segunda-feira, 14 de abril de 2014

[TOP10] Melhores Filmes de Stanley Kubrick

Kubrick foi daqueles gênios de natureza reclusa, sem muita pressa em se enquadrar numa certa “produção em escala industrial” de filmes. Em quase 50 anos de carreira, Kubrick nos deixou um legado marcado por pouquíssimos filmes, os quais, no entanto, são“pontuais”, de uma qualidade incomensurável.  Assim, Kubrick somente abandonava a sua, para nos entregar “obras – primas”. Desta maneira, foram apenas treze filmes produzidos no decorrer de quase cinquenta anos de carreira, o que entrega uma película a cada 3,5 anos em média, algo de certa forma raríssimo.
O Resultado nos faz observar uma riqueza absurda de temas, e principalmente, a marca principal do diretor: a controvérsia, a capacidade de abordar sempre temáticas de natureza polêmica, “sem fugir do combate”.
Com esta lista, sempre de natureza subjetiva e pessoal, procuro apresentar aqueles que – praticamente todo os filmes produzidos e dirigidos pelo Kubrick – são os meus prediletos. Vamos a referida lista:

1.      2001: Uma odisseia no espaço (1968)


O Maior filme de ficção cientifica de todos os tempos. A mais bela alegoria sobre a história da humanidade. Muitos poderiam ser os predicativos estendidos a essa que é uma das películas mais fantásticas da história do Cinema. O Filme que descreve a evolução do homem –e sua consequente procura por respostas – através da enigmática participação de um “monólito negro” durante os estágios da evolução humana, é um clássico atemporal. Trilha sonora perfeita, argumento perfeito baseado no conto de Arthur C. Clarke, fotografia perfeita. Aqui tudo é perfeito.

2.      Laranja Mecânica (1971)


Eis a maior das distopias cinematográficas. Um dos filmes mais controversos de todos os tempos – tendo sido proibido a época em uma enormidade de países -, Laranja mecânica é baseado no livro homônimo do escritor Anthony Burgess, e descreve então um futuro não muito distante na qual vive o jovem Alex de Large, o líder de uma gangue juvenil. O Vocabulário próprio, o debate acerca da violência e do descontrole, da alienação e do controle político, são muitas questões, dentre tantas, abordadas por essa película ímpar.

3.      O Iluminado (1980)


Poucos filmes de suspense/terror conseguiram imprimir uma carga de medo e aflição tão grande como “O Iluminado”. Baseado no livro homonimo de Stephen King, a película narra a história de uma familia comum, formada por um casal e uma criança, que passam a ocupar, na tarefa de zeladores, o famigerado Hotel Overlook. Bom, melhor assistir daqui em diante. Loucura, esquizofrênia, medo, traumas, são marcas mais do que certas deste filme.

4.      Dr.fantástico (1964)


A Sátira mais inteligente, controversa e rica sobre os conturbados anos de Guerra Fria, quando os Estados Unidos e a U.R.S.S viviam em um conflito ideológico e prático, que acabava por entregar ao mundo, um tempo de insegurança.  Em “Dr.Fantástico”, Kubrick satiriza justamente essas questões, focalizando as ações governamentais, a loucura de um possível “confronto nuclear”, dentre outras questões.

5.      Nascido para matar (1987)


Filme já discutido neste blog, “Nascido para Matar” é o clássico imbatível sobre a famigerada Guerra do Vietnã. Aqui Kubrick descreve as cruezas e friezas de uma guerra insana, demonstrando o processo de desmoronamento mental que é comum aos soldados, principalmente durante o insano processo de treinamento a que costumam passar.

6.      Lolita (1962)


Discutir sexualidade precoce ainda hoje, as vezes, se apresenta como uma temática conturbada, imagine dentro da sociedade americana nos anos 1960. Baseado na obra homonima do escritor russo Vladimir Nabokov, “Lolita” chocou a sociedade americana nas lides dos anos 1960, ao contar a história de uma jovem menina que se apaixona e passa a assediar o seu padrasto, e por fim, por conta do relacionamento amoroso que passa a existir entre eles. O Filme causou enorme polêmica justamente por conta dos debates em torno de uma suposta pedofilia, contida ou não no filme.

7.      Spartacus (1960)


Grande épico histórico da filmografia de Kubrick, “Spartacus” narra justamente a vida de guerras, escravidão e liberdade do famoso lutador romano Spartacus. Com grandes cenários, uma ação do inicio ao fim, vale muito ser visto.


8.      Gloria feita de sangue (1957)



Grande filme sobre a Primeira Guerra Mundial, esta película baseada em romance homônimo de Humphey Cobb, conta a história do controverso coronel francês Dax que ao ordenar um ataque surpresa as tropas alemãs, leva as sua fileiras a uma derrota total. No entanto, se exime da culpa, e escolhe três soldados que são levantados a culpados. Enfim, muito bom filme.

9.      O grande golpe ( 1956)


Aqui o jovem cineasta, a época aos 28 anos de idade, nos entrega um belíssimo filme noir. O Filme conta a história de um ex – presidiário que constroe o dito “plano sem erros” que terá como resultado o ganho de 2 milhões de dólares. No entanto, algo acaba dando errado... Noir total!

10. De olhos bem fechados (1999)




Infelizmente, esta película foi a última produzida e dirigida por Kubrick, que falecera pouco depois de sua feitura. Mas como costume, para fechar com chave de ouro, Kubrick nos entrega um outro filme polêmico; De Olhos Bem fechados conta uma enigmatica história de envolvimentos sexuais envolvendo um médico e sua esposa, que acabam adentrando a um misterioso mundo de orgias envolvendo membros da alta sociedade.

Ass: Rafael Costa Prata
Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O “Renascimento” dos filmes bíblicos em 2014: Hollywood reencontra um antigo filão de sucesso

Por durante muito tempo, os chamados “filmes bíblicos” compuseram um dos gêneros cinematográficos mais importantes e explorados pela industria do Cinema, inclusive, a hollywoodiana. Grandes clássicos, como “O Rei dos Reis” (1927) e “Os dez mandamentos” (1956) de Cecil de Mille, entre outros tantos, fizeram enorme sucesso, garantindo a entrada de grandíssimas divisas as suas produtoras.
 No entanto, nos últimos tempos, a temática já não estava sendo tão explorada. É claro que, ora ou outra, respingava algum filme, como “A Paixão de Cristo” (2004) de Mel Gibson, mas no geral, ao que parece, até por uma necessidade de “descanso” das clássicas histórias procuradas, esse gênero acabou sendo deixado um pouco mais a margem.
Porém, o ano de 2014, e principalmente os anos que virão, parecem ser um período de “renascimento” do gênero, haja vista que uma serie de filmes tem sido produzidos e uma outra gama tem sido ventilados como certos para os anos seguintes, pela industria hollywoodiana.

Logo de imediato podemos citar o caso da película “Noé”(2014), do diretor Darren Aranovsky, que ao “reconstruir” a história clássica de Noé e sua arca, conta com um estrelado elenco hollywoodiano, em destaque, Russel Crowe, Jennifer Connelly e Anthony Hopkins, num filme com uma roupagem bastante “moderna”, na qual a história é recontada sob um ponto de vista de muita ação, guerra e toda ordem de conflitos.
Outra grande personagem da Bíblia também está retornando as telinhas: Moisés. E será nas mãos de um outro grande diretor: Ridley Scott. O Filme “Exodus”, que está previsto para dezembro deste dito ano de 2014, contará a clássica história de Moisés, o qual será interpretado pelo premiado Christian Bale. O elenco aqui também é grandioso, contando com as participações de Joel Edgerton, John Tuturro e Ben Kingsley.

Cena do filme "Exodus" sobre a figura de Moisés.

Enfim, ao que se consta uma enormidade de películas com temática bíblica entrarão em cartaz no ano de 2015, aspecto que, de certa maneira, demonstra que tem se iniciado um “renascimento” da temática em questão, após um necessário e merecido descanso as clássicas histórias.

Ass: Rafael Costa Prata
Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe

sábado, 5 de abril de 2014

“O Expresso do amanhã” (2013): quando as classes sociais se tornam verdadeiros comboios de um trem

Pensem na estruturação social. Pessoas pobres. Pessoas ricas. Pessoas na “meiuca”. Pessoas na miséria. Outras bilionarias. A História da humanidade comporta uma serie de conflitos – ou revoluções – originadas justamente frente a revolta contra a desigualdade, e noutro ponto, a exploração social. Agora imaginemos que toda essa situação de “posicionamento na sociedade” fosse metaforizada a partir de uma estrutura de um trem.

Pois é, este é o ponto de partida da belíssima película “O Expresso do Amanhã” (2013) do diretor coreano Bong Joon – ho. A película se utiliza de um clássico clichê cinematográfico – o fim do mundo – para conduzir um debate interessantíssimo. Em suma, o filme narra a história de um experimento mal sucedido; na tentativa de diminuir o efeito estufa, os governantes mundiais acabam soltando uma substancia experimental na atmosfera, no entanto, o efeito é devastador. A temperatura cai a niveis absurdos, matando praticamente quase toda a população mundial. Os pouco sobreviventes passam a viver em um grande trem – multinacional de pertencimento a um grande aristocrata de natureza praticamente inatingivel.
É justamente com esse fio condutor que a película se desenvolve, e é justamente o seu grande mérito: conseguir transformar a realidade da estruturação social em uma metáfora na qual os comboios de um trem assumem o papel das classes sociais. Assim, cada comboio do filme está ocupado por uma classe social, que acaba desempenhando uma função especifica no mantimento do funcionamento do trem, tarefa esta desempenhada segundo as diretrizes de comando do trem que simboliza o sistema.
Enfim, trata-se de um filme riquíssimo, muito bem construído, na qual além de se observar os debates em torno das lutas entre as classes sociais, também se observa outros simbolismos e discussões em torno do caráter da Ideologia, da doutrinação, da força de repressão do sistema, e como também das explorações e das consequentes forças de revolução desse mundo.

 Ass: Rafael Costa Prata
        Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe

segunda-feira, 24 de março de 2014

“Os 12 anos de escravidão” de Steve MacQueen (2013): quando a temática da escravidão finalmente encontra sua representação mais fidedigna

Com toda certeza do mundo, Oscar Micheaux sorriu com grande satisfação, no dia 2 de março de 2014, durante a entrega da premiação do 86 Oscar. Micheaux, cuja carreira já destaquei nesse blog, foi o grande pioneiro entre os cineastas negros no nascer do século XX, tendo para isso enfrentado em sua época o preconceito e o racismo tão pungente durante o período (não que hoje não mais exista).
Quase oitenta anos após a carreira de Oscar Micheaux ter se encerrado, o mundo pode presenciar a gloria de um outro cineasta negro: Steve McQueen. O Jovem cineasta britânico de 44 anos de idade, se tornou o primeiro cineasta negro a ter sua película consagrada com o prêmio de “Melhor Filme”.
Nada mais justo para alguém que ao retomar uma temática – a escravidão norte – americana – desconstruiu uma certa visão lúdica que até certo momento persistia sobre a questão, apresentando uma nova visão, mais coerente, crua, sem idilismos frente ao que realmente foi o tão cruel regime escravocrata.

O Filme em questão de nome “12 anos de escravidão” é baseado na biografia escrita por Solomon Northup, um homem livre que acaba sendo sequestrado e vendido a uma família branca, tendo passado ali doze anos de sua vida.  MacQueen não levou a estatueta de “Melhor Diretor” ao perdê-la para o mexicano Alfonso Quaron (que curiosamente também rompeu outro paradigma ao se tornar o primeiro latino a levar a estatueta), no entanto, o que se deve constatar é que MacQueen já contribuiu de forma significativa; “12 anos de escravidão” é um marco não só na “renovação” da temática, como também do Cinema Mundial.
Um diretor de fibra, de assuntos difíceis. Não é de agora que Steve MacQueen surpreende o público e principalmente os oldmans de Hollywood, pois, sua filmografia é a prova disso. Hunger (2008) e Shame (2011) são duas películas que lhe projetaram, ambas, tratando de questões complicadas.
Além do “Oscar” de “Melhor Filme”, “12 anos de escravidão” também levou “Melhor roteiro adaptado” e “Melhor atriz coadjuvante” para a jovem e sensacional Lupita Nyong´o que certamente concedeu uma das mais bonitas e significativas palavras quando do recebimento da premiação, na história de todo o Oscar.

A História de Solomon Northup estava lá. Bastava alguém ter a coragem para levá-las as telas. Muitos negligenciaram. Coube a MacQueen essa tarefa. Sujeito integro como é, agradeceu ao ator Brad Pitt pois sem este praticamente teria sido impossível levar a cabo a película, graças a todo o seu apoio e financiamento mais capital.
Clássico mais do que imediato, “12 anos de escravidão” é a marca de MacQueen, diretor de fibra, que assim como Oscar Micheaux, lá nos remotos anos 1910 – 1930, soube muito bem como retratar questões pouco ou mal abordadas ainda pelo Cinema.

Ass: Rafael Costa Prata

Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe

sexta-feira, 21 de março de 2014

A história da explosão “Zumbi”: dos “voodus haitianos” aos mortos vivos “modernos”

The Walking Dead.  Eis o nome de um dos seriados televisivos de maior sucesso em todo o mundo. Baseado em uma graphic novel  escrita por Robert Kirkman – e desenhada por Tony Moore -, o seriado descreve a atuação de um grupo de sobreviventes em um mundo pós – apocalipse, quando o planeta está inteiramente dominado por mortos – vivos.  
Além desse seriado, muitas outras produções culturais, como livros e as citadas graphic novels sobre a temática inundam o mercado, demonstrando como os “zumbis” estão em seu ápice, com uma grandíssima aceitação de mercado.
Mas nem sempre foi assim. Aliás, a história do sucesso comercial dos ditos mortos – vivos no Cinema, tem sua origem há um bom certo tempo atrás, e com um fio condutor diferente, de viés “místico religioso”.


Nesse sentido, a primeira película voltada a temática dos “zumbis” foi o clássico do ano de 1932, “Zumbi Branco”, dirigido por Victor Hapelrin, e protagonizado pelo ícone do terror, Bela Lugosi. Nessa película, assim como em outras da época e de décadas seguintes, a história do zumbi é criada sobre o ponto de vista da religião, ou seja, partindo da ideia da “produção de zumbis” por meio da prática de voodus.

Curiosamente esse foi o fio condutor das películas até mais ou menos o final dos anos 1960, quando a questão se altera. Mas, assim como em “Zumbi Branco”, outras películas como “A Morta Viva” (1943) e “Epidemia de Zumbis” (1966) vão sempre utilizar a prática de voodus na construção de seus enredos. Dessa maneira uma serie de filmes parecidos são construídos, tomando como premissa sempre a ideia que através das mesmas é possível conseguir a subserviência das pessoas. Bom, nesses filmes acaba sobressaindo até uma ideia preconceituosa do Haiti, sempre descrito e representado com ojeriza. Quem vai lá pode está correndo perigo, e quem voltou de lá é temível.


Nessas películas, no entanto, o “zumbi” não é o de nossos tempos. Não é o morto vivo que reanimado sai de sua sepultura sedento por carne humana. O “Zumbi Haitiano” é quase sempre uma pessoa viva, que por conta do processo “mágico” acaba se tornando um escravo do praticante da magia, mas não um “comedor de carne humana.
No entanto, como dito, o final dos anos 1960, mais precisamente o ano de 1968, representa a ruptura dessa questão, e principalmente a entrega de um novo estilo, um novo roteiro, um “novo zumbi”. Foi com o cineasta George Romero que a temática ganha uma nova face, mais aterrorizante, mais sanguinolenta, deixando de lado esse aspecto religioso.

Com sua película “A Noite dos Mortos Vivos” de 1968, Romero renova o estilo e apresenta o que seria praticamente a “certidão de nascimento” e o “RG” do “zumbi moderno”. Os zumbis agora são “mortos – vivos”, que por algum motivo, justificativa que vai variar de acordo com os filmes, são reanimados e acabam saindo de suas tumbas em busca da carne humana viva que ajuda a saciar a dor da morte.
Essa película, que já analisei os aspectos sociais e ideológicos da mesma nesse blog, revolucionou não só a temática, como também o gênero do terror em geral na época. Causou furor de um lado, e medo e reclamações por outro lado, no entanto, daí em diante se tornou o modelo a ser seguido. Uma serie de filmes, inclusive do próprio George Romero, como o “Despertar dos Mortos” (1978) e “Dia dos Mortos”(1985), vão dar continuidade as novas características da temática, alcançando cada vez mais o público e o sucesso comercial.


Os anos 1980 foi o palco ideal da temática pois uma serie de filmes populares foram produzidos em larga escala. Clássicos do chamado “TERRIR”, gênero que de certa forma significa a mistura do terror com a comédia, como a trilogia “O Retorno dos Mortos Vivos”( 1985, 1988,1993) são símbolos comerciais da temática na década em questão. Aliás, o sucesso foi tanto que um dos clipes musicais mais conhecidos de todos os tempos, se não for o mais conhecido, chamado “Thriller”(1982) do astro da música pop, Michael Jackson, é inteiramente dominado por zumbis.


Guerra Mundial Z (2013), Extermínio (2002), Zumbilândia (2009), e uma serie de outras películas dão prova que a temática não descansa e não encontra antipatia por parte do público. A Idéia de acordar um dia e se chocar com uma horda de mortos – vivos batendo a porta parece exercer um fascínio aos olhos do público.


De outra maneira, como já demonstrei nesse blog por meio das análises dos filmes de George Romero, a temática muitas vezes possibilita e até serve como um espaço bem prolifero para se manifestar uma crítica social, que vai desde o racismo – A Noite dos MortosVivos (1968) é o paradigma disso -, ao consumismo “ O Despertar dos Mortos”(1978), e até outras questões, ainda que não necessariamente todos os filmes do gênero estejam dotados dessa questão.

Assim, dita estas questões, percebemos o quanto o gênero se renova, se altera, se aperfeiçoa, mas continua atendendo a “demanda” de um público que parece sentir carinho pelas horripilantes figuras. Talvez por não possuírem um talento especifico, e terem sua força representada na coletividade, os “mortos vivos” se adaptem mais aos novos tempos. Assassinos seriais no Cinema, como Jason Vorhess, Mike Myers e Freddy Kruegger parecem ter cansado o público, mas os “mortos vivos” ainda que “batidos” ainda não cansaram. Porque será? Os tempos mudam e eles continuam por ai, reanimados, por conta de um gás, um experimento mal feito, ou o quer que seja, batendo na porta das pessoas, pedindo além de um pedacinho de suas carnes, o ibope de cada dia.

Ass: Rafael Costa Prata
Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe



quarta-feira, 19 de março de 2014

“O Dublê do Diabo” (2011): quando somos forçados a viver como um filho de um ditador

Seu nome: Uday. Sobrenome: Hussein. Sim, seu pai foi o famigerado Saddam Hussein, um dos mais sanguinarios ditadores do século XX, o qual governou o Iraque por quase 25 anos, com mãos de ferro,  tendo para isso, adotado uma política de perseguição de  minorias – como os curdos – e rivais políticos, entre outras questões.

Mas essa película não é sobre o seu pai e sua política de massacre. É um filme sobre seu filho mais velho: Uday Hussein, que curiosamente, não tinha das melhores relações com seu dito pai. A película “O Dublê do Diabo” (2011), dirigida por Lee Tamahori, conta a história do tenente Latif Yahia que por ser bastante parecido com Uday Hussein, acaba sendo coptado – de forma forçada é claro – pelo mesmo para se tornar seu dublê em aparições públicas e/ou eventos mais perigosos, fato bastante comum, pois Saddam Hussein também tivera um exercito de dublês a seu serviço.
Uday, filho mais velho de Hussein, como bem descreve o título do filme, é a personificação do “diabo”. “Filho de seu pai”, é um sujeito sem escrupulos, egocêntrico, violento, psicopata, entre outras tantas características. E é nesse ponto que o filme se centra: em demonstrar as vilanias cometidas por este, em meio ao conturbado cenário político da Guerra do Golfo, quando o Iraque entra em choque contra os Estados Unidos, por conta do território do Kuwait.



         O outro ponto do filme, é claro, também está na representação da violência sofrida pelo tenente Latif Yahia, que ao ser forçado a se tornar dublê de Uday, acaba tendo que se tornar um boneco nas mãos do mesmo, ao passar por um enorme processo de treinamento e transformação, além de ter que  presenciar as maldades cometidas pelo mesmo. No entanto, como o filme bem demonstra, nunca como um cúmplice, atitude bastante ousada de sua parte, que por muitas vezes quase significou sua morte.


         Uday, que falecera em 2003, após uma ofensiva do exercito americano no Iraque, foi o principal chefe da rede de telecomunicações do Iraque durante os anos 1990, mas se dedicava pouco as suas atribuições, o que curiosamente lhe causava muitos atritos com seu pai. Uday não disfarçava sua vida desregrada e criminosa: vivia em orgias, estruprava colegiais, forçava recém – casadas a ter a primeira noite com ele, entre outras coisas, o que acabava chegando a população iraquiana, fato que fazia com seu pai criasse raiva.
         Enfim, a película “O dublê do diabo” cumpre muito bem o seu papel histórico. Baseado na biografia de Latif Yahia, que conseguiu fugir do Iraque, a película conta não só a história desse megalomaníaco e criminoso “filho de seu pai”, Uday Hussein, como demonstra muito bem o quadro político do inicio dos anos 1990.

Ass: Rafael Costa Prata

Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe

quinta-feira, 13 de março de 2014

“Acabaram-se os otários” (1929): o primeiro filme falado do Brasil foi uma comédia!

Em outra postagem recordamos que o Cinema chegou ao nosso país no dia 8 de Julho de 1896, menos de um ano após a pioneira exibição dos irmãos Lumière no salão de café em Paris. Em relação a produção de um filme falado, demorou mais um pouquinho. Após a exibição de “O Cantor de Jazz” (1927), de Alan Crossland, demorou praticamente dois anos para que o nosso país lançasse seu primeiro filme falado.

Foi a película de comédia “Acabaram-se os otários”(1929) dirigida por Luiz de Barros, e protagonizada pelo astro do teatro da época, o ator Genésio Arruda, conhecido pelo público de então por suas interpretações de caipiras.
E o filme segue a mesma formula: conta a história de dois ingenuos caipiras e um colono italiano, que acabam sendo enganados por malandros na cidade, ao comprarem um bonde. Ao descobrirem, são praticamente forçados, sem outra alternativa, a voltarem para o interior. A película doza muito bem a linha entre a comédia e o drama.
Para conseguir “colocar som” no filme, o diretor Luiz de Barros utilizou a técnica desenvolvida pela empresa francesa Gaumont: consistia em reproduzir o audio – e os demais sons do filme – na hora da reprodução do filme. Uma verdadeira arte do improviso. De tão pioneiro, o filme também contou com uma pequena trilha sonora: durante sua exibição, são reproduzidas músicas de sucesso da época como o clássico “Carinhoso” de Pixinguinha.
O Filme ficou em exibição de setembro de 1929 até fevereiro de 1930, tendo sido um sucesso, por trazer a grande inovação as telas de nosso país.

Ass: Rafael Costa Prata
Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe

sexta-feira, 7 de março de 2014

O gênero “Slasher”: quando o “terror” se reveste de moralismo

Certa vez assisti a um documentário, cujo nome infelizmente não me recordo, sobre as características do gênero “slasher”, tão comum a partir dos finais dos anos 1970. O “Slasher” é um subgênero do Terror caracterizado pela presença típica de um serial killer que sai assassinando jovens sem algum “suposto motivo aparente”.

Clássicos como “Halloween” (1978), “Dia dos namorados macabro” (1981) e mais ainda a serie de filmes “Sexta – feira 13” (1980-1993) são exemplos mais que perfeitos desse gênero. No entanto, o que é interessante em taís películas, tão comuns e de grande sucesso no decorrer dos anos 1980, é justamente o que se pode dizer, teor moralista de seus enredos.
Sim, soa muito estranho acreditar que esses filmes regados a sangue e carnificina possam conter um certo tom de moralismo em suas estruturas. Mas se observamos minunciosamente, ou nem tanto, seu estilo, suas características, seus clichês, isso pode ser de imediato notado: em grande parte desses filmes o serial killer em questão é um sujeito que persegue “padrões” não aceitos por uma sociedade conservadora. Em suma, em 99% desses filmes, as vitimas são jovens que se refugiam em alguma colonia afastada para fazerem sexo, usarem drogas, e outras tantas atividades.

E é nessa hora então que um “Jason” entra pra “limpar” tudo isso. Jason é o “recado”, o “aviso” de que, se vai cometer “algo errado” é melhor “arcar com as consequências”. Se vai fazer orgias é melhor pensar antes.
 E sim, ao fim, sobreviverá quem se refugia de todos esses atos. A menina pura, o rapaz respeitador.. Esses são os que sobrevivem e derrotam o vilão em questão.
Desta maneira, o que antes soava estranho, assim não parece mais. Atrás do sangue e da carnificina do “slasher” está todo um moralismo embutido, mensagem passada por uma serie de filmes do gênero, no decorrer de todo os anos 1980.

Ass: Rafael Costa Prata

Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Carmem Miranda: uma celebridade a molde “exportação”

Ela é, até os dias atuais, a artista brasileira mais conhecida em solo americano. Sua imagem é encarada como o “simbolo” de nosso país. Frutas, coqueiros, dança, um clima tropical. “O que é que a baiana têm?”. Na verdade, o que é que o Brasil tem?!
Maria do Carmo Miranda da Cunha, ou simplesmente Carmen Miranda, curiosamente não nasceu aqui no Brasil. Nascera no Distrito do Porto, Portugal, no dia 9 de fevereiro de 1909, mas desembarcou em nosso país com menos de um ano de idade, na companhia obviamente de seus pais.
Sua “chegada” aos holofotes americanos se deu a partir da segunda metade da decada de 1930, quando a partir do filme “Banana da Terra” (1939), ela aparece interpretando a música que seria a sua marca consagrada, a canção “O que é que a baiana tem”, do cantor e compositor Dorival Caymmi.
Ali nascia um mito nacional. A bela mulher com um grande sorriso, vestida com turbantes, colares, e um arranjo de frutas na cabeça, seria o simbolo maior do Brasil nos Estados Unidos.
Foi então que no mesmo ano de 1939, o empresário americano Lee Shubert assistiu a uma apresentação de Carmen Miranda no Cassino da Urca, no Rio de Janeiro, e após a enorme surpresa, convidou Carmem a se aventurar fora de nosso país.
Carmen fez shows por toda a América Latina, e logo em seguida partiu a seu destino principal: os Estados Unidos. Por lá, foi sucesso imediato. Fez inúmeros músicais na Broadway, fez uma apresentação na casa branca para o então presidente Franklin Roosevelt, e estreou em seu primeiro filme americano “Serenata Tropical”. Tudo isso em 1940.
Depois disso só foi constatar a súbita conquista do sucesso. Dentre em pouco tempo, Carmem estava na lista dos artistas mais pagos do cinema norte – americano. Enfim, de 1940 a 1953, Carmem participou de 14 filmes em Hollywood, sem contar o sucesso dos shows na broadway.
Sua imagem até hoje em dia é conhecida em todo o mundo. Há quem não considere muito por considerar que esta consolidou uma imagem “caricata” de nosso país, mas o que não podemos deixar de considerar é que Carmen realmente foi uma artista a molde “exportação”.

Ass: Rafael Costa Prata
Mestrando em História na Universidade Federal de Sergipe

sábado, 22 de fevereiro de 2014

“Memórias do Chumbo – O Futebol nos tempos do Condor” (2013): Os usos e desusos do Futebol em meio as ditaduras militares sul - americanas

Em tempos de ditadura, o futebol, assim como outros gostos populares como o Cinema,  pode muito bem ser utilizado pelos meios opressores ou como mais um “meio de alienação”, um desvio das questões principais, ou propriamente como um importante instrumento de reforço ideológico. No entanto, também pode adquirir a faceta da luta, da resistência.
Foi com a intenção de analisar justamente “os dois lados da moeda” que o jornalista Lúcio de Castro e o canal ESPN BRASIL produziram o documentário “Memórias de Chumbo – O Futebol nos tempos do Condor” para demonstrar como se deu esse quadro em algumas das ditaduras sul - americanas, por meio de quatro programas, destinados em particular, a analisar os casos do Brasil, Uruguai, Argentina e Chile.
De tão importante e trabalhado no ponto de vista histórico, o documentário acabou ganhando o merecidíssimo reconhecimento através do “Prêmio Gabriel García Márquez de Jornalismo”, ocorrido em Medellin, na Colombia.

Muitas são as questões discutidas e debatidas na quadrilogia do documentário, como os manejos da ditadura argentina para que sua seleção ganhasse a copa do mundo de 1978, evento importantíssimo para “aclamar” o país aos olhos externos. De outro modo, o documentário também demonstra o ativismo político de jogadores, como o caso do jogador chileno Carlos Cazsely, que ao ir de frente publicamente ao governo de Pinochet, teve sua mãe sequestrada e espancada a mando do mesmo.
Enfim, são quatro episódios riquíssimos que conseguem abordar com destreza e profundidade o quadro do futebol frente a ditadura nos países citados, destacando, como dito, o modo como o futebol foi utilizado, e de outra maneira, como também serviu como meio de resistência, um modo de expressão.

Ps: Os documentários podem ser facilmente encontrados no Youtube. Segue o link de um deles:



          Ass: Rafael Costa Prata             
          Mestrando na Universidade Federal de Sergipe

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O Dia que os Estados Unidos pediram desculpas a Chaplin (1972): reconheceram o gênio, esqueceram o “comunista”

Foram mais dez minutos de aplausos ininterruptos.  Poderia ter sido mais. Poderia ter sido um ano inteiro de aplausos. Ainda assim teria sido muito pouco. Pouco pela dimensão do gênio que estava ali naquele palco, e também pelos “juros” da desculpa que devia pagar os Estados Unidos.
Mas tudo bem, não sejamos rancorosos. Naquele dia 26 de fevereiro de 1972, Hollywood, simbolizando os Estados Unidos, pediu desculpas ao maior gênio da história do Cinema: Charles Chaplin.
Aquele dia marcou o retorno de Chaplin aos Estados Unidos após quase vinte anos de exílio na Suiça. Chaplin havia sido expulso do país em 1953, quando passava por uma intensa perseguição por parte do machartismo, que acusava Chaplin de ser comunista. O Estopim de sua expulsão foi o fato de que Chaplin se recusava a ter cidadania americana, muito em conta por causa justamente desse sistema vigente.
Mas ali naquele ano de 1972, aos 83 anos de idade, Charles Chaplin recebia o mais do que justo “Óscar Honorário” pelo conjunto de sua obra. Prêmio que é mais do que simbólico, representando esse pedido de desculpas ao gênio.
Antes tarde do que nunca.

Ps: Segue o emocionante vídeo de entrega do Óscar a Chaplin em 1972:



Ass: Rafael Costa Prata
Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Além do Cidadão Kane (1993): um polêmico e importante documentário estrangeiro sobre a Rede Globo e o seu poder em nosso país

Não é dos documentários mas conhecidos em nosso país. Também pudera, o alvo do documentário, a Rede Globo, tratou de expurgá-lo de imediato da sabedoria do público. O documentário “Além do Cidadão Kane”, produzido em 1993 pelo canal britânico Channel 4, se apresenta ainda hoje como uma obra “cult”, justamente por seu “caráter underground” e de certa forma pouco acessível.
O Título do documentário faz alusão ao clássico do Cinema, o filme “Cidadão Kane”, produzido por Orson Welles em 1941. A película narra o pragmatismo e as atitudes ambiciosas do magnata da comunicação Charles Foster Kane na procura pelo aumento de seu poder.
         Assim, neste polêmico documentário,  o enfoque se dá no poder de controle – e também de manipulação – da Rede Globo nos assuntos políticos de nosso país. Dentre outras questões, o documentário enfoca as relações da ditadura militar com a rede em questão, a cobertura parcial do movimento “Diretas Já”, entre outras tantas questões, demonstrando como Roberto Marinho, o criador da emissora, foi figura ativa e responsavel por muitas dessas questões.
         Como se esperava, a Globo procurou de todas as maneiras bloquear a exibição do documentário, o que de certa forma conseguiu. Hoje em dia, o documentário continua a ser muitas vezes exibido em meios acadêmicos quando se procura estudar o poder de controle social e político por parte de meios midiáticos.
         Desta maneira, ainda que o documentário não seja de tão fácil acesso, vale muito a pena assisti-lo para compreendermos a origem de muitas questões que se referem a estrutura de nosso país.

Ps: Segue o documentário completo a se assistir no Youtube:



Ass: Rafael Costa Prata

Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Grande Otelo: um gênio “esquecido” do Cinema Nacional

Em 1942, quando até então maior cineasta norte – americano do momento, o gênial e polêmico Orson Welles, resolveu filmar uma película chamada “It´s all true” rodada na América do Sul, na qual descreveria a cultura dos mais diversos países, o convidou de imediato para participar de seu filme, pois considerava-o o maior ator de nosso país, e um dos maiores do mundo.
Orson Welles estava mais do que certo: Grande Otelo era um dos maiores atores do mundo na época, talento esse reconhecido até seus últimos dias. Otello faleceu em 1993, aos 78 anos de idade, por conta de um ataque fulminante de coração, quando estava indo a Paris, a convite do governo francês, para receber uma homenagem especial no Festival de Nantes.
Otelo foi um artista completo: grandíssimo ator, comediante dos melhores, compositor e cantor de grande destaque. Assim como outros gênios de sua época, a sua infância parecia não “justificar” a sua conhecida alegria a posteriore: seu pai morrera esfaqueado e sua mãe era alcoólatra, quando Sebastião Bernardes de Souza Prata, o futuro “Grande Otelo” era criança.
Nascido em Uberlândia, Minas Gerais, em 1915, Otello passou a ganhar fama na decada de 1940, quando juntamente com outro gênio, o comediante Oscarito, fez sorrir ao povo brasileiro com inúmeros sucessos de bilheteria. Mas como dito, Otello era diverso, completo, ia da comédia ao drama como poucos, atuando como protagonista em filmes memoráveis como “Rio, Zona Norte” (1957) e “Macunaíma” (1969), dentre outros.
Com certeza, Grande Otelo foi um dos maiores artistas de nosso país, o qual merecia ser bem mais lembrado. Fazia sorrir como poucos, fazia chorar como quase ninguém. Aliás, a origem de seu apelido se deve ao seu talento. Sebastião Prata  interpretou como poucos o “Otello” da obra de Shakespeare.
Orson Welles estava mais do que certo.

Ass: Rafael Costa Prata

Mestrando em História na Universidade Federal de Sergipe

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A Chegada do Cinema no Brasil (1896): agradeçam a um exibidor itinerante!

Se considerarmos o dia 28 de dezembro de 1895, momento em que os irmãos Lumiere projetaram o primeiro rolo cinematográfico no Grand Café de Paris, podemos concluir que o Cinema até que chegou muito rápido ao nosso país. Isso porque aponta-se que a primeira exibição de filme ocorrida por aqui teria ocorrido no dia 8 de julho de 1896, ou seja, pouco mais que seis meses do furor causado em Paris.
 E se por aqui chegou se deve a um exibidor itinerante, o belga Henrie Paillie, que aportou em terras cariocas, trazendo consigo o maquinário e um rolo com oito minutos de filmagem contendo imagens do cotidiano de pessoas na Europa.
Conforme os especialistas, a primeira exibição desse rolo teria ocorrido em uma sala alugada do Jornal do Commercio, na Rua do Ouvidor, no Centro do Rio de Janeiro. Lá, esse pequeno rolo de oito minutos foi exibido por quase duas semanas para, obviamente, já que o belga era um exibidor itinerante, a população mais abastada.

Assim, com seu “valioso rolo de oito minutos”, Paillie conseguiu ganhar muito dinheiro, pois os ingressos eram caros, vendo sua “empresa” de exibidor itinerante atingir os lucros que pensara com a nova arte que surgira.
Apesar de restrita aos ricos, a exibição desse pequeno rolo causou tanto rebuliço que, pouco mais de um ano depois, portanto em 1897, já se podia encontrar em terreno fixo, a primeira sala de Cinema do nosso país, chamada “Salão de Novidades Paris” de propriedade do empresário italiano Paschoal Seghetho, que passaria a reproduzir, como está claro em sua alcunha, as principais novidades cinematográficas oriundas de Paris.
E assim chegou o Cinema em terra tupiniquim...

Ass: Rafael Costa Prata
Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...