terça-feira, 29 de março de 2011

O Homem Mosca....

...foi como costumeiramente ficou conhecido e apelidado o grande comediante Harold Lloyd no decorrer de toda a sua carreira gloriosa. Com certeza ainda para muitos, este nome também não deve soar conhecido, mas a despeito desta menção, Lloyd, que também era chamado de "O Garoto" devido ao alter ego de suas personagens com feições e atitudes mais juvenis, entrou para a história como um dos maiores comediantes que o nosso Cinema já encontrou.

Harold Lloyd, em sua feição mais típica.
Se pudessemos imaginar e mentalizar uma trindade sagrada da era de ouro da comedia no cinema mudo, encontraríamos então Harold Lloyd ao lado dos supremos Buster Keaton e Charles Chaplin, os quais para mim de tão geniais e absurdos como foram, podem ser caracterizados, com o perdão da heresia e/ou apostasia, como sendo faces únicas, ainda que diferenciadas, de um mesmo ideal supremo, quase sacro  do que se torna a essência maior da comédia.

Encontrar-se dentro de tamanha magnitude significa então alcançar um posto que com certeza não foi  concedido e conquistado por um qualquer, que em vida não tivesse colhido as honras necessárias e justificadas para tal posição.

Lloyd e seus óculos tão caracteristicos.
Harold Lloyd, com absoluta certeza, foi um dos grandes gênios da comédia em toda a sua dimensão histórica. Seu apelido clássico que nomeia o titulo desta postagem, "O Homem Mosca", nasceu justamente da caracterização de seu personagem mais popular chamado de "O Garoto", que foi composto como um misto de sujeito caipira, idealizador, ingênuo, mas, sobretudo, de extrema força de vontade, esperança e esperteza. Isso tudo é claro somado a altas doses de azar e mais ainda de confusões que engendram o modo desajeitado e repleto de atos desastrados desta personagem.

Tal personagem foi cunhado então encima de um semblante fácil que o imortalizaria também dentro do gênero: Lloyd seria um sujeito do interior, que de lá partiria para a cidade, para vencer naquela, através de um ideal de vencer na vida, representando com toda graça e infortúnios que poderia existir, a vida e os sonhos de inúmeros jovens do campo que seguiam o mesmo caminho em suas trajetórias.

Assim por exemplo nos é apresentado "O Garoto" em sua obra mais conhecida chamada "Safety Last", de 1923, que em português foi traduzida justamente a partir de seu apelido, sendo então denominada de "O Homem Mosca".

Capa de Safety Last, 1923.
A partir desta obra, podemos perceber além de toda a magnitude de Lloyd, também o tipo ideal da personagem, que se caracterizaria justamente por uma absurda habilidade física e por uma capacidade enorme de resolver por sua sagacidade, a inúmeras situações conflitantes do dia a dia. Desta maneira, muito inspirado no Live Action Comedy ou no gênero Vaudeville incorporado nas obras de Buster Keaton, Lloyd também desenvolve um personagem muito rápido, sagaz e acima de tudo flexível.

Também não poderia deixar de ressaltar justamente o que torna Lloyd mais cômico e até de certa forma um fato que sendo de sua autoria nos apresenta uma inovação: Seu personagem pode ser entendido como um certo adolescente ou até no maximo um jovem saindo desta fase. Se as personagens de Chaplin e Keaton são também jovens, mas podem ser considerados adultos mais maduros, a personagem central de Lloyd, por seu físico, por suas vestimentas e principalmente pelos espaços apresentados durante seus filmes e por seus sonhos, podemos apontá-lo como um adolescente.

Não obstante, Lloyd recria inúmeras situações que vão desde a entrada do jovem na faculdade retratada no filme "O Calouro" de 1925, como também a outros momentos que demonstram sua pouca idade a qual aparece na película intitulada "O Caçula" de 1927. 

Lloyd praticando Futebol Americano na Universidade retratada no filme "O Calouro" de 1925.
Marcado por seu rosto adolescente, quase que ligeiramente quadrado, com seu óculos característico e seu chapéu de feltro, a personagem de Lloyd torna-se então símbolo de um verdadeiro ideal americano de outrora que representava a vontade nata de vencer na vida a qualquer custa, passando por cima de quaisquer desafios que porventura estivessem a prova, colocando-o até em sérios riscos de vida.

Lloyd: Um desajeitado jovem sonhador.
Por conseguinte durante a execução de "Safety Last", o jovem destrambelhado e desajeitado que saído do interior para vencer a vida na cidade, procurando enricar para assim pedir a mão de sua amada noiva, acaba por se meter em variadas confusões, ao passo que nos é dado o momento épico de sua transformação em Homem Mosca durante o desenlace final da obra, que por aqui não fiz questão de detalhar justamente para não tirar-lhes o gosto e a vontade de acertá-la. 

Lloyd em uma das cenas mais clássicas e formidáveis da história do Cinema, acaba então escalando um prédio comercial até o seu ultimo andar, até que acaba pendurado em um relógio. A Cena é absurdamente hilária, e como tantas outras no decorrer deste filme e de outros, acabou por imortalizar esta figura tão simples e ao mesmo tempo cômica na história do Cinema.

Lloyd pendurado no Rélogio: O Momento mais cômico da Obra.
Por assim dizer, Harold Lloyd apresentava um alter ego sonhador, típica de qualquer jovem de ontem e de hoje, que diante de seus sonhos muitas vezes se mete em enrascadas, mas que persistindo no sonho, prefere tentar ainda que não saiba os riscos imediatos, a desistir.

Enfim, esta postagem segue a titulo de menção a mais uma grande personalidade da Comédia mundial e também obviamente do Cinema em toda a sua extensão. Quem ainda não viu suas obras, não se desespere, pois ainda é tempo, e seus filmes podem ser encontrados até com certa facilidade. Sugiro a todos que assistam primeiramente a Safety Last ou como já referido como seu titulo de tradução, ao filme quase biográfico da personagem, O Homem Mosca.

Daí por diante, a diversão e os sorrisos são mais do que garantia. Podem confiar! 

 Time to Fly ! Homem Mosca!

quinta-feira, 10 de março de 2011

O Pequeno Shakespeare


          Chover no molhado. Foi à primeira expressão que me veio à mente quando em resoluto decidi que não iria levar a diante essa postagem. Sim porque escrever sobre uma personalidade cômica de reconhecimento tão acentuado em todo o mundo, e em especial na América Latina, poderia se tornar mais um exercício de repetição, contudo, deixando esses entraves de ordem especulativa de lado, eis que decidi trazer a tona apenas um comentário sobre Roberto Gomez Bolanos e sua importância artístico-histórica para o cenário latino-americano.

         Não se trata de alçá-lo de um comentário tão profundo sobre suas qualidades, inovações ou sobre suas principais obras que são tão reconhecidas e identificadas no seio do nosso imaginário que seria totalmente desnecessário efetuar por aqui tais observações. Atenho-me apenas, repito, aos aspectos mais sutis de toda a sua trajetória, dando destaque as suas influências e sobre como Bolanos sobre inteligentemente torna-se um cômico que refletia as realidades sociais da nossa América mais pobre, com toques de doçura e de extrema realidade, em seus mais conhecidos trabalhos.

          Há um ditado que diz: “Todo palhaço sempre chora antes de dormir”.  Talvez por isso, os grandes gênios da comédia de toda a nossa história, souberam converter realidades sociais absurdas que mais se assemelhavam a grandes tragicomédias da vida real, sabendo daí transformar toda a dureza em um grande conjunto de obras, de alter egos, enfim, uma produção artística incomensurável que ao mesmo tempo torna-se de singela delicadeza cômica, como também traz a tona praticamente aspectos autobiográficos muito marcantes e fortes.

"Todo Palhaço chora antes de Dormir"


           Exemplos disso não faltam, e claro que não se trata de uma regra geral, mas é quase impossível não levar em conta que os grandes vultos da comédia mundial se encaixam ou se encaixaram perfeitamente neste modelo.

         Afinal, todo mundo conhece um Charles Chaplin das telinhas do Cinema que projetou em seu alter ego mais famoso, a personagem Carlitos, retratos ao mesmo tempo cômicos e mais ainda autobiográficos de sua infância conturbada, onde teve de sobreviver às duras penas, órfão de pai, e filho de uma mãe com problemas mentais. Ora, até que ponto Carlitos não é o proprio Chaplin sorrindo para as suas desgraças do passado?

Carlitos ou Charles Chaplin: Real ou Fantasia?



Em seu filme “O Garoto” de 1921, ele nos conta a história do vagabundo Carlitos, tentando tomar conta de uma criança órfã encontrada nas ruas. Sempre o tema do abandono e do “ser órfão” aparecia nas películas de Chaplin. Ele soube superar através de seu talento maximo, e alcançou um patamar que na minha opinião o eleva ao maior gênio da história da humanidade. Bom, Chaplin é Chaplin, não há o que discutir.

Carlitos e o Garoto


         De igual maneira sobreveio o talento de Buster Keaton, filho de uma família de trapezistas e comediantes do circo de comédias de variedades ou o chamado “Vaudeville”, que soube vencer uma infância atribulada com relação às crises de seu pai, para alçar vôos mais altos.

Buster Keaton: Também uma Infância muito dificil.


                Procurando em nossa realidade, eu vos cito o grande Sebastião Bernardes de Souza Prata.  Quem seria? O nosso genial e sublime Grande Otelo. Nasceu negro em um momento em que a sociedade brasileira ainda exprimia doses diretas de preconceito e onde a inclusão artística também se tornava difícil, tivera desde o berço uma infância trágica. Seu pai, quando este era ainda criança, morreu esfaqueado, e sua mãe era alcoólatra. Grande Otelo sobrevivia fazendo comédias e gracinhas nos barzinhos e nas gafieiras do Rio de Janeiro. Desse pano sombrio sobreveio talvez o maior artista de nossa história, reconhecido em todo mundo, a ponto de ter sido convidado pelo aclamado Orson Welles em 1942 para participar do filme “Its all true”. Seus personagens também refletiam traços autobiográficos como malandros de gafieiras tomados pelo alcoolismo e pela melancolia.

Grande Otelo: Orson Welles veio conhecê-lo.
           Enfim, eu poderia ficar aqui eternamente falando sobre cada uma destas personagens, o que nos tomaria o maior tempo do mundo, e também acaba por ser injusto, ficar um ou outro de fora, o que obviamente aqui não me ocorreu à intenção. Dentre vários, quisera citar alguns exemplos que me pularam à mente em instantâneo momento.
         Mas sim, não são os únicos, são apenas uma parcela reduzida de uma lista enorme a ser um dia, e desejo assim, ser comentada.
         Não obstante, a pobreza e as mazelas da infância tornam-se uma realidade tanto na Europa, no Brasil, como também em outras regiões marcadas tão duramente pelo fenômeno como podemos imaginar. O México é uma delas. 
        Estereótipos a parte qual a imagem mental que refletimos ao pensar esta nação? Com certeza a conquista brasileira do tricampeonato mundial do Mundo em 1970, mas também e mais ainda considero a elevação de um grupo de comediantes que acabaram por se tornar símbolos da infância de todos, e aqui ainda continuam emergindo nas nossas mentes, como que marcados por uma química eterna, que não se desfaz e que continua irradiando emoção e alegria para nossos filhos, netos e assim por diante. 
        A pergunta afinal é : Qual o segredo da trupe de comediantes comandada por Roberto Gomez Bolanos?
       Talvez o maior segredo, é não ter segredos.  A Simplicidade quando abarca um talento puro traz a tona o sucesso. É dessa premissa que eu me pergunto qual foi o grande “toque real” de um sujeito baixinho, que media menos de 160m, chamado Roberto Gomez Bolanos, para emplacar por mais de 30 anos um sucesso tão forte e mundialmente conhecido como são suas series de comédia?
Bolanos: Um Baixinho de enorme talento.
            Obviamente que todo este sucesso não nasceu sozinho, teve participação direta de outros gênios da comédia mexicana como Ramon Valdez e Carlos Villagran, mas toda a emergência do conjunto acaba nos levando a sorrir e procurar entender este baixinho mexicano, que de tão inteligente e de tal forma talentoso, passou a ser chamado por seus próximos de “Pequeno Shakespeare”, devido a sua capacidade de escrever roteiros de séries, filmes, comédias, com extrema facilidade e acima de tudo qualidade.

          “El Chavo”. Seu maior sucesso. Esta expressão significa “O Garoto ou O Moleque”, e era assim como o nosso querido personagem Chaves era apresentado na sua nação natal: “El Chavo del Ocho”. Exibido inicialmente a partir de 1970, a serie “El Chavo” até hoje atinge índices exorbitantes de lares e fãs em todo mundo, sendo imediatamente um recorde a ser reconhecido, pois se trata de uma serie cômica de pequenos investimentos, datada de quarenta anos atrás, e oriundos de um mercado pouco reconhecido, como é o mexicano.

         Mas Chaves continua mais do que nunca na ativa. Mais realista, mais autentico e contemporâneo do podemos imaginar. Por que esta obra não perde sua credibilidade, originalidade ou até sua graça? 

         Ora, porque ao assistirmos Chaves nós nos encontramos diariamente com nada menos do que nossas realidades, ou pelo menos, ao que se encontra ao nosso redor. Chaves é um garoto órfão, mendigo que vive dentro de um barril, e que diante de suas atrapalhadas do dia a dia, mendiga o pão de cada dia para sustentar sua fome, dentro de uma realidade, de um ambiente que também nada se diferencia dos primórdios de uma favela, que é a Vila onde todos moram.

Chaves em sua Moradia: Um Barril


               Ainda nessa sobrevivência atordoada, Chaves nos dá inúmeras lições de moral, obviamente que adocicadas, mas que nem por isso não nos emocionam, ou quem nunca ficou ao menos sensibilizado com os pedidos de comida de chaves, ou quando este foi acusado de ladrão, ou mais ainda quando em um episodio épico, este morrendo de fome, se recusa de comer, oferecendo seu pão ao também de situação critica, um senhor desempregado, que não paga seu aluguel em dia, carrancudo mas que no fundo é de coração puro, chamado seu Madruga?

Chaves e seu Madruga: Um Companheirismo baseado em Amor e Odio.
         Pode parecer clichê, mas não é, e é justamente desse tipo de criação direta e ao mesmo tempo doce e que como pano de fundo sempre traz um sentido de esperança e que tudo pode mudar, que enlaça todo o sucesso da serie Chaves e o carinho que todos sentimos por ela.
        Afinal, temos ou não um retrato tão direto e incisivo das nossas realidades? 

        Pobreza, desemprego, mazelas, abandono... criatividade na arte de sobreviver, esperança por um dia melhor.


       É por isso que Chaves fez e faz tanto sucesso em toda a América Latina, não só o Brasil, como também no Peru, Colômbia, Venezuela e etc. Pois somos todos uma grande nação envolta basicamente nos mesmos problemas sociais, uns mais fortes e mais marcantes, e outros menores, mas todos com a mesma raiz e a mesma situação.

Periferia: Um Quadro social.
           A parte este contexto social, Roberto Gomes Bolanos é um sujeito de extrema inteligência que se torna evidente ainda que seus programas de comédia tenham sido evidentemente de investimentos mais limitados.
          
            Grande gênio idolatrado no México, sua inspiração artística retoma ao seu grande ídolo que foi Charles Chaplin, como também aos outros gênios da comédia onde visivelmente podemos perceber influências, como o proprio Buster Keaton como também Harold Lloyd. Uma comédia sutil, doce, também de variedades, com um palco moral e social maior até do que podemos supor.

           Em alguns episódios de sua segunda obra tão conhecida quanto foi Chaves, intitulada “Chapolin”, Bolanos nos leva a um anti-herói mítico, medroso e covarde, mas de coração puro. Em boa parte dos episódios, demonstrando sua capacidade intelectual, as histórias nos levam a grandes fatos históricos como a relação entre Cleópatra e Julio Cesar, como também a grandes lendas da literatura mundial como "Romeu e Julieta", do proprio Shakespeare, "Guilherme e Tell", e também o clássico "Branca de Neve", demonstrando como Bolanos era um artista imensamente versado e fazia por merecer seu titulo de “Pequeno Shakespeare”, de onde vem o termo Chespirito.

Chapolin: Bolanos em uma Satira a Hitler.

          Sendo assim, eu encerro por aqui este breve comentário, mais uma vez homenageando da minha parte a um grande comediante, que já não precisa mais ser condecorado, mas que ainda assim não poderia também deixar de estar no hall dos grandes gênios da comédia, tal qual aquele garoto órfão inglês, cujo Bolanos era maior admirador, e que a partir deste, eu encerro a postagem, com uma homenagem do mesmo Bolanos ao grande Chaplin.




 " Todo Palhaço chora antes de dormir.."
Mas sempre faz sorrir.


Ass: Rafael Costa Prata
Graduando em História pela Universidade Federal de Sergipe.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Ode ao doce gênio quase esquecido..

Era Dezembro de 2010 quando ao retornar da Universidade e ainda dentro do ônibus conversava com o Professor Eduardo Pina, que como sempre, manteve a ótima e inovadora proposta de conceder um curso de verão cuja temática versaria a respeito da História do Cinema, procurando abordar as estéticas cinematográficas, os grandes precursores, artistas, enfim, tudo que concerte a dimensão histórica e artística da “Sétima Arte”.
Ali conversamos brevemente sobre a importância do Cinema para o entendimento histórico, sobre como os filmes podem ser um tipo de discurso histórico produzido em um determinado tempo especifico, e que sendo o historiador um estudioso dos pensamentos, ideologias e representações, em suma, das consciências históricas, cabe a ele também estar por dentro desta forma particular de produção de saberes.
Mas enfim, esta breve introdução serve também como um agradecimento ao professor que com toda paciência e gratidão ofereceu esta necessária matéria aos alunos, mas também para fazer um elogio quase que despercebido, pequeno para um grande ídolo, que para a minha felicidade, foi contemplado pela turma, com aplausos, sorrisos, como em toda sua vida, acabou sendo a sua especialidade.
Com toda certeza, de todos os aprendizados a qual ainda estou passando no decorrer da disciplina, que ainda está em curso, poder levar uma obra magnífica de um grande ídolo, que ainda que seja reconhecido, acabou não tendo da História e dos homens que a compõem,um devido reconhecimento à sua altura.
 Estou me referindo ao “Homem que nunca ri”, ou simplesmente Buster Keaton. Com certeza esse nome é incomum ou desconhecido para alguns de vocês que estão lendo este comentário, como também assim era para mim antes de algum pouco tempo atrás ter me deparado com sua obra, e ter me tornado seu fã, admirador de toda a sua vida, e de sua obra, a ponto de hoje está aqui escrevendo, ou procurando seus filmes mais antigos para assistir ou até para legendá-los caso ainda não o tenham sido.
Mas enfim, já ficou claro o caráter passional deste comentário, e com certeza vocês já devem estar se perguntando quem foi esse tal de “Buster Keaton” a que me refiro. 
Keaton com sua face imovel clássica: " O Homem que nunca ri"

Como resposta, e com muita calma eu vos digo, sabendo que causando polêmica estou, Buster Keaton na minha humilde opinião, e também para muitos, é o maior comediante  burlesco e lúdico de todos os tempos. Eu sei que muitos podem estar indignados, considerando um sacrilégio, uma heresia, o fato de para muitos, e para mim, te-lo como o maior comediante, o maior sujeito cômico, aquele que faz sorrir naturalmente, da História do Cinema, até mais do que Charles Chaplin, seu contemporâneo.
Antes que as pedras sejam atiradas, é necessário afirmar que esta opinião não é só de um amante amador do Cinema mudo como sou, mas de muitos críticos renomados do Cinema. Segundo, tanto Buster Keaton como Charles Chaplin são gênios absurdamente perfeitos da arte do sorriso, e sendo contemporâneos, as discussões atuais sempre acabam postulando uma curiosa, mas em minha opinião desnecessária colocação sobre :“Quem foi mais engraçado? Quem foi melhor?”.
Em primeiro lugar, sobre qual ponto de vista queremos entender as ditas “Qualidades”.  Cada um teve sua importância histórica especifica suas qualidades artísticas, seus problemas na vida particular, que por sinal, marcam a carreira de qualquer gênio em qualquer área. Mas, enfim, o que se deve concluir disso tudo é que um certo espírito de competitividade imposto no mundo capitalista, parece querer e tendeu a obscurecer a carreira de um a partir dos rumos do outro, como se ambos fossem rivais, o que na pratica, nunca foram, pelo contrário, eram amigos, que por sinal, juntos atuaram num dos mais belos e fantásticos filmes da história do Cinema, chamado “ Luzes da Ribalta” de autoria do proprio Chaplin.
Keaton e Chaplin em preparação para " Luzes da Ribalta"
Ao invés de nos alegrarmos de termos tido dois gênios contemporâneos atuando e participando ativamente da construção do Cinema, evidentemente com suas características particulares, algumas que se aproximam, e outras mais divergentes, sempre tendemos a reproduzir estes espectros de competividade.
Por isso tudo, essa discussão sobre quem foi maior parece inútil e descabida, quando na verdade devemos aplausos imensos a ambos, e também a outros gênios que acabaram ficando a margem dos holofotes da fama, mas que foram também fortemente geniais em sua arte e importância histórica.
Se em ultima via me fosse pedida uma decisão sobre essa irracional disputa, eu pediria a permissão ao professor Eduardo Pina para reproduzir a opinião dele que também na verdade acaba sendo a minha e a de muitos: Para mim, Buster Keaton é o maior gênio da comedia burlesca, aquela comedia mímica, não falada do Cinema Mudo, e também da Comédia em geral, que o Cinema já viu. Sua graça já é inerente em seu arquétipo, em sua “genética” como afirmou o professor. Keaton em si já é um personagem cômico. Com certeza vocês conhecem aquela pessoa que só de olhar já temos vontade de rir? Pois é, Keaton assume essa característica com a maior eficácia possível.
Quanto a Chaplin, não há o que comentar, pois todo o espaço das páginas impressas ou lidas possíveis não seria o suficiente para expressar a sua genialidade e sua importância. Trata-se do maior artista de todos os tempos. O Ser mais genial, mais sábio, mais revolucionário da História do Cinema. Chaplin é Chaplin, acho que dessa forma, encerra-se qualquer discussão. Sou partidário de que o nome “Chaplin” torne-se um adjetivo que expresse um elogio, assim como no dicionário, para outro ídolo chamado Kafka, há o termo “Kafkiano”, designando algo surreal, fantástico, inacreditável.
Keaton e Chaplin:Gênios inigualáveis
Enfim, Deus salve os gênios da comedia que nos dão a oportunidade atemporal de continuar sorrindo. Sim, porque os filmes geniais de gênios cada vez mais geniais (perdão o enorme pleonasmo) não enxergam a dimensão e as fronteiras das ventanias do tempo, pois continuam a fazer sorrir e são mais atuais do que imaginamos. Assistir Chaplin e Buster Keaton é a provação para alguns que para a arte da Comédia não é necessário “Palavras” ou “Falas”, mas a pureza de gestos simplesmente cômicos, a fantástica capacidade de por meio da montagem das cenas, da criatividade e principalmente do carisma e da veia cômica que já reside no talento individual é puramente suficiente.
Fazendo um paralelo a isso tudo, eu vos trago um caso recente, e que com toda certeza todo mundo aprecia e sorri bastante. Quase ninguém imagina quem seja o ator e comediante britânico Rowan Atkinson. Mas todo mundo conheceu seu personagem cômico “Mister Bean”. Ora, o personagem “Mister Bean”, criado em 1989, trata-se de uma criação artística que não deve nada a Comedia burlesca do apogeu do Cinema Mudo. Pelo contrário, se esta personagem foi criada por Rowan Atkinson, isso se deve a sua idolatria pelos grandes gênios da comedia, entre eles Charlie Chaplin, o também pouco conhecido Harold Lloyd, e mais ainda Buster Keaton, haja vista que boa parte dos curtas televisivos que deram fama a “Mister Bean” são releituras das obras de Buster Keaton para a comédia.
Ambos os personagens criados por Atkinson e anteriormente por Keaton possuem uma semelhança e um dote cômico idêntico, que remonta a grande qualidade do Cinema Mudo: Saber criar sorrisos a partir do efeito facial.
No começo deste comentário, eu havia me referido a Buster Keaton como “O Homem que não sorri”, e isso se deve ao fato de que seus personagens, eram em suma sujeitos que traziam gargalhadas sem nenhum tipo de antíteses faciais, ou seja, não eram personagens que variavam da alegria a tristeza, do susto a raiva, enfim, era quase que uma face única, de certa forma doce e ao mesmo tempo melancólica, que não foi assim construída sem intuitos.
Keaton sabia que o efeito de seriedade no seu alter ego cômico traria mais sustância e mais graça as ações do desastrado Johnnie Gray, como também torná-lo-ia mais enigmático e sedutor as emoções do publico que projetaria suas emoções “encima daquela face imóvel”.
Atkinson: Fã de Keaton, inspirou-se nele para criar seu personagem Mr.Bean






Assim foi Buster Keaton em grande parte de seus filmes. Keaton também, assim como Harold Lloyd que em breve destacarei em outro post sua importância, foi o grande inovador das cenas do que hoje chamamos de “Live Action” ou simplesmente “Cenas de Ação” para a arte do Cinema, obviamente sem o uso de dublês, que hoje são indispensáveis para muitos artistas, que inclusive, consideramos semideuses dos filmes de ação.
Buster corria, Buster pulava, Buster se esborrachava. Subia no trem, pulava de um lado para o outro, subia em um prédio, e fazia Le Parkour em plena década de 1920, assustando e deixando admirados a todos que assistiam a suas obras, mescladamente com uma ação e com uma velocidade inovadora, e acima de tudo imensamente cômicas.
Isso tudo graças a sua formação circense. Sim, quando criança juntamente com seus irmãos mais velhos, participavam de um espetáculo teatral com dotes circenses, conhecido como estética do Vaudeville, onde se misturava a arte da comédia com as acrobacias, quedas, pulos, pontapés e etc. Ali nasceram e cresceram sua veia cômica, onde ainda criança ficou conhecido ao atuar como um pequenino rebelde nas cenas deste teatro burlesco.
 

Keaton em mais uma de suas cenas de Live Action Comedy
Daí para o sucesso não foi tão fácil como podemos imaginar, haja vista que não o é hoje, imagine então no fechado mercado do Cinema daquele momento. Contudo para quem nasce com o talento supremo como nasceram Chaplin e Keaton, as portas não somente se abrem como também as chaves da casa lhe são graciosamente entregues.
Keaton teve seu auge no Cinema Mudo nas décadas 20 e 30, até quando por problemas pessoais que não vem ao caso, e principalmente por questões contratuais e de adaptação ao Cinema Falado, que afetou a todos da época, inclusive ao proprio Chaplin, acabou vendo sua carreira entrar em certo abismo. Sua obra mais conhecida é “A General” rodada no ano de 1927, onde Keaton deixa a mostra todas as características geniais citadas anteriormente que o consagraram.
Keaton interpretando Johnnie Gray em "A General"
É certo que ainda tivemos o prazer de vê-lo atuar em comedias faladas posteriores, como com especial atenção eu já citei o caso de “Luzes da Ribalta” de 1952, que metaforicamente trata-se de uma das maiores justiças históricas que este Universo nos podia dar, nos concedendo a chance de ver ambos os gênios Chaplin e Keaton dividindo o mesmo palco, a mesma película mesmo que seja por menos de dez minutos. Ainda que nesta obra, que é a penúltima produzida por Chaplin, ambos já estejam bem velhinhos, para quem a assiste, se trata de um momento único, de uma conjuração perfeita e magnífica de dois mágicos da comédia que se encontram numa mesma tela para afinarem e herdarem a todos a oportunidade de visualizar o encontro dos dois maiores sujeitos cômicos que o Cinema já viu.

Keaton já idoso..


Em 1966, aos 71 anos morria Buster Keaton acometido de câncer no pulmão. Sua obra magnânima foi e é reconhecida até hoje por fãs, críticos e academias de Cinema de todo o mundo. O nosso Pamplinas, como era chamado na Espanha e em Portugal, foi reconhecidamente apontado como dentre os 20 maiores artistas de todos os tempos pela academia de atores e cineastas norte americanos. Obviamente, isso seria o reconhecimento mínimo, devido e mais do que justo.
R.I.P - Buster Keaton.

Quase cinqüenta anos depois de sua morte, Keaton não desejaria deixar como herança, lamurias por alguém que morreria ainda cedo, mas sim um saldo de alegrias, de sorrisos, de doçura e acima de tudo de paixão a estética da arte do Cinema, assim como proporcionou em toda a sua vida.
Lá encima, no céu dos cômicos, ao lado de Chaplin, Harold Lloyd, e é claro dos nossos brasileiros Ronald Golias, Mussum, Zacarias, Mazzaropi, Otello, Oscarito, e de outros tantos comediantes do mundo, que  como tarefa e arte suprema faziam as pessoas sorrirem, ele nos observa.
E cada vez que um jovem, uma criança sorri com as travessuras e a falta de jeito de Johnnie Gray, com o seu modo desajeitado,  contudo absurdamente puro, o nosso “Pamplinas”, o “Homem que nunca ri”, deixa aparecer timidamente um pequeno e merecido sorriso de canto de boca, digno do maior comediante de todos os tempos. 


Deixo assim um Sorriso para o " Homem que não sorri", ou simplesmente através da belíssima canção escrita por Chaplin para " Luzes da Ribalta" repito:
"Smile, what's the use of crying...If you'll just Smile... Smile..!"


Goodbye Mr.Keaton!


Ass: Rafael Costa Prata
Graduado em História pela Universidade Federal de Sergipe.

domingo, 10 de outubro de 2010

"La vita è bella"


Sabe um daqueles filmes que assistimos, procurando uma imparcialidade no olhar, ainda que utópica, mas ao final, nos deparamos justamente com o seu inverso?!

Pois é, o filme "A Vida é bela", talvez para mim, seja o exemplo mais perfeito deste tipo de situação. Não há como fugir, não há como negar. É simplesmente isso.

O resultado é Admiração e Emoção Pura.

É tambem o tipo de filme ou arte, que você procura a mais bela, merecedora, e impactante palavra que encaixe perfeitamente na dimensão do filme, mas você não encontra de forma alguma. Talvez não precise encontrar, e justamente é neste desencontro, onde se encontra toda a magnitude do filme.

Desta forma, até que me provem o contrario, é impossível assistir " A Vida é bela", sendo imparcial, e muito menos sem se emocionar com algumas de suas cenas, ou com a totalidade da obra.

O mais frio dos seres humanos poderá negar, dissimular, mas sabe ele que o filme o tocou de alguma forma.

Nesta insensata procura por uma definição do filme, eu só consigo enxerga-lo de uma abstrata  maneira: Trata-se de um filme absurdo. Aqui se entenda absurdo como o único adjetivo que eu consegui encontrar para algo que se aproxima  ao que procuro definir sobre esta arte. 

 Poderia  caracterizá-lo como uma Bela Tragicomédia, ou um filme que é a propria pura arte em seu refino maior, como com certeza Ingmar Bergman deve ter se arrepiado ao ter assistido esse filme.

Mas só encontrei esta definição: Um absurdo.

Um Absurdo de genialidade. Um filme que de tão simples, é absurdamente fantástico e tocante. 
Não há nada de fantastico no enredo do filme. A Situação já é conhecida por nós: O Holocausto. 


Mas é justamente a simplicidade tomada por Benigni na criação do filme, sim haja vista que ele além de compor o personagem principal é tambem o diretor do filme, que torna esta obra tão particular e que com certeza entra no hall de filmes inesquecíveis e que perdurará por toda a eternidade.

O que eu estou escrevendo não é nenhuma novidade. Tambem não sou o primeiro nem o último a utilizar alguns minutos de sua breve vida para admirar e qualificar esta película.

Diga-se de passagem, que versar duas ou três palavras sobre esta obra, é de uma dificuldade enorme, haja vista que não há condições de dotar em meras palavras, toda a carga fantástica que o filme nos traz.e produz .

Ainda assim, quero tecer algumas pequenas considerações, que se aproximam mais de elogios e homenagens do que de comentários alusivos a obra.

Em Primeiro lugar, cabe destacar a perfeita atuação de duas personagens do filme.

Guido e Giosué 


Primeiramente, a atuação do fantástico Roberto Benigni. Pouco conhecido até o ano de lançamento do filme, 1997, Benigni já era um aclamado ator de cinema e de teatro italiano, de onde por sinal, ele retirou todos os ensinamentos e sua base de "Arte total" na hora de atuar.

É fantástico,  talvez um Chaplin italiano, ou um ator que Bergman teria todo o prazer de dirigir, como sendo um ator total, versatil, profundamente artistico.

Sem correr o risco de esta minha afirmação ser totalmente infundada, assistam ao filme e comprovem tudo o que estou retratando.

Desde o lançamento e o sucesso do filme, que ganhou inumeros premios, inclusive o Oscar de melhor filme Estrangeiro,  já se passaram treze anos, tornando-o praticamente um filme cultuado no cenário do cinema, como uma das manifestações artisticas mais perfeitas que a telinha já viu. 

Quem assiste ao filme, tem a sensação de estar dentro da história, sofrendo,impaciente, e ansiosamente no decorrer da história , torcendo pelo sucesso de Guido e sua familia. Sente-se como dentro de um fillme chapliano, de uma comédia de uma vida repleta de dramas, mas de onde se busca até onde se pode alcançar, um mero sorriso, puro e repleto de amor.


Outra atuação magnífica é a da criança Giorgio Cantarini.  Sua personagem Giosué é  fabuloso. Quem não sorriu ou se emocionou com as perguntas e as inquietações desta inocente criança com certeza está mentindo ( ou tem uma grande afta na alma kkk..)



Certamente esta atuação, pode ser tida como uma das  maiores encenações juvenis da história do Cinema desde suas origens. Poucas são as obras que conseguem trazer a atuação de uma criança, e diga-se de passagem que nesta obra é uma criança ainda bem pequena atuando em uma obra dificil, que tenha tido tanta perfeição. 

Ainda que outras crianças tenham tido ótimas atuações, talvez eu não me recorde de nenhuma atuação tão fantástica como esta. Talvez eu também não tenha tanta bagagem par a afirmar tais coisas. 


Mas enfim, é esta atuação tão fantástica porque, como no geral do filme, de tão simples, o garoto nos traz uma leveza de atuação, que recria uma emoção pura  e original que comove pela ingenuidade, pelo sonho, e pelo amor que nutria por seu pai e sua mãe.

A Relação de amor entre Pai e filho, das personagens de Benigni e do garoto Cantarini, por sinal, me faz recordar justamente de um filme que com certeza serviu de inspiração para Benigni. 

Trata-se justamente do filme “O Garoto” de Charlie Chaplin, do ano de 1921, que possui uma carga dramática parecidíssima . 





No filme, temos um garoto órfão abandonado que é recolhido por Carlitos, um vagabundo, que fará de tudo para sustentá-lo, ainda que se utilizando de artimanhas para isso. É a prova cabal do amor que Carlitos nutre pela criança. Sem condições, passa por apuros para criar aquele jovem órfão. 
O Filme é uma bela comédia dramática, que nos faz sorrir e emocionar ao mesmo tempo.




De fato, Chaplin era fabuloso, nos trazendo isto já em 1921. Sua atuação e do jovem ator Jackie Coogan, que é a criança, certamente serviram de modelos para Benigni e para o menino “ Giosué” em “ A Vida é Bela”.



Definitivamente eu não falarei mais nada sobre esta obra. Não vou colocar nenhum spoiler ou resumo, ou até uma resenha mais apurada, pois o resultado final não chegaria aos pés do que o meu pensamento desejaria escrever em linhas. Não que eu tenha uma analise muito boa ou absurda para expor sobre o filme. Mas é justamente porque o filme fala por si só. 
Todo mundo já o assistiu. Assistamos de novo. Só temos a ganhar.

Em menos de 120 minutos de filme, nos encontramos diante de um misto de emoções tanto dentro da telinha como no que é produzido dentro de nós.


Guido é a pureza em pessoa.  Nos traz uma ingenuidade e amor tão sutis e fascinantes que o filme nos prende de forma impactante até seu fim. Um reflexo do filme talvez seja a nossa alegria ou surpresa diante das ações de Guido. 


Suas enrascadas, grande parte fruto de sua ingenuidade ou de seu jeito desastrado, com o tempo tornam-se frutos de seu amor diante de sua esposa e de seu filho. Quem procura enxergar o filme, sabe como vês ou outra, todos nós nos pegamos fazendo alguma extripulia em pró de alguém que gostamos. Guido é essa atitude durante o filme todo.

Sua graça nos comove, e seu sofrimento mais ainda.
Este sofrimento de Guido só termina quando tem de fazer sorrir a quem mais ama: Seu filho Giosué, e sua esposa Dora. 

Alguém  realmente ainda acha que Guido realmente morreu ?
A imagem alegre e pura de Guido é tão forte, que ainda que saibamos que possa ter morrido ( e realmente morreu, mas eu me recuso a aceitar e/ou acreditar), só conseguimos recordá-lo a partir dos seus valores transmitidos com o filme.

Sua fábula é uma lição para a humanidade. Uma revisão não só do que tem sido os valores humanos, mas uma necessidade que deve ser inerente a todos nós. Afinal, nesta selvageria do dia a dia, quem se doaria tão completamente ao seu proximo, ainda que filho, como Guido fez?



Só para finalizar, o filme também é genial na medida em que trabalha com fatos históricos com uma sutileza que emociona sem necessariamente ter que voltar a imagens mais fortes, como massacres, tiros, closes nas mortes com um foco mais detalhado. Tudo na obra é subetendido. 

Fato é que tudo isso existiu, mas o filme prefere abordar por um lado mais sensível, que por sinal, lhe trouxe muitas criticas por alguns considerarem que o filme suaviza demais o Holocausto. De certo, estes, não entenderam de forma alguma a mensagem principal do filme.

Para tocar, o filme não precisa necessariamente apelar a visualização de um tiro na cabeça de Guido. Todos sabemos que ele morreu naquele instante ( ou torcemos que não tenha morrido) , e talvez, penso eu, que você se emocionou, sem necessariamente ver a cena. Caso tivesse visto, talvez tivesse hoje repulsa ao filme pela crueldade em mostrar a destruição de nossa personagem.

A emoção é maior ainda quando Giosué, que narra a história, encontra a sua mãe Dora ao fim da guerra, pronto para voltar para casa de tanque. Seu sonho maior.

Enfim, é isso o que eu tenho a dizer.

Não é uma resenha, não é um texto que faça algum sentido.

Talvez uma justa homenagem a um belíssimo filme que eu tenha mais uma vez assistido.

Há todos que reservaram valiosos minutos de sua vida para ler estes comentários, espero que não tenha sido perda de tempo. 


Espero realmente ter sido de alguma valia.


E não se esqueçam: Ainda que nos encontremos diante de muitas dificuldades no dia a dia, a Vida ainda é Bela.

Ass: Rafael Costa Prata
Graduado em História, 5ª Périodo, Ufs.

sábado, 11 de setembro de 2010

O Triunfo de Ron Clark


Assistir ao filme “Triunfo, a História de Ron Clark” passa a ser mais do que apenas uma indicação aos professores ou futuros professores. É praticamente uma obrigação, uma lição de vida e dedicação que deve ser revelada a todos. Aparentemente o filme tem muito em semelhanças com outro grande filme clássico chamado “Ao Mestre com Carinho”, imortalizado pela excepcional atuação do grande ator Sidney Pottier, contudo, a diferença ainda que sutil, existe. Enquanto que em “Ao Mestre com Carinho” entramos no mundo conflituoso de uma escola de alunos com uma idade já adolescente, no filme a que procuro analisar, o centro das atenções são crianças ainda na 6ª serie. Ambos os filmes, se vale o efeito da sugestão, devem ser assistidos com muito carinho, não somente pelos professores, mas por todos aqueles que se interessem pela questão da Educação.


O Filme nos conta a história do jovem professor Ron Clark, que ao alcançar sucesso na escola de sua região, procura alçar novos vôos, em busca de uma nova vida na cidade de Nova York. Ao conseguir um emprego numa escola publica do Harlem, opta por dar aula na considerada pior turma. Antes de tudo é necessário retratar o apartheid educacional que havia nessa escola. Os alunos eram divididos em salas de acordo com suas notas, o que acabava provocando preconceitos entre os alunos. Está pratica so tendia a prejudicar os alunos. É mais do que necessário que os professores e a equipe pedagógica motivem os  seus alunos, não taxando-os como perdedores, baixando a sua moral e prejudicando assim a sua capacidade. Ainda assim ele opta e deseja em ensinar nesta turma. É o desejo dele, ainda que ninguém acredite que ele consiga mudança nesta turma.


Iniciando seu trabalho, encontra um ambiente de forte resistência dos alunos, mas a sua obstinação é tanta que não o faz desistir, pelo contrario, só o motiva a procurar crescer mais e mudar a realidade daquelas crianças. "Sonhar grande, correr riscos", é o seu lema. Sua atitude pedagógica é sensacional. Logo no inicio de seu oficio, procura ir ás casas dos alunos, muitas vezes em regiões perigosas, para conversar com seus pais e mostrá-los que a educação deve ser um componente também familiar, como sempre pontuamos no ensino desta disciplina. Encontra também muita resistência na parte dos pais, que não entendem a “ousadia” daquele professor. Ron Clark podia muito bem esta dando aula em alguma ótima escola particular, ganhando bem e sem sofrer esses problemas. Contudo ele é um professor compromissado, que tem metas e ideais a cumprir, e continua assim na sua luta. Sabe que as crianças de hoje, são o futuro de amanhã.


No decorrer das aulas desenvolve um conjunto de metas e obrigações a serem objetivadas e respeitadas por todos os alunos. Obviamente encontra muita resistência por parte dos alunos que se encontram em estado de rebeldia intensa. O principal entendimento por ele criado e passado aos alunos é a idéia de que todos constituem uma família. Se um aluno desobedece, a turma arca. É uma relação de educação, disciplina, e principalmente de construção de valores e de honestidade que começa a ser empreendida por ele.


Um momento em especial me chamou muita atenção, e nos traz uma ligação com o cinema. É a extrema sapiencia de Ron Clark no uso das tecnologias midiaticas, seja uma televisão, um dvd, ou algo que acabe se extendendo ao uso de filmes, do contexto cinematografico no ambito escolar. Acontece que Ron Clark acaba acometido por uma Pneumonia, ele se vê impossibilitado de dar aulas presenciais em sala de aula.


O que ele faz então? Recria as aulas na sua própria casa através da criação de videos. Enquanto não pode dar aula, cria vídeos explicando assuntos diversos utilizando explicações do contexto de casa para os alunos. É impressionante a sua visão na criação dos vídeos, a ponto de sua proximidade e conhecimento desses alunos serem tão grandes, que ele cria uma interatividade dentro do proprio vídeo, prevendo como os alunos podem estar em sala de aula.


Esta atitude de Ron Clark mostra como os recursos midiáticos e tecnológicos podem ser muito bem utilizados como componente educacional bastante eficaz e importante, sendo o Cinema um otimo e necessário campo na construção do conhecimento historico.


Enfim muitas são as citações que poderiam ser feitas sobre o filme. É a perseverança, a vontade e a inspiração de Ron Clark que deixam uma marca e uma lição a todos.


Ron Clark é assim um retrato de perseverança cujas atitudes devem ser repetidas ou tomadas como base para que consigamos com sucesso tornarmos professores como aquele jovem que saiu do campo para mudar a vida de inúmeras crianças desacreditadas no Harlem.


Ron Clark existiu, antes que se faça a pergunta, e é a prova viva que a construção de novos metodos de ensino, além da habilidade do professor, devem andar de mãos dadas com os novos instrumentos de difusão imagetica, onde o Cinema, ganha um especial destaque.

Ass:  Rafael Costa Prata
Graduado em História, 5ª Periodo, Ufs.
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