terça-feira, 17 de julho de 2012

A Nudez no Cinema: As Primeiras aparições... e o famigerado Código Hays


      
         Em 1992, a atriz Sharon Stone, “escandalizaria” os espectadores do Cinema ao mostrar, de forma velada, através de uma "cruzada de pernas fatal" sua parte mais íntima em uma cena do filme “Instinto Selvagem”, do diretor Paul Verhoeven. O Filme que não é dos melhores, ao menos acabou se tornando um blockbuster, muito em parte por conta desta cena que é até hoje é cultuada, como um dos mais ousados marcos do cinema hoolywoodiano.
         Contudo, nem sempre foi tão fácil inserir cenas sensuais, com ou sem nudez, nas telas do Cinema. Houve épocas em que essa inserção foi praticamente nula, graças ao intenso controle de censura que regia as produções cinematográficas, ao menos no que tange o cinema norte – americano e suas produções. Obviamente que filmes underground, já se procuravam burlar estas questões, mas não é este o ponto que nos interessa.
         Interessa-nos os filmes de primeiro plano, produzidos em Hollywood.

         Curiosamente, as primeiras cenas de nudez são bastante precoces.  Já em 1916, nos primórdios do cinema americano, duas atrizes em especial, transgrediram nesse sentido. O Filme Mudo “Daughter of the Gods” chocou o público da época – e ao mesmo tempo chamou o mesmo que compareceu em massa – ao trazer a bela atriz Annette Kellerman que no papel de uma bela jovem, aparece em uma das cenas de forma desnuda. A nudez é poética e em momento algum é possível enxergar de forma mais intensa, o corpo da atriz, haja vista que com um truque natural utilizado, suas partes foram inteiramente cobertas por seu longo cabelo.

         
 No mesmo ano, a também bela atriz June Caprice mostraria seus dotes corporais na película “The ragged princess”. Curiosamente esta atriz faleceria prematuramente de câncer pouco depois que um código de leis poria a censura na “nudez” no cinema. Em 1934, nasceu o famigerado Código Hays que além de censurar a nudez no Cinema, se tornaria bastante famoso por regular a linguagem, o conteúdo, e todo tipo de questão das películas americanas.
         

      Criado por uma ala da associação americana de produtores, a MPAA, o código Hays leva o nome de seu “patrono”, um dos lideres do partido republicano da época, o político William Hays. De forma geral, este conjunto de leis passava um pente fino sobre praticamente todas as películas produzidas. O Alvo não era somente a nudez direta, mas também a dissimulada, e num grau mais geral, tudo aquilo que para eles correspondia o risco de corromper a ética, a boa moral da sociedade norte – americana.
         Desta maneira, procuravam combater ao máximo, o uso de álcool, armas, vestidos curtos por mulheres, palavras de baixo calão, temas e diálogos sensuais, e etc, nas películas.

      De forma bastante hábil, alguns cineastas se consagraram ao conseguirem desviar dessas imposições. Frank Capra, um grande diretor da época, lançaria no mesmo ano de outorgada o Código Hays, o grande clássico transgressor romântico “Aconteceu naquela noite”, com Clark Gable e Claudette Coubert. O Filme que por si só, transgride por apresentar a saga de uma mulher independente, que foge do casamento importo por seu pai, e vai viver perigosamente com um  jornalista free lance, foi imortalizado graças a uma cena em especial, na qual a personagem de Coubert, para atrair uma carona a beira da estrada, exibe uma de suas pernas, ao levantar seu saiote.

          
       Contudo foi o ousado diretor Ernst Lubitsch quem mais soube desafiar o bendito Código Hays. Aclamado Rei das comédias “sensuais”, Lubitsch se consagraria por, através dos seus filmes, impor nos diálogos, uma sofisticada malicia que de forma subliminar, contrariava e criticava as imposições do código Hays.

 
Outro cineasta que soube subliminarmente contrariar aos interesses do Código Hays foi o mestre do suspense, Alfred Hitchcock. Com o seu clássico “Festim Diabólico”, de 1948, Hitchcock leva a tela um suspense psicológico marcado por uma velada situação de homo afetividade manifestada entre as personagens principais da película, os dois estudantes de direito que cometem o assassinato ao inicio do mesmo.
         Enfim, após tantas criticas e luta por parte do Cinema Hoolywoodiano, este código acaba sendo extinto em 1967, quando passa a dar lugar a uma mais sensata e justa classificação por faixas etárias, modelo utilizado até hoje no Cinema e como também na Televisão.
         Eis um período de censura que Hollywood procura esquecer... E eram só pernas e cabelos escondendo o corpo!

Ass: Rafael Costa Prata
Graduando em História pela Universidade Federal de Sergipe

Um comentário:

  1. Em tempos de sexo mais que explícito no cinema formal, o tal do Willian Hays ia ficar de cabelo em pé se visse as partes baixas de William Dafoe em Anticristo de Lars Von Trier... eu pelo menos fiquei, até hoje povoa meus mais aterradores pesadelos, hehehe!!!!

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