sábado, 10 de fevereiro de 2018

A Tragédia do Titanic: os personagens entre a ficção do Cinema e a realidade da História


O dia 15 de abril de 1912 certamente fora marcado por uma das maiores tragédias do século XX: o naufrágio do RMS Titanic. Ainda que tenham passado praticamente 105 anos desde a sua ocorrência, é preciso reconhecer que este catastrófico episódio que vitimou 1514 pessoas continua a despertar o interesse em nossos dias.
A história do RMS Titanic é mais do que conhecida. Construído pela Harland and Wolff Belfast a mando da White Star line por durante quatro anos, o transatlântico rapidamente ficara conhecido por conta tanto de seu tamanho descomunal quanto também de sua enorme beleza. Sua primeira e única viagem fora iniciada no dia 10 de abril de 1912, transladando um contingente de 2435 passageiros de todas as classes, além de uma tripulação de 892 pessoas, do porto de Southhampton, na Inglaterra, em direção a New York, nos Estados Unidos.
O belíssimo Titanic partira então, mas, o que parecia ser uma viagem tranquila, rapidamente se tornou um dos maiores desastres da historia da humanidade. Cindo dias após o seu embarque, o transatlântico acabou colidindo com um iceberg no meio do Oceano Atlântico, naufragando então no dia 15 de abril de 1912. Bom, não irei me alongar sobre os detalhes técnicos que explicariam o naufrágio, haja vista que, até hoje, não se sabe ao certo o que causou seguramente a ruptura do Titanic.
Esta história, decerto, foi levada as telas do Cinema em inúmeras ocasiões. Podemos mencionar uma série de películas, como Saved from Titanic, lançado 29 dias após o seu naufrágio, A Night to remember (1958) e por fim um dos maiores sucessos de crítica e de público da história da Sétima Arte: Titanic (1997) sob a direção de James Cameron.
Quem não se emocionou com o romance trágico da aristocrata Rose Bukater, interpretada por Kate Winslet, e do pobre rapaz Jack Dawson, interpretado por Leonardo DiCaprio, que se apaixonam e vivenciam um “amor proibido” pelas convenções sociais até que a tragédia acaba por vitimar Jack. Aliás, quem nunca se pegou problematizando a morte de Jack? Será mesmo que aquela madeira não comportaria ambos?
Enfim, apesar de se tratar de um romance ambientado em um evento real, a película acaba levando as telas uma série de personagens que realmente existiram. Trata-se de uma serie de figuras ilustres da aristocracia que ocuparam os luxuosos pontos da primeira classe.
Iremos agora demonstrar então algumas dessas personagens e como foram representadas imageticamente na película em questão:

1. Capitão Edward Smith: interpretado por Bernard Hill, se trata do capitão responsável pelo comando do Titanic. Consta-se que esta viagem seria a sua última, antes de sua aposentadoria. Acabou falecendo em meio ao naufrágio do navio.


2. John Jacob Astor: interpretado pelo ator Eric Braeden, se tratava do passageiro mais milionário do Titanic. Também faleceu em meio ao naufrágio.


 3. Margareth Brown: conhecida como a “inafundável” Molly, esta aristocrata acabou sobrevivendo ao naufrágio, sendo reconhecida até hoje por conta de seu ato de altruísmo, ao exigir o retorno do bote em que se encontrava para que fossem resgatadas mais pessoas. Foi interpretada na película pela atriz Kathy Bates.


4. Bruce Ismay: interpretado por Jonathan Hyde, se tratava do gerente da White Star Line. Sobreviveu ao naufrágio, mas acabou ficando conhecido por supostamente ter entrado em um bote, violando assim a preferência por mulheres e crianças.


5. Cosmo Duff-Gordon: interpretado por Martin Jarvis, se tratava de um medalhista olímpico da esgrima. Também sobreviveu ao naufrágio.


6. Thomas Andrews: interpretado por Victor Garber. Foi o engenheiro que projetou o Titanic. Acabou falecendo no naufrágio.


Outras tantas pessoas reais foram representadas na película. Suas fotos podem ser rapidamente encontradas em uma busca pela Internet. Em comum, todos os personagens eram membros da aristocracia.

Fonte das imagens: https://observatoriodocinema.bol.uol.com.br/listas/2017/12/10-personagens-de-titanic-e-suas-contrapartes-da-vida-real

Ass. Rafael Prata
Doutorando em História na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT)

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

O Filme “proibido” do comediante Jerry Lewis: “O Dia em que o palhaço chorou” (1972)

        
          Não precisamos ratificar o óbvio: Jerry Lewis (1926-2017) foi um dos maiores comediantes da história do cinema. Seus inconfundíveis personagens, sempre marcados por suas condutas desastradas e por nutrirem sempre uma profunda ingenuidade diante das mazelas e das corrupções do mundo, marcaram o gênero da comédia cinematográfica, principalmente durante as décadas de 1950-1970. Filmes como “O Mensageiro Trapalhão” (1960), “O Terror das Mulheres” (1961), “O Professor Aloprado” (1963), dentre outros, obtiveram um enorme sucesso de crítica e de público, alavancando ainda mais o sucesso de Jerry Lewis como um dos maiores cômicos de sua época e certamente de toda a história do cinema.

Jerry Lewis em "O Professor Aloprado" (1963)

         A emergência dos anos 1970 traria, no entanto, a ocorrência de um acontecimento marcante na carreira de Lewis: o arquivamento de um filme por vontade própria.
Tudo começou quando Lewis, no auge, passou então a procurar roteiros de filmes que fugissem bastante de tudo aquilo que havia produzido, dirigido e atuado em sua carreira. Como consequência desse expediente, o comediante acabou entrando em contato com um argumento fílmico produzido por Joan O´Brien e Charles Denton, sob o título de The Day the Clown Cried,  em suma, O Dia em que o Palhaço Chorou.
         Ao ler o argumento, o comediante não teve dúvidas: se trataria de algo inédito em sua carreira. Até então acostumado com a produção de  comédias urbanas, o comediante então vislumbrara a oportunidade de produzir e atuar em um filme de comédia dramática ambientada em um contexto histórico recentemente vivenciado.
         Tratava-se da possibilidade de reprodução da história de um palhaço chamado Helmut Doork que, vivendo durante os anos da Segunda Guerra Mundial, acaba sendo confinado em um campo de concentração após efetuar gozações frente à figura de Adolf Hitler. Não satisfeitos com a punição, os chefes do campo de concentração impõem como função primordial desse palhaço, o dever de entreter as crianças judias em seus percursos até as câmaras de gás.
         Empolgado com a possibilidade de rodagem deste filme que alteraria os rumos de sua carreira, o comediante Jerry Lewis passou então a se preparar para a atuação, passando então a visitar alguns dos campos de concentração do regime nazista, como o de Aushwitz e Dachau.

Jerry Lewis durante a gravação de O Dia em que o Palhaço chorou.

         Tudo estava preparado. O Filme passou a ser rodado então a partir do ano de 1972. Porém, com o passar dos dias de filmagem, o comediante Jerry Lewis acabou sendo acometido de um forte sentimento de arrependimento. Passou a considerar uma “péssima ideia” a realização da película em questão. Como tratar de um tema tão dolorido como o holocausto por meio da comédia?!
         O filme foi então abruptamente interrompido e arquivado por Jerry Lewis. À vista disso, se tornou também uma espécie de “assunto proibido” nas entrevistas e conversações travadas perante o comediante. Em uma entrevista recentemente dada, em 2013, no Festival de Cannes, o comediante Jerry Lewis, quando indagado sobre a misteriosa e inacabada película, respondera que: “É mau, mau, mau. Poderia ter sido poderoso, mas escorreguei”.
         A desilusão de Jerry Lewis com a película se fazia de tal grandeza que o próprio proibiu a sua reprodução durante a sua vida. Mesmo após ceder uma cópia do filme a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, Jerry Lewis determinara que o filme somente poderia ser aberto ao público após dez anos de sua morte.

Jerry Lewis durante a realização do filme. 

         Jerry Lewis falecera em 2017, aos 91 anos de idade, por conta de uma doença cardiovascular. É possível que em 2027 tenhamos a oportunidade de assistirmos a esta tão polêmica obra cinematográfica produzida pelo comediante em questão.
Há quem diga que o que Lewis fizera não se distanciara do que Roberto Benigni orquestrara no seu “A Vida é Bela”(1997), quando o diretor e ator se utilizara da comédia para contar a história de um pai que procura, a todo custo, criar um ambiente lúdico de jogos e brincadeiras para o seu pequeno filho, a fim de distanciá-lo dos horrores da guerra.

O Dia em que o Palhaço chorou.

Resta aguardar o ano de 2027. Mas fica a pergunta em questão: é possível trabalhar temas tão profundos, complicados e doloridos através do artifício da comédia? Trata-se de um erro? Uma falta de respeito? Ou não?

Ass. Rafael Prata
Doutorando em História na Universidade Federal de Mato Grosso

domingo, 29 de janeiro de 2017

Vera Clouzot: Uma grande estrela “sergipana” do Cinema Francês


 Tudo bem. Antes que me apontem o “erro”, conheço o fato de que Vera Gibson Amado – ou Vera Clouzot para o público cinematográfico francês – nascera no Rio de Janeiro no dia 30 de dezembro de 1913. Era, portanto, carioca.
Vera Clouzot

       Mas, corria em suas veias o sangue sergipano. Vera era filha de Gilberto Amado, um renomado intelectual brasileiro nascido em Estância, Sergipe, no ano de 1887. Oriundo de uma família de escritores, Gilberto Amado – primo do baiano Jorge Amado – fora um advogado, diplomata, escritor, jornalista e político brasileiro de reconhecida influência no cenário nacional da primeira metade do século XX, tendo atuado como deputado federal por Sergipe em 1934, diplomata a serviço do Ministério das Relações Exteriores em 1936, ex-presidente do Comitê de Direito Internacional na ONU, dentre tantas outras funções ocupadas.

Gilberto Amado

Em 1911, Gilberto Amado casara-se com a pernambucana Alice do Rego Barros Gibson com quem passara a residir no Rio de Janeiro. Dois anos após a realização deste matrimônio, nasceria então Vera Gibson Amado.
A trajetória da jovem Vera no Cinema se iniciaria de maneira surpreendente, após esta iniciar um relacionamento com o ator Leo Laparet, um artista francês que se encontrava em turnê pelo Rio de Janeiro com a companhia de teatro Louis Jouvet, em 1941.  Após casar-se com Leo Laparet, Vera Gibson Amado acabou por se mudar com seu cônjuge para Paris em 1947, onde passara a acompanhar o seu marido durante as gravações dos filmes em que este participara.
Foi assim que numa dessas filmagens, a atriz acabou conhecendo no set de filmagem o diretor Henri-Georges Clouzot, um dos maiores cineastas franceses de todos os tempos, especialista no gênero suspense. Apaixonada, Vera separou-se de Leo Laparet, para casar-se com Henri-Georges Clouzot em 15 de janeiro de 1950.

Henri-Georges Clouzot e Vera Clouzot

Firmado o matrimônio, a outrora Vera Gibson Amado, se torna então Vera Clouzot, a musa e principal atriz dos filmes de Henri-Georges Clouzot. Sua primeira atuação ocorrera na película “The Wages of Fear” (1953), quando passara a receber de imediato uma série de elogios da crítica especializada.
Todas as atuações de Vera Clouzot ocorreram nos filmes de Henri-Georges. Com ele, atuara também em “O Salário do Medo” (1953), “As Diabólicas” (1955), “Os espiões” (1957) e “A Verdade” (1960).

Vera Clouzot em  "As Diabólicas" (1953)

A carreira da jovem e promissora Vera Clouzot acabou por ser drasticamente interrompida em 1960, o que explica a sua curta filmografia, após esta ter sido acometida por um ataque cardíaco que a levou a óbito aos 47 anos de idade.
De uma beleza singular e caracterizada por atuações fortes e marcantes, Vera Gibson Amado, ou, Vera Clouzot, é recordada até hoje como uma das maiores atrizes de todos os tempos do cinema francês.

Ass. Rafael Prata
Mestre em História pela Universidade Federal de Sergipe

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A experiência visionária em “Machete” (2010): a eleição de Donald Trump, a construção do muro na fronteira Estados Unidos-México e a situação dos latinos em solo americano

É certo que não é de hoje que uma ala da sociedade americana tem defendido a proposta de construção de um “muro” divisor entre os Estados Unidos e o México. Tal proposta separatista quase sempre fora encabeçada por indivíduos/grupos de matriz reacionária que, em momentos de crise, procuraram sempre enxergar na presença do “outro latino” a raiz de todos os seus problemas.
Esta questão galgara tamanha força que se tornara, inclusive, uma das principais “propostas” defendidas pelo “republicano” Donald Trump durante as eleições presidenciais ocorridas neste ano de 2016. Ao apresentar-se como candidato, o milionário empresário Trump procurou então apresentar como um dos pilares de seu governo, a aplicação de uma serie de rígidas leis de imigração calcadas justamente na construção de um “eficiente” muro ao longo da fronteira Estados Unidos-México.
     Em uma entrevista concebida ao canal MSNBC, Trump anunciara, inclusive, que os gastos com a construção deste muro divisor seriam então entregues ao próprio México como parte de uma “dívida” que aqueles supostamente nutririam com os Estados Unidos. Segundo este: "É uma pequena fração do que, provavelmente, perdemos com o México. Temos um déficit comercial astronômico com o México. Fazemos tantas coisas pelo México e perdemos uma fortuna nos negócios com eles."

Trump e a sua "promessa" de construção de um muro na fronteira EUA-México

         Nesse sentido, o governo mexicano se tornaria então o responsável por aplicar uma soma de 8 bilhões de dólares a fim de arregimentar um muro divisor entre as fronteiras americanas e as mexicanas.  Em resposta a esta proposta de Trump, o ex-presidente mexicano Felipe Calderón respondera com as seguintes palavras: "Não vamos pagar um só centímetro para um estúpido muro como esse. E é preciso que saibam”.
       Ao assistir os meandros da campanha presidencial alçada por Trump não tive como não recordar da película “Machete”, do diretor Robert Rodriguez, lançado em 2010. Nascido em San Antonio em junho de 1968, Rodriguez, filho de mexicanos imigrantes, Rodriguez se tornara, desde os anos 1990, um dos diretores americanos mais reverenciados, tendo produzido uma série de películas de ação cuja temática quase sempre acaba refletindo questões políticas envolvendo as relações entre os americanos e os mexicanos.

Robert Rodriguez, Jessica Alba e Danny Trejo no lançamento de "Machete" (2010)

      O ápice desta posição cinematográfica se deu certamente com a produção da película “Machete” no segundo semestre de 2010. Contando com um elenco estrelado – nomes como Robert de Niro, Steven Seagal, Danny Trejo, Jessica Alba, Michelle Rodriguez, entre outros -, o cineasta levou as telas então a história de Machete Cortez, interpretado por Danny Trejo, um ex-agente federal mexicano, que após ser traído por seu chefe corrupto, acaba perdendo a sua filha e esposa em um assassinato cometido por um traficante de drogas.

Poster Promocional de "Machete" (2010)

       Três anos após este acontecimento trágico, Machete, agora operário, acaba aceitando então a oferta de um empresário para assassinar o Senador John McLaughin, candidato a presidência da república, cuja proposta de governo é justamente a expulsão de todos os imigrantes mexicanos e a posterior construção de um muro elétrico que impedisse a entrada daqueles.
      Ao aceitar a proposta, Machete acaba caindo novamente em um ardil, de maneira que acabou sendo usado como um bode expiatório pelo empresário e pelo senador em questão como parte de um plano que visava representar todos os mexicanos como sanguinários terroristas, a fim de convencer a população americana de que a construção do dito muro elétrico seria a melhor solução a se seguir.

Senador John McLaughin, interpretado por Robert de Niro.

    Apesar de todo o caráter “trash” nutrido pela película, repleta de mortes sangrentas e diálogos canastrões, a película “Machete” soube captar muito bem o estado da questão desses debates, discutindo é certo da sua maneira bastante peculiar à problemática questão da fronteira americana frente aos mexicanos e, sobretudo todo um “ideário” separatista simbolizado na construção de um muro divisor.
     Não sabemos se este muro será construído. O recém-eleito presidente Donald Trump ao alçar esta proposta como um dos pilares de seu governo, tem se mostrado resoluto na execução desta “promessa”.
    O que podemos afirmar é que tais medidas certamente acabarão causando um profundo estremecimento nas relações entre os Estados Unidos e o México, relações estas que historicamente nunca foram das melhores, abrindo assim espaço para um quadro de imposição de hostilidades ainda maiores para os “outros” residentes em solo americano. Mexicanos, brasileiros, porto-riquenhos, etc, tendem a serem ainda mais hostilizados, evidentemente que sem generalizar esse pensamento hostil para toda a população norte-americana, em uma conjuntura governamental que de imediato deve se mostrar cada vez mais hostil a presença daqueles.

Ass. Rafael Costa Prata.
Mestre em História pela Universidade Federal de Sergipe.



domingo, 20 de setembro de 2015

[Futebol e História] A trajetória de Lily Parr: a primeira grande “craque” da história do futebol feminino


O futebol feminino vem seguramente crescendo a passos largos, uma vez que já podemos observar um substancial aumento das ligas femininas oficializadas ao redor do mundo. Infelizmente em nosso país a situação nem de longe é satisfatória, pois o futebol feminino aqui agoniza, ainda que as meninas sempre nos encham de orgulho em praticamente todas as competições que disputem. A opção é sair do país e tentar a vida na Suécia, na Alemanha ou nos Estados Unidos, lugares onde o futebol feminino é fortíssimo.
Desde 1991 que o futebol feminino passou a contar com a sua própria “Copa do Mundo” e de lá para cá foram disputadas 7 edições sendo os Estados Unidos os maiores vencedores, com 3 títulos, seguido da Alemanha com 2 taças e da Noruega e Japão com 1.
Todo o preconceito reinante sobre o futebol feminino – a ignominiosa ideia de que futebol se apresenta como um esporte que deve ser exclusivamente praticado por homens – tem sido combatido progressivamente em nossos dias, mas certamente esta luta começou a muito tempo atrás possivelmente nos pés de uma jovem moça inglesa de nome Lily Parr.


Lily começou a jogar futebol quando tinha apenas 14 anos de idade em uma equipe amadora de sua cidade chamado St.Hellen´s Ladies. Um ano depois, em 1920, passou a trabalhar em uma fábrica de munições em Preston, Inglaterra, onde formaria então a um time com as operárias daquela fábrica.
Rapidamente Lily se tornaria a grande craque da Dick, Kerr Ladies, o nome da equipe, muito em conta por causa de sua grande força física. Conta-se que Lily chutava tão forte que em uma ocasião ao bater um pênalti, acabou por provocar a fratura de um dos braços da goleira do time adversário.
Finalizada a Primeira Guerra Mundial, realizou-se aquele que é considerado o primeiro amistoso internacional entre times femininos: a Dick, Kerr Ladies enfrentou a uma equipe francesa em quatro partidas, com duas vitorias para o time inglês, um empate e uma vitoria para o time francês. Numa das vitórias, Lily Parr marcara todos os gols de sua equipe na goleada por 5 a 1 frente as francesas.

O Dick Kerr Ladies

No entanto, em 1921 seria proibido o futebol feminino na Inglaterra, de modo que restou como solução excursionarem pelo mundo. Ao jogar em uma série de amistosos nos Estados Unidos, os jornalistas locais ficaram tão impressionados com o talento daquela moça que estamparam as páginas dos jornais afirmando que aquela se tratava da mais brilhante jogadora de futebol do planeta.
Lily Parr se despediria do futebol aos 45 anos em 1950, em uma vitoria de sua equipe frente a um time de garotas escocesas, e faleceria em 1978 vitima de um câncer. Antes de falecer, todavia, tivera a felicidade de ver a Federação Inglesa de Futebol anular aquela lei de 1921, permitindo então que o esporte fosse praticado pelas mulheres como filiadas a entidade.
Lily é até hoje reverenciada como uma das maiores jogadoras de todos os tempos. Mais do que isso, certamente fora uma mulher que lutara, dentro e fora do campo, contra os preconceitos arraigados em sociedade em relação a figura feminina. Lily Parr, que golaço!!

Ass. Rafael Prata.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Anna Karina: a atriz “francesa” símbolo da Nouvelle Vague


Talvez o título desta postagem possa parecer um enorme exagero para alguns. Todavia, não há como negar que Anna Karina foi seguramente um dos símbolos máximos da Nouvelle Vague, aka “Nova onda”, o movimento artístico-cinematográfico que revolucionaria o cinema francês a partir de finais dos anos 1950.

Curiosamente, Anna Karina não era francesa. Natural de Copenhague, Dinamarca, Hanna Karin Blarke nascera no dia 22 de setembro de 1940, mas fugira de sua casa e de seu país em direção a Paris por não se dar bem com o seu padrasto. Assim, em 1958, aos 18 anos de idade, Anna Karina chegava a França sem falar o idioma e sem trabalho.
Um certo dia ao caminhar pelas ruas acabou por ser abordada por um agente de modas que a considerou apta para se tornar modelo. Passou então a posar para fotos e atuar em comerciais para a televisão. E foi ai então que ao assistir a um desses comerciais o jovem cineasta Jean-Luc Goddard ficaria abismado com o seu talento, tendo convidado-a então para participar dos seus próximos filmes.
Nesse ínterim, acabaram por se apaixonar e então casaram. Iniciou-se uma das maiores parcerias da história do cinema, que duraria de 1961 a 1967, quando o relacionamento terminara; filmaram juntos então a uma série de películas de sucesso como “Uma mulher é uma mulher” (1961) “Viver a Vida” (1962), “Alphaville”(1965), “O demônio das onze horas (1965), etc.

Anna Karina em "Viver a Vida" (1962)

Com outros gênios do cinema francês, Anna Karina atuara em La Ronde (1964) de Roger Vadim e A Religiosa (1967) de Jacques Rivette. A sua capacidade marcante de unir tão perfeitamente a beleza com a personalidade forte de uma mulher independente era tanta que em 1967 o músico e compositor francês Serge Gainsbourg produzira então uma comédia musical em sua homenagem intitulada “Anna”, tendo esta atuado na peça.
Fora da “Nouvelle Vague”, Anna Karina atuaria no NeoRealismo Italiano de Luchino Visconti em “O Estrangeiro” (1967), película homônima a obra literária do francês Albert Camus.

Anna Karina em "O Estrangeiro" (1967) de Luchino Visconti
Anna Karina continuaria a sua carreira atuando em uma série de películas de variados diretores. Por certo, repetimos, a sua capacidade de conferir as suas personagens uma beleza doce em contraste a personalidades profundamente marcantes acabou por lhe conceber uma cadeira cativa como uma das maiores atrizes da história do cinema mundial.
Certa vez, perguntado sobre a inspiração para compor a personagem Mia Wallace do filme Pulp Fiction, o diretor Quentin Tarantino respondera que não tivera outra se não a da personagem de Anna Karina na película “Bande á part” (1964).
Hoje em dia, Anna Karina continua firme e forte aos 74 anos de idade, viajando pelo mundo a fim de receber as homenagens devidas em inúmeras amostras na qual se projetam uma série de filmes em que atuara. Ta aí uma atriz que, como sua personagem, certamente soube viver muito bem a sua vida!

Ass. Rafael Costa Prata.

sábado, 30 de maio de 2015

Uma ode aos anos 1980/1990: que saudade daqueles “bons tempos” das locadoras de VHS

      
    É bastante provável que eu seja criticado por conta do teor desta postagem. Alguns leitores certamente me considerarão um nostálgico em excesso, enquanto que outros poderão até me taxar de hipócrita. Pode ser até que eu realmente seja um nostálgico inveterado, hipócrita seguramente não sou. Ditas estas palavras, caro leitor, tratarei agora daqueles “bons tempos de locadora”.
Para que vocês possam compreender com exatidão o que denomino “bons tempos”, peço-lhes que ao menos momentaneamente ignorem, por mais difícil que isto seja, todo o incomensurável quadro de inovações que se tem observado frente aos aspectos áudio-visuais dos filmes atuais e sobretudo da  louvada “logística” que cada vez mais nos cerca e nos permite um acesso cada vez maior a estas produções. Esqueçam tudo isso em favor da subjetividade.
Dito de outra maneira, é preciso que você leitor ignore momentaneamente a enorme facilidade com que nos deparamos hoje em dia para ter o acesso aos filmes, seriados, e etc, tudo isso na ponta dos nossos dedos através do computador ou no sofá de casa diante do netflix.
Tudo isso é muito bom, eu sei, mas eu quero evocar aqui uma outra época. Naqueles “bons tempos” certamente não existia toda esta comodidade e muito menos a capacidade de acesso a uma incontável quantidade de películas oriundas de todas as partes do mundo. Naquele tempo,  os anos 1980/1990, dependíamos do estoque manjado e repetido de filmes disponibilizados por aquela locadora situada em nosso bairro. É claro que vez ou outra chegavam alguns lançamentos, porém, para termos acesso demorava-se uma eternidade, uma vez que a procura por essas “joias” era sempre grande.
Pouquíssimos e repetidos filmes, era o que contávamos. Talvez a disponibilidade pudesse ser acrescida quando aquele ousado primo se registrava em locadoras de algum outro bairro. Aí certamente era dia de festa pois nos veriamos possivelmente diante de um outro acervo de películas. Foi o caso do meu irmão, Marcelo, que no afã de conseguir o acesso aos filmes dos “Trapalhões” que não constavam na locadora do nosso bairro, acabou por se registrar numa outra locadora, fora do bairro, por saber que lá se encontravam aquelas “raríssimas” fitas da trupe do Didi. Não me lembro se ele retornou a locadora para alugar outros filmes. Creio que não. Foi coisa de fã mesmo. Os trapalhões, bastava ter o acesso a esse conteúdo. Recordo-me também de quando passava os fins de semana na casa do meu primo Thiago para então alugarmos as VHSs da locadora de seu bairro.
De qualquer forma, naqueles “bons tempos” era costume a gurizada se reunir nos finais de semana para locar e assistir os ditos filmes de sempre. Era dia de assistir ao mesmo episódio de Changeman e ao mesmo VHS de “O Retorno dos Mortos-Vivos” pela centésima vez, sempre como se fosse a primeira. Na outra semana, o esquema se repetia, talvez alterando-se apenas os filmes escolhidos, os quais certamente já haviam sido assistidos em demasia anteriormente. Ah, parabéns Dona Acácia (minha mãe)! A senhora chegou a ganhar um grande prêmio (uma caixa de chocolate) por ter sido a pessoa que mais alugou VHSs em um ano! Que vício hein! 
Saudades da senhora, dona Helena! Como será que a senhora está? Bons tempos de quando a Senhora era dona da Telecom!
Nesses tempos era tudo muito limitado mesmo. Hoje nós temos o acesso ilimitado a tudo aquilo que desejamos assistir. Um click, um download feito: filme. avi. Claro que hoje em dia é tudo muito melhor! Provavelmente em um mês consigo assistir a mesma quantidade de filmes que assistia em 1 ano naquela época. Filmes da Dinamarca, da África do Sul, do Canadá, enfim, de qualquer parte do globo. Naquela época, sem chances!
Naqueles tempos a gurizada construía a sua própria locadora de VHS. Meu irmão Marcelo tinha a dele. O armário repleto de fitas enfileiradinhas e devidamente numeradas. Lembro-me até hoje que a fita de número 079 era a do filme “A Volta dos Mortos Vivos” (1985), um dos filmes preferidos da minha infância. Marcelinho ficava atento a televisão. Chamada do Intercine. Aliás, saudades de você também Intercine! Se o filme fosse do agrado, dava REC no velho videocassete e gravava o filme. Acho que ele chegou a ter umas 100 fitas. Não sei se exagero. Tinha até uma agenda organizadora, explicando quais filmes se encontravam gravados em cada uma daquelas fitas. Marcelinho devia ter lá pelos seus 13 a 15 anos quando era viciado em gravar VHS. Eu só assistia.
Mas ai o tempo passou. A tecnologia dos DVDs chegou e as locadoras conseguiram resistir só por mais um tempinho. O que será que a senhora faz da vida agora, dona Helena?! E os funcionários daquela época?! 
Toda vez que passo em frente ao que foi o estabelecimento da Senhora, me ocorre um misto de tristeza com alegria. Que flashback! Será que ainda tem as VHS dos Changeman lá dentro?! 
É, eu admito. Sou um nostálgico inveterado. Sim, hoje os tempos são melhores. Seria hipócrisia negá-lo...
... Mas que saudade eu tenho de Dona Helena!

Ass. Rafael Prata
Mestrando em História na Universidade Federal de Sergipe

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Shiro Ishii e a Unidade 731: a nefasta história da “Auschwitz asiática” e do seu “Josef Mengele Japonês ”.


Todo mundo conhece as atrocidades cometidas pelos nazistas em seus campos de concentração durante a segunda guerra mundial. Auschwitz, localizado ao sul da Polônia, foi um dentre tantos campos no qual se realizaram uma série de barbáries contra os judeus, homossexuais, ciganos, e etc.
Num dos complexos que formava a rede Auschwitz-Birkenau, operava o “Anjo da Morte”. Tratava-se de Josef Mengele, o oficial médico chefe daquele complexo. Ali, Menguele efetuaria uma série de atrocidades frente a uma série de cobaias vivas. Injeção de tinta de caneta nos olhos, desmembramento de corpos vivos, testes com gêmeos (sua fixação), e etc. A lista das atrocidades cometida por Menguele é interminável, assim como a de todo o corpo do nazismo.
Infelizmente, ao que parece, tais condutas não foram exclusivas deste nefasto médico nazista, uma vez que naquele mesmo momento, a mesma conduta era realizada pelo microbiólogo japonês Shiro Ishii, conhecido como o “Mengele Japonês” por conta das atrocidades que cometera durante a chamada guerra sino-japonesa (1937-1945).

Shiro Ishii: o "Josef Menguele Japonês"

Comandando a Unidade 731 do Exército Imperial Japonês,  oficialmente conhecida como o Departamento de Prevenção de epidemias e purificação da água, o microbiólogo acabou por realizar uma cadeia de atrocidades indescritíveis.

Fotografia áerea da Unidade 731

Utilizando-se de presos de guerra soviéticos, filipinos e de outras nacionalidades, os cientistas de Shiro Ishii realizaram vivissecções de pessoas vivas, retirando-lhes os órgãos, sem anestesia, para testar a resistência daqueles até a hora da morte. Colocavam pessoas sob condições absurdas de temperatura, em câmaras de descompressão, e etc. Ademais, introduziam nas pessoas doenças como tifo, cólera, peste bubônica e etc.

Os Cientistas de Shiri Ishii em um de seus nefastos experimentos


Tudo isso foi levado as telas na fortíssima película “Campo 731 – Bactérias, a maldade humana”, uma produção chinesa de 1988. Nesta película, são “reconstruídas” uma grande parte dos experimentos realizados neste campo de concentração japonês com uma verosimilhança que assusta e provoca ânsias de vomito. Certamente não é um filme fácil de se assistir. O triste é imaginar que trata-se de algo que acontecera realmente.

"731: Bactérias, a maldade humana (1988)"

Após a segunda guerra mundial, tais atrocidades acabaram sendo acobertadas por um longo tempo, mas as barbáries de Shiro Ishii e de seus cientistas na Unidade 731 lentamente foram descobertas.

Ass. Rafael Prata

Mestrando em História na Universidade Federal de Sergipe

sábado, 16 de maio de 2015

Cannibal Holocaust (1980): o filme de terror mais polêmico de todos os tempos

Imaginem um diretor de cinema sendo preso logo após a produção de um filme sob a acusação de assassinato de sua trupe de atores... Pois é, foi o que aconteceu com o cineasta italiano Ruggero Deodato logo após o lançamento de sua famigerada película Cannibal Holocaust nas lides de 1980. Deodato foi preso ao ser acusado de ter produzido a morte de seus atores e de uma centena de animais nessa película.
De fato, o conteúdo da película permite estas suspeitas, pois realmente é tudo muito real neste snuff movie.  O filme descreve a história de quatro documentaristas de tribos indígenas que partem em direção a Amazônia para filmar as tribos daquela localidade. Ali chegando acabam sendo vítimas do canibalismo dos índios. Um antropólogo se encaminha então para saber do paradeiro daqueles, conseguindo recuperar a filmagem efetuada por aqueles documentaristas desaparecidos.



Bom, tem que ter pulso pra assistir ao filme todo sem pular as cenas de atrocidades (eu não consegui). São 95 minutos de toda ordem de trucidamentos humanos e animais que, como mencionei, parecem muito reais. Daí então a necessidade de Deodato de se justificar perante a justiça, provando cena a cena que tratavam-se de efeitos especiais. No dia da audiência, os atores tiveram, inclusive, que adentrar na corte italiana para demonstrar assim que encontravam-se vivos. O curioso é que esta “suspeita” foi planejada pelo próprio diretor, o qual havia ordenado contratualmente aos atores da película que aqueles “sumissem” após a produção da película, para reforçar esta impressão. Infelizmente o cineasta italiano, no afã de sua maluquice, efetuou mesmo uma série de barbaridades com animais durante a produção do filme, tendo dito, anos após ao filme, que se arrependera desta questão.
A película acabou sendo proibida na própria Itália, no Reino Unido, e em 33 outros países do mundo, se tornando, por consequência, um dos filmes mais “cultuados” por amantes do terror extremo.

Ps. O trailer da película: 



Ass. Rafael Prata
Mestrando em História na Universidade Federal de Sergipe

segunda-feira, 4 de maio de 2015

[Futebol e História]: Teria sido o craque austríaco Matthias Sindelar uma vítima do Nazismo?

Ele era o melhor jogador da seleção austríaca de futebol na década de 1930, e seguramente um dos melhores jogadores de todo o mundo. Matthias Sindelar, conhecido como “The paper-man” por conta de sua magreza, encantava com a sua alta velocidade, capacidade de drible e faro de gol, ao público por onde passava.
No auge de sua carreira, aos 30 anos de idade, participa então da Copa do Mundo de 1934, realizada na Itália sob o regime do fascista Benito Mussolini. Ajudando a sua equipe, Sindelar leva a Áustria a quarta colocação no torneio, até hoje a melhor desta seleção em copas do mundo. Após a Copa, Sindelar continuara a sua carreira defendendo o Áustria Viena, e como também, a sua seleção a obter a classificação para a copa seguinte, que seria realizada em 1938 na França.
Mas acontece que, no inicio daquele dito ano de 1938,  a Alemanha nazista anexaria a Áustria aos seus territórios. Como consequência, os craques daquela seleção austríaca de 1934 acabaram sendo “convocados” a integrarem o time alemão naquela dita copa. Grande parte dos jogadores austríacos aceitaram, no entanto, Sindelar se recusara afirmando que estava acometido por uma grave contusão.


O Curioso é que Hitler organizou uma partida para comemorar a anexação da Áustria a Alemanha, partida esta que ao fim seria a última de Sindelar por sua seleção. Sindelar barbarizou na partida, e ao marcar o primeiro gol, comemorou efusivamente diante da tribuna em que se encontrava Hitler, que ficou com enorme raiva daquele “ousado” jogador que além de zombar, estava se recusando a participar do escrete alemão.


No inicio de 1939,  Sindelar seria encontrado morto com a sua namorada Camilla Castagnola em seu apartamento em Viena. O Laudo realizado indicaria uma morte acidental por conta de uma asfixia causada pela inalação de monóxido de carbono, todavia, sua morte também levantaria uma série de suspeitas “alternativas”. Consta-se que Sindelar já estava sendo investigado pela GESTAPO, a policia secreta do Reich, tendo na sua ficha sido classificado como “pró-judeu”, e inclusive, sua suposta origem judia sido posteriormente apagada.


Sindelar morria assim aos 35 anos de idade, sendo enterrado então no mesmo cemitério em que se encontravam sepultados Beethoven, Straus e Schubert.

Ass. Rafael Prata

Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe
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