sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Mario “Cantinflas” Moreno: o "homem mais engraçado do mundo", por Charles Chaplin



De certa forma, o falecimento do genial comediante e roteirista mexicano Roberto Gómez Bolanos acabou por “reacender” a memoria em torno de outra grande figura cômica mexicana: Mário “Cantinflas” Moreno. De imediato,  uma grande quantidade de textos acabaram sendo criados na maioria das vezes com o propósito de colocar em debate uma certa comparação entre ambos os cômicos, para saber “quem foi o maior” entre eles.
Conversa vai, conversa vem, e a polêmica, totalmente desnecessária, permanece sem resposta. O que dá para responder, e isso sem sombra de dúvidas, é que ambos os cômicos representam o supra-sumo da chamada comédia de “crítica social” mexicana. Certamente Cantinflas e Bolanos foram os maiores expoentes desse gênero, possuindo, entre suas particularidades, mais aproximações do que diferenças no modus operandi de fazer comédia, e isso explica a amplitude que obtiveram em suas carreiras, as quais, de certo modo se encaminhariam por vias um pouco “diferentes”: Bolanos, apesar de ter participado de filmes, foi um gênio da comédia televisiva, enquanto que Cantinflas foi um genial cômico dos cinemas mexicanos.
     Mas quem foi Mário Moreno, o “Cantinflas”? Nascido na Cidade do México em 1911, Mário Moreno foi o maior comediante cinematográfico mexicano, tendo sido apontado por nada mais, nada menos que Charles Chaplin, que o conhecera pessoalmente, como o  “homem mais engraçado do mundo”.

Cantinflas, o alter ego de Mário Moreno

     Seu apelido “Cantinflas” teria nascido da expressão “cuan inflas”, que em outras palavras seria o resultado de uma característica de seus personagens: falar muito, se embolar em meio as palavras, e no fim não falar nada.
     Oriundo do mundo dos circos populares, Cantinflas levou para as telas do cinema mexicano, a mais pura expressão da realidade social da qual ele próprio nascera, o que explica a sua ascensão rápida e o sucesso em meio ao público popular. Seus personagens quase sempre representavam o mesmo modelo: um sujeito simples, esperto e de bom coração que em meio a sua ingenuidade procura subir na vida por meio de seus próprios esforços.

"Se eu fosse deputado", um dos clássicos filmes de Cantinflas

     O Cinema de Cantinflas é sobretudo um cinema de extrema crítica social. Películas como “Se eu fosse deputado”(1951) e “O Analfabeto” (1961), além de outras tantas películas, dão a tônica exata de sua produção cômica permeada de olhares críticos, onde a miséria, a fome, a pobreza, os desmandos políticos e a educação aparecem sempre em primeiro plano.
     Cantinflas era o Carlitos Chapliano de Mario Moreno. Seu sucesso foi tamanho que em 1956 o comediante foi convidado para participar do aclamado filme hollywoodiano “A Volta ao mundo em 80 dias”, baseado na clássica obra de Julio Verne, quando ganhou o “Globo de Ouro” para melhor ator, surpreendendo e abrindo os olhos do mundo para aquele genial comediante.

Cantinflas em "Volta ao Mundo em 80 dias" (1956)

     Quem foi mais genial? Não sei, e sinceramente não me preocupo em achar uma possível resposta para tal. Ambos foram sensacionais em seus campos de atuação, moldando um cinema crítico e de enorme amplitude frente a sociedade. Aliás, ambos chegaram a trabalhar juntos, pois em 1966, Cantinflas chegou a escolher os roteiros de Bolanos para uma série televisiva chamada “Os Estudios de Cantinflas”, mas a série acabou não saindo do papel.
     Cantinflas faleceu em 1993, com câncer de pulmão, mas até hoje sua fama permanece no México, e além dele. Nesse próximo ano de 2015, o cinema mexicano disputará ao “Óscar de Melhor filme estrangeiro” com a película “Cantinflas – a magia do Cinema”. Nada mais justo para quem foi tão genial.



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