudo aquilo que é feito – demonstra uma justiça quase que utópica. Eles são justos acima de tudo. Não querem nada mais que a liberdade. A Vingança, o ódio somente é direcionado aqueles que tanto fizeram mal, de forma direta, aos símios. Uma cena é paradigmática neste sentido: É o dono da grande corporação genética que acaba morrendo, ao confrontar um velho macaco, marcado por anos e anos de experiências sofridas, a que este mesmo empresário definiria como “alguém que sabe como demais se comportar nas macas de experimentos”. O Macaco não o mata violentamente. Apenas não presta ajuda, quando este está por cair em um precipício.
De certa maneira, podemos até, de forma ousada, acreditar que a película se aproxima – ainda que de forma bem leve – de uma visão marxista. Ao possuir em si, o germe de sua própria destruição, o Capitalismo – simbolizado na indústria genética – produziu os meios – a inteligência que impulsiona a libertação símia – para conferir a liberdade de seu proletariados – os símios, alvos dos experimentos; importantíssimos para a maximização dos lucros da empresa -.
Aqui não há futurismo, não há uma amanhã dominado por macacos. Há só um Presente real e cru: a dominação dos símios pelos humanos. Não há um “planeta dos macacos”. Há uma vontade inata de apenas atravessar uma ponte que separa Nova York de uma floresta que desejam retornar, para se livrarem de tudo aquilo. É esta a conjuntura apresentada pelo filme.
Ainda neste mesmo bojo, a película também empreende a outra grande polêmica: Até que ponto deve ser permitida estas experiências genéticas? Quais são ou deveriam ser os limites das mesmas? Até que ponto os animais devem pagar por algo que visa o beneficio da raça humana?!

Obviamente isto tudo é muito polêmico, pois não podemos negar que, boa parte dos medicamentos e cirurgias que permitiram aumentar a melhoria de vida da raça humana perpassa por questões do tipo. Temos visto hoje em dia, uma gama de discussões acerca justamente destas questões. O Abuso acometido sobre os animais no que tange não somente, em alguns casos, a experimentos feitos de forma violenta, e até em questões mais supérfluas, como o uso de roupas de pele por companhias de moda.
Enfim, é por essas e outras questões, que o remake produzido traz consigo algumas boas e coerentes reflexões. Ao pensar sobre a “descartabilidade” dos animais nestes experimentos, calcada por uma atitude humana, que certamente vela uma atitude que em alguns casos beira a barbárie, o filme nos faz refletir sobre os próprios rumos da humanidade. Será que o ser humano pensa em si mesmo? Ou pensa somente no vil metal?! Na película, a cura para a Alzheimer é apenas um pretexto para a maximização dos lucros da empresa biogenética.
Há de se pensar então, quem é humano e quem é animal neste mundo.

Ass.: Rafael Costa Prata
Graduando em História pela Universidade Federal de Sergipe

sábado, 11 de agosto de 2012

Um Ator na “Casa branca”: Quando Hollywood invade a Política



Todo mundo se surpreendeu quando o “brutamonte” hollywoodiano, Arnold Schwarzenegger candidatou-se no ano de 2006 para o cargo de governador da Califórnia. E não é que o ator – fisiculturista, famoso por grandes clássicos dos anos 1980, como Conan e o Exterminador do Futuro, entre tantos outros, venceu as eleições naquela localidade.
Mas, o que é mais surpreendente ainda, e o que quase ninguém recorda é que um outro grande astro do Cinema, chegou a ocupar um cargo politico mais significante ainda, o maior que diga: a presidência, o alto posto na Casa Branca. 

Refiro-me a Ronald Reagan (1911 – 2004). Este famoso presidente republicano norte – americano, que governou o país em dois mandatos (1981 – 1989), tem seu passado marcado por boas atuações no Cinema e na TV norte – americana, onde conseguiu de forma bastante significativa, alavancar o seu carisma frente aos seus futuros eleitores.
Reagan passou a atuar no Cinema, a partir da segunda metade da década de 1930, tendo participado de filmes como “Love is on the air” (1937) – seu primeiro filme creditado – e “Em cada coração, um Pecado” (1939), naquele que é considerado o filme de sua melhor atuação.

A Carreira cinematográfica de Ronald Reagan se desenrolou até meados dos anos 1960 – quando participou da película “Os Assassinos” (1964). Entretanto, daí em diante passa a se dedicar a carreira política, se candidatando ao cargo de governador da Califórnia, aquela mesma que também recebeu de braços abertos a Arnold Schwarzenegger, onde venceu em 1967. Ronald Reagan ainda deu o ar de sua graça no clássico dos anos 1980 “De volta para o Futuro” onde interpretou a si mesmo como presidente da República.
Um bom ator. Reagan, obviamente, ficou marcado por sua atuação no cenário politico norte – americano, em meio ao conturbado período oitentista, marcado pelo fim da chamada “Guerra Fria”. Reagan, diagnosticado em 1993, com o Mal de Alzheimer, acabou falecendo em 2004 aos 93 anos de idade.
         ... Sua vida daria um filme!

Ass: Rafael Costa Prata
Graduando em História pela Universidade Federal de Sergipe

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A Trilogia "Batman" se vai e deixa uma ótima herança: a tendência a “humanização”...






       Com certeza, nenhuma data foi tão esperada no meio do Cinema, como o dia 27 de Julho de 2012. Dia de assistir o maior “Hype” do ano: “Batman The Dark Knight Rises”, o ultimo capítulo que fecha com maestria a excepcional trilogia do fenomenal diretor Christopher Nolan, composta por “Batman Begins” de 2005 e posteriormente “Batman The Dark Knight” de 2008.
  Sem querer mencionar os evidentes méritos técnicos e de enredo facilmente evidenciáveis no decorrer desta trilogia, apenas queremos destacar aquilo que é talvez a maior contribuição, se é que podemos apontar apenas uma, dada pela mesma: a trilogia, em decorrência de seu enorme sucesso, foi deveras responsável por encabeçar uma nova tendência de humanização das personagens dos filmes de super – heróis e/ou personagens “intocáveis”.
Pode parecer uma inovação banal, esdruxula, mas não é, principalmente quando levamos em conta o resultado cinematográfico – o grande teor psicológico que emerge dos filmes – obtido com estas medidas, que em grande parte, devem ser creditadas ao próprio Nolan. 

Este jovem diretor, que é conhecido por suas películas de grande confusão psicológica como “Insônia” (2002) e “Inception” (2010) levou para a sua adaptação da história de Batman, todas estas questões. O Resultado obtido é deveras primoroso, na medida em que no cerne das três películas produzidas, sobressai como saldo uma excepcional caracterização das personagens levadas às telas. Um Bruce Wayne perfeitamente representado em sua tormenta de infância, passando a bifurcação de sua vida adulta – metade Bruce, metade Batman -, tocado por demais questões psicológicas, como a incapacidade de levar adiante sua vida amorosa e o eterno medo de por em risco suas pessoas próximas, se é que ele ainda tem.

Quanto aos demais personagens, acho desnecessário citá-los, haja vista que a excepcional caracterização do Coringa por Heath Ledger, personifica tudo isto em questão. É a capacidade de reinventar personagens já consagrados pelos quadrinhos e pelos filmes recentes, que torna Nolan tão excepcional e tão inovador diretor, de forma que, assume-se hoje em dia, que será uma tarefa quase excepcional, superar o que foi produzido, em suma, produzir algum reboot sobre Batman.
            Mas não são somente os personagens que ganham toda esta dimensão. É propriamente o enredo que afunda nesta escuridão, nesta tormenta, neste caos sem controle de Nolan. É a incerteza sobre a personalidade humana – dai a figura de Harvey Dent – a desconfiança no futuro da raça humana – que motivam personagens como Ra´s Al Ghul e Coringa – e a esperança mínima do próprio Batman nos seres humanos que emergem do filme, entre outras questões.

       Como saldo disto tudo, nos encontramos em 2012, cercados por uma serie de diretores que, influenciados por essa nova tendência, passam a encorpar suas películas nesse sentido. Nesse sentido, uma marca deste processo já pode ser vista na caracterização da personagem Peter Parker, no reboot “O Espetacular Homem Aranha” lançado neste mesmo ano de 2012, sob a direção de Marc Webb. Apesar de manter uma pegada “teen”, o filme já apresenta alguns traços desta tendência. Peter Parker, nesta película, ao contrário da anterior trilogia de sucesso, é mais solitário, obscuro, introspectivo, rebelde sem causa. Suas dores são as de sempre, mas o clima do filme é muito mais sombrio do que os demais filmes.

            No mesmo sentido, também podemos enxergar esta questão em torno dos reboots da franquia “007” e também de Sherlock Holmes. Em ambos, os personagens são mais imperfeitos, suscetíveis a derrotas, contendo falhas humanas – como a embriaguez de Holmes – que podem comprometer os personagens. 007 volta a apanhar, algo que é quase impossível de ser ver nos filmes mais clássicos da franquia. 


  A Atual espera é pelo lançamento da película “Super-Homem – O Homem de Aço” neste ano de 2013, sob a produção executiva e roteiro do próprio Christopher Nolan, e a jugo de direção de Zack Snyder, quando se acredita que a história deste aclamado super-herói também possa ser agraciada por esta tendência “humanista”.
            

  Enfim, ao que parece, esta tendência é humanizar que torna tão transparente os sofrimentos, os sonhos, as desilusões e também as fraquezas destas personagens pode ser vista como resultado da contemporânea vontade humana de cada vez mais se confortar através destas figuras. Se eles possuem falhas, se choram, se caem, porque não eu?! Com esta medida, nos aproximamos cada vez mais de um Bruce Wayne, de um Clark Kent,... e até de um Bane ou um Coringa. Temos super – heróis que sangram, que caem, choram... Em tempos de desilusões – época de 11 de setembro, de atentados terroristas, ditaduras pelo mundo – isso tudo não parece tão distante... Assim como Gothan City, todos nós precisamos de heróis que mascarem as nossas desilusões diárias.. E que assim seja!

Ass: Rafael Costa Prata
Graduando em História pela Universidade Federal de Sergipe
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